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quarta-feira, 11 de março de 2026

Medicamentos falsificados vão além das canetas emagrecedoras: como identificar e evitar riscos à saúde

Especialista da Prati-Donaduzzi explica quais segmentos estão entre os mais atingidos, o que o consumidor deve observar e como agir no caso do consumo dessas substâncias

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada dez medicamentos vendidos em países de renda média e baixa pode ser falsificado ou subpadrão. E engana-se quem pensa que apenas as famosas canetas emagrecedoras têm sido alvo. Produtos de diversos segmentos do mercado, principalmente os com alta demanda, custo elevado e grande exposição midiática - como hormônios, anabolizantes, medicamentos para disfunção erétil e até terapias oncológicas - já foram afetados por essa prática ilegal. 

Dentre os riscos para a saúde do usuário estão a administração de doses incorretas, substâncias não declaradas ou contaminantes e falha no tratamento, entre outros. Segundo Liberato Brum, Farmacêutico Industrial, Mestre e Doutor em Ciências Farmacêuticas, que desde 2011 atua como gerente de inovação e pesquisa clínica do laboratório Prati-Donaduzzi, a forma mais eficaz de se proteger é adquirir os produtos apenas por canais regularizados e devidamente registrados na Anvisa.

“Comprar medicamentos fora de farmácias e drogarias autorizadas aumenta significativamente o risco de falsificação. Isso acontece porque esses canais não regulamentados, como redes sociais, marketplaces informais ou vendedores sem identificação clara não seguem as exigências sanitárias, não garantem armazenamento adequado e não oferecem rastreabilidade do produto. Farmácias regularizadas são fiscalizadas pela Anvisa e pelas vigilâncias sanitárias locais, o que assegura que os medicamentos tenham procedência comprovada, registro válido e controle de qualidade”, explica Brum.
 

Outro sinal de alerta para os consumidores é a prática de preços muito abaixo do mercado. Medicamentos regularizados envolvem custos com pesquisa, controle de qualidade, boas práticas de fabricação, logística e tributos. Quando o valor está muito inferior ao praticado por farmácias autorizadas, pode indicar produto falsificado, irregular, desviado ou armazenado de forma inadequada. Descontos existem, mas diferenças muito expressivas em relação ao preço médio devem gerar desconfiança.

 

De interrupção do tratamento a intoxicações graves

Medicamentos falsificados ou irregulares representam um grave risco à saúde pública porque podem não conter o princípio ativo correto, apresentar doses inadequadas ou até substâncias desconhecidas ou tóxicas. Além disso, podem comprometer a eficácia do tratamento, agravar doenças, causar reações adversas graves e até ampliar problemas coletivos, como a resistência bacteriana.

 

Como garantir a procedência de um medicamento

Existe uma série de cuidados que os pacientes podem tomar para verificar a qualidade do medicamento. É possível verificar se o produto possui registro na Anvisa, conferir se a embalagem está íntegra, com número de lote, validade e fabricante e bula em português. A indústria farmacêutica tende a oferecer mais segurança e qualidade por meio de Boas Práticas de Fabricação, controle de qualidade lote a lote e testes antes da liberação do produto. 

Laboratórios que seguem as normas da Anvisa adotam sistemas de rastreabilidade por número de lote, cumprem as exigências regulatórias da Anvisa e mantêm sistemas de central de atendimento ao consumidor (CAC) e de farmacovigilância para monitorar a segurança após a comercialização. “A rastreabilidade ajuda a combater falsificações ao permitir o acompanhamento do medicamento desde a indústria até a farmácia, por meio de códigos únicos vinculados a lote, validade e fabricante”, conta o gerente de inovação da Prati-Donaduzzi.

 

O que fazer no caso de suspeita da compra de medicamento falsificado

Ao suspeitar de falsificação, o consumidor deve:

  • Interromper o uso imediatamente;
  • Guardar a embalagem e a nota fiscal;
  • Comunicar a farmácia e ligar para o CAC (Central de Atendimento ao Consumidor) da empresa farmacêutica responsável, disponível na embalagem, para confirmar a autenticidade.
  • Notificar a vigilância sanitária ou a Anvisa pelo site oficial.
Se houver qualquer reação adversa, é fundamental procurar atendimento médico para avaliação clínica e possível ajuste da terapia.



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