Equipamentos com câmera
360°, comunicador bidirecional e botão SOS já estão presentes em mais de 80
municípios de 15 estados
Totem de segurança em Guaíra (SP), onde o monitoramento
ajudou na identificação de agressão contra uma mulher
grávida, resultando na prisão do agressor
Créditos: divulgação/Helper Tecnologia
No Dia Internacional da Mulher, a reflexão sobre a segurança feminina no
Brasil baseia-se em uma estatística alarmante: o país nunca registrou tantos
feminicídios. Em 2025, foram 1.568 mulheres assassinadas – uma média de quatro
mortes por dia, segundo dados levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança
Pública.
A fim de frear essa escalada de violência contra a mulher, municípios brasileiros
estão adotando uma tecnologia como nova aliada nas ruas: os postos eletrônicos,
mais conhecidos como totens de segurança. Desenvolvidos para atuar em espaços
públicos, os equipamentos funcionam como postos avançados de monitoramento e
socorro, com o objetivo de reduzir o tempo de resposta das forças policiais e
de criar uma rede de proteção imediata e acessível para mulheres em situação de
risco.
Como funciona a tecnologia?
Os totens de segurança possuem um sistema de giroflex que remete imediatamente
à presença de uma viatura policial. No entanto, o principal diferencial está na
interatividade e na vigilância. Os totens são equipados com botão de
emergência, que, quando acionado, conecta a vítima de forma imediata à central
de segurança; um comunicador que permite que a vítima converse em tempo real
com um agente, relatando a ocorrência; e um sistema de áudio, capaz de enviar
alertas à população e reproduzir mensagens automáticas, além de câmeras 360°,
que garantem o monitoramento contínuo do perímetro, gravando toda a ação e
auxiliando na identificação rápida de agressores.
De acordo com Edison Endo, diretor da Helper Tecnologia, empresa
detentora da patente dos equipamentos, os totens atuam como pontos estratégicos
de proteção em espaços públicos, oferecendo acionamento imediato em situações
de risco e monitoramento em tempo real. "A presença visível do equipamento
funciona como fator inibidor de abordagens violentas, além de ter um papel
importante na identificação do agressor", explica.
Integração com órgãos de segurança
Para que o resgate seja eficaz, a tecnologia atua em parceria com
prefeituras e órgãos de segurança pública. Sempre que possível, o sistema é
integrado à rede local de proteção, acionando de imediato a Guarda Civil
Municipal (GCM), a Polícia Militar e, dependendo da estrutura do município, as
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e as secretarias
responsáveis por políticas públicas para mulheres. "No contexto da
violência contra a mulher, os totens ampliam o acesso à ajuda emergencial,
reduzem o tempo de resposta e fortalecem a rede de proteção local. A tecnologia
atua de forma complementar, fortalecendo o sistema de encaminhamento adequado
das vítimas", afirma Endo.
Flagrantes e prisões na prática
A eficácia do sistema já foi comprovada nas ruas, com casos que
culminaram na prisão de agressores antes que ocorresse o pior. Por respeito à
privacidade das vítimas, dados pessoais sensíveis não são expostos, mas já
foram publicados registros oficiais que evidenciam o impacto da tecnologia. Em
Porto Alegre, por exemplo, uma mulher vítima de violência doméstica conseguiu
fugir e acionar um totem instalado em via pública. A resposta imediata da
Guarda Municipal resultou na prisão do agressor.
Em Guaíra, interior de São Paulo, o monitoramento preventivo pelas
câmeras do totem ajudou na identificação de uma agressão contra uma mulher
grávida. As imagens permitiram que agentes da Guarda Civil Municipal fossem
enviados rapidamente ao local, efetuando a prisão em flagrante do agressor.
Tecnologia como apoio, não substituta
Atualmente, os totens de segurança já estão implantados em mais de 80
cidades brasileiras, espalhadas por 15 estados, com expansão contínua pelo
país. No entanto, os próprios desenvolvedores reforçam que o equipamento é
apenas uma ferramenta em um cenário muito mais complexo. "A violência
contra a mulher é um problema estrutural que exige políticas públicas amplas,
educação e conscientização social. A tecnologia não substitui essas ações, mas
pode ser uma aliada estratégica na ampliação da rede de proteção", conclui
o diretor da Helper Tecnologia.
A promessa para o futuro é continuar contribuindo para cidades mais
seguras, oferecendo ferramentas que garantam que os pedidos de socorro das mulheres
não fiquem sem resposta.
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