Condição afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo; especialistas reforçam importância do diagnóstico precoce e destacam novas opções de tratamento
Março veste-se de amarelo para dar
visibilidade a uma condição que ainda convive com desinformação, subdiagnóstico
e anos de sofrimento silencioso: a endometriose. De acordo com a Organização
Mundial da Saúde, 190 milhões de mulheres e meninas em idade reprodutiva vivem
com a doença em todo o mundo.
No Brasil, um levantamento epidemiológico com
base em dados do DATASUS entre 2015 e 2025, publicado no Brazilian Journal of
Implantology and Health Sciences, dimensiona o impacto da doença no país.
Embora 67,7% das internações estejam concentradas entre mulheres de 30 a 49
anos, com maior incidência na Região Sudeste (42,8%), o estudo traz um dado que
exige atenção redobrada: mais de mil internações ocorreram entre adolescentes
de 10 a 19 anos na última década. O número reforça que a dor menstrual
incapacitante juventude não deve ser naturalizada, mas investigada com
seriedade e precocidade.
O médico ginecologista e professor da Afya
Ipatinga, Dr Renilton Aires Lima, explica que a endometriose pode começar já na
adolescência e quando não reconhecida precocemente, pode afetar
significativamente a qualidade de vida, o bem-estar emocional e, em alguns
casos, a fertilidade futura.
“Diferente da cólica menstrual comum, que
costuma responder a anti-inflamatórios e não interfere de forma importante na
rotina diária, a endometriose precocemente pode provocar dor muito intensa, às
vezes acompanhadas de alterações intestinais e/ou urinárias durante a
menstruação que se não tratada tende a piorar com o passar do tempo e causar
dor fora do período menstrual”.
Dr Renilton Lima esclarece que a endometriose
é uma doença crônica que ocorre quando um tecido semelhante ao que reveste o
interior do útero cresce fora dele, principalmente na região da pelve. “Essa
condição provoca inflamação persistente, dor menstrual intensa, dor pélvica que
pode se tornar contínua e, em alguns casos, dificuldade para engravidar.
Estudos mostram que a doença pode afetar significativamente a qualidade de
vida, interferindo no trabalho, nos estudos, na vida sexual e na saúde
emocional”, complementa.
Novas opções de tratamento pelo SUS
No ano passado, o Ministério da Saúde deu um
passo histórico ao incorporar novas opções de tratamento hormonal no Sistema
Único de Saúde (SUS), visando ampliar a qualidade de vida das pacientes. Entre
as novidades estão o Dispositivo Intrauterino Liberador de Levonogestrel
(DIU-LNG), que suprime o crescimento do tecido endometrial fora do útero e
possui validade de cinco anos, e o desogestrel.
A médica ginecologista e professora da Afya
Itajubá, Dra Júlia Reis, informa que as novas terapias, o dispositivo
intrauterino (DIU) liberador de levonorgestrel e o medicamento oral
desogestrel, visam controlar a progressão da doença e aliviar os sintomas debilitantes
associados a ela. “O DIU liberador de levonorgestrel atua localmente no útero,
liberando um hormônio que reduz o espessamento do endométrio, diminui o fluxo
menstrual e alivia a dor, além de ajudar a controlar os focos da doença. Já o
desogestrel, um progestagênio de uso oral, age de forma sistêmica, inibindo a
ovulação e suprimindo o ciclo menstrual, o que contribui para a redução da dor
pélvica, das cólicas e do sangramento intenso”.
A incorporação das novas terapias ocorre em
um contexto de crescente demanda por cuidados relacionados à endometriose no
Brasil. O Sistema Único de Saúde (SUS) tem registrado um aumento expressivo nos
atendimentos na atenção primária voltados ao diagnóstico da doença. Somente
entre 2023 e 2024, foram realizados mais de 260 mil atendimentos e 85,5 mil
internações relacionadas à endometriose, evidenciando a urgência em ampliar o
acesso a tratamentos eficazes e atualizados no âmbito do SUS.
“Os tratamentos para endometriose são diversos. Em geral, começa-se com medicamentos hormonais orais, como desogestrel, dienogeste ou pílula combinada contínua, com o objetivo de interromper a menstruação e aliviar os sintomas. O DIU com levonorgestrel (Mirena) e o implante subcutâneo (Implanon) também são opções eficazes. Em alguns casos, usam-se medicamentos injetáveis. A cirurgia é indicada apenas quando o tratamento clínico não traz resultados ou em casos mais graves”, ressalta a especialista da Afya.
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