Falta de integração entre exames e histórico médico ainda atrasa o diagnóstico precoce, aponta especialista
O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028,
segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O volume crescente
reforça um dos principais desafios da oncologia no país: o diagnóstico tardio,
que reduz as chances de cura, aumenta a mortalidade e eleva os custos do
sistema de saúde.
Especialista da Pixeon, healthtech brasileira especializada em tecnologia para
gestão e integração de dados em saúde, aponta que o problema não está apenas na
oferta de exames, mas na fragmentação da jornada do paciente. Etapas como
consulta inicial, realização de exames, emissão de laudos e encaminhamento ao
especialista ainda operam, muitas vezes, de forma desconectada, o que pode
gerar atrasos de semanas ou até meses para a definição clínica.
Para Iomani Engelmann, CEO da Pixeon, a falta de interoperabilidade entre
sistemas é um dos principais entraves para o diagnóstico precoce. “Quando
informações clínicas, laboratoriais e de imagem não conversam entre si, o
processo fica mais lento e sujeito a falhas. Tecnologias integradas podem
encurtar significativamente o tempo entre a realização do exame e a decisão
médica. Em doenças como o câncer, esse ganho de tempo impacta diretamente o
prognóstico do paciente”, afirma.
A detecção precoce depende, em muitos casos, da análise conjunta de diferentes
fontes de informação. Exames de imagem são essenciais para identificar tumores
em estágios iniciais, como nos casos de câncer de mama, pulmão e colorretal. Já
exames laboratoriais podem revelar alterações bioquímicas antes mesmo do
surgimento de sintomas, por meio de marcadores tumorais.
De acordo com o executivo, plataformas integradas permitem que equipes
multidisciplinares tenham acesso rápido e unificado ao histórico do paciente,
eliminando silos de informação e possibilitando análises mais completas ao
longo do tempo. “Quando os dados são acompanhados de forma longitudinal, é
possível identificar padrões e sinais precoces que poderiam passar
despercebidos em sistemas isolados”, explica. Diante do aumento da incidência
da doença, Engelmann avalia que a digitalização e a interoperabilidade deixam
de ser um diferencial e passam a ter papel estratégico nas políticas de
prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce do câncer.
Pixeon
Nenhum comentário:
Postar um comentário