Entre as aplicações, estão os tutores digitais que ajudam estudantes a revisar conteúdos e até 20% deles relatam melhora no aprendizado.
O uso de inteligência
artificial no ensino brasileiro começa a ganhar escala e já impacta a rotina de
professores e estudantes. Um levantamento recente da OCDE indica que 56% dos
docentes brasileiros utilizam ferramentas de IA para planejar aulas ou buscar
novas formas de ensinar, mostrando que a tecnologia começa a integrar o
cotidiano de parte das escolas e universidades. O avanço ocorre em um momento
em que o país discute novas diretrizes para o uso da inteligência artificial
nos sistemas de ensino, cuja votação está prevista para o próximo dia 16.
Segundo Mateus
Magno, CEO da Magnotech, empresa brasileira especializada em soluções de
inteligência artificial, uma das aplicações que mais cresce no setor
educacional são os tutores digitais utilizados no pós-aula, que permitem aos
alunos revisar conteúdos e esclarecer dúvidas de forma personalizada.
“Essas ferramentas
funcionam como um apoio ao estudo. O aluno consegue revisar exercícios,
aprofundar temas específicos e receber explicações adicionais de acordo com o
próprio ritmo de aprendizagem”, afirma.
De acordo com
experiências observadas em projetos de aprendizagem assistida por inteligência
artificial, Magno afirma que entre 10% e 20% dos alunos demonstram melhora na
resolução de exercícios e na compreensão do conteúdo após utilizarem tutores
digitais no pós-aula.
Além do impacto no
aprendizado dos estudantes, a tecnologia também começa a alterar a dinâmica de
trabalho dos professores. Educadores que utilizam ferramentas de apoio baseadas
em IA relatam redução de cerca de 30% no tempo dedicado à preparação de
materiais e atividades, o que permite maior foco no acompanhamento pedagógico e
na interação com os alunos.
Outra aplicação
crescente da inteligência artificial na educação está na organização de trilhas
de aprendizagem, com sistemas que ajudam a estruturar o conteúdo de acordo com
o nível e o ritmo de cada estudante, a chamada personalização do aprendizado.
“Em uma mesma turma existem ritmos diferentes de aprendizagem. Alguns alunos precisam de reforço em determinados conteúdos, enquanto outros conseguem avançar mais rápido. A IA pode ajudar o professor a organizar esse acompanhamento de forma mais personalizada”, diz Magno.
O professor segue sendo essencial.
O especialista defende, ainda, a tese de que o uso da tecnologia deve seguir o
princípio da "inteligência amplificada", em que sistemas digitais
fortalecem, mas não substituem, o papel do educador. "O aprendizado não
acontece apenas pela transmissão de conteúdo, mas também pela aplicação
prática, pela interação e pela construção coletiva do conhecimento. A IA pode
organizar informações, ampliar repertório e oferecer suporte complementar, mas
o professor continua sendo o principal mediador desse processo", afirma.
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