Especialista destaca a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado no câncer de mama inicial e da atenção contínua para reduzir as chances de recidiva
Nesse
cenário, o câncer de mama ganha destaque por ser uma das principais condições
que afetam a população feminina, tornando fundamental a atenção aos sinais e
sintomas, a realização de exames de rastreamento conforme orientação médica e o
seguimento adequado após o tratamento, etapa indispensável para reduzir as
chances de recidiva da doença.[i]
O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre
as mulheres no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma, com previsão
de pelo menos 78 mil casos por ano[ii]. Embora os avanços no diagnóstico e
no tratamento tenham aumentado significativamente as taxas de sobrevida1,
identificar o câncer de mama precocemente é importante
para que as taxas de recorrência da doença sejam cada vez menores [iii].
“Receber o diagnóstico em estágio inicial costuma trazer
esperança, já que as chances de controle são maiores 1. Ainda assim,
é fundamental que a paciente compreenda que o cuidado não termina com a
cirurgia ou com o término da quimioterapia. Mesmo após as etapas iniciais do
tratamento, o cuidado continua, seja no acompanhamento ou na terapia
complementar. Cada paciente deve ser acompanhada de forma individualizada,
tendo em mente os seus objetivos, cuidado com efeitos colaterais e
acompanhamento conforme seu risco de recorrência3. Conhecer
profundamente o tipo de câncer e entender as opções de terapia adjuvante
específicas é uma parte fundamental da jornada de cuidado”, explica Dra. Laura
Testa, chefe do grupo de Oncologia Mamária e pesquisadora do ICESP, Instituto
do Câncer do Estado de São Paulo (CRM 124982).
A recidiva pode ocorrer de forma local, regional ou à
distância (metastática), e o risco está relacionado a fatores como subtipo
tumoral, presença de receptores hormonais, envolvimento de linfonodos[iv]
e adesão ao tratamento adjuvante (complementar). Por isso, estratégias
terapêuticas individualizadas e acompanhamento regular são fundamentais para
reduzir as chances de retorno da doença 3.
Além do tratamento adequado, o especialista destaca a
importância do letramento em saúde. “Quando a mulher entende seu diagnóstico,
participa das decisões terapêuticas e mantém acompanhamento periódico, ela se
torna protagonista do próprio cuidado. Nesse sentido, a informação de qualidade
é uma aliada poderosa na prevenção da recidiva”, afirma a especialista.
O acesso à mamografia, a realização de exames clínicos
regulares e a atenção a sinais e sintomas suspeitos continuam sendo pilares do
diagnóstico precoce2. Paralelamente, é fundamental ampliar o diálogo
sobre o período pós-tratamento, fase frequentemente marcada por inseguranças e
dúvidas 3.
Durante o Mês da Mulher, campanhas de conscientização ganham
força, mas a mensagem central precisa permanecer ao longo de todo o calendário:
a saúde feminina não pode ser sazonal. O investimento em políticas
públicas, ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento de qualidade e
promoção de informações baseadas em evidências científicas, são ações
essenciais para transformar o cenário da doença no Brasil.
“Cuidar da saúde da mulher é um compromisso contínuo.
Quando falamos em câncer de mama, estamos falando de oportunidade de tratar no
momento certo, de reduzir riscos e de oferecer mais esperança e qualidade de
vida. E isso exige acompanhamento contínuo, não apenas em março ou em outubro3”,
reforça a especialista.
Ao ampliar a conversa sobre prevenção, tratamento e risco
de recidiva, o Mês da Mulher se consolida como uma etapa dentro de uma jornada
para uma agenda permanente de cuidado, informação e protagonismo feminino na
saúde.
Porque, quando uma mulher tem saúde, ela tem força para
transformar caminhos, mover realidades e seguir adiante com seus planos, seus
sonhos e tudo aquilo que escolhe construir. E nada é mais poderoso do que uma
mulher plenamente capaz de viver o seu próprio caminho.
Referências bibliográficas
[i] Breast Cancer. Organização Mundial de Saúde. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer Acesso em: 23/02/2026.
[ii] Estatística. Câncer de Mama. Instituto Nacional do Câncer. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/mama Acesso em: 23/02/2026.
[iii] Instituto Oncoguia. Por que o câncer volta? Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/por-que-o-cancer-volta/17689/697/ Acesso em: 23/02/2026.
[iv] Instituto Vencer o Câncer. Recaída do câncer de mama. Disponível em: https://vencerocancer.org.br/cancer/recaida-do-cancer-de-mama/ Acesso em: 23/02/2026.
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