Com direção de Luiz Fernando Marques e dramaturgia de Abel Xavier, espetáculo parte da cultura dos Rarámuri, povo indígena do México conhecido por percorrer grandes distâncias a pé
A partir de um olhar para um povo indígena que corre grandes distâncias a pé, o Coletivo Labirinto propõe uma reflexão sobre a condição latino-americana em seu novo trabalho, Pés-Coração. O espetáculo tem sua temporada de estreia no Sesc Pompeia no dia 12 de março de 2026.
O
trabalho tem direção de Luiz Fernando Marques, o Lubi, e
dramaturgia de Abel Xavier. Em cena, estão Carol Vidotti, Emilene
Gutierrez e Wallyson Mota, além da artista convidada Allycia
Machaca.
O
interesse pelo povo Rarámuri surgiu durante o processo de montagem de Mirar -
Quando os Olhos Se Levantam, o trabalho anterior do grupo. “A Emilene
Gutierrez, integrante do coletivo, trouxe essa informação de que tinha um povo
originário do norte do México que era conhecido por caminhar longas distâncias
a pé, de correr por longos quilômetros, e que esse povo, inclusive, estava
vencendo maratonas internacionais, contrariando todas as expectativas em
relação a essa ideia de uma preparação convencional para a maratona. Então,
essa primeira curiosidade foi o que nos chamou a atenção”, conta Wallyson Mota,
um dos criadores do trabalho.
A
partir dessa provocação, o Coletivo Labirinto, que há 13 anos sempre esteve em
contato com questões e dramaturgias contemporâneas da América Latina, em
temáticas mais urbanas, decidiu deslocar o foco de seu olhar para o novo
trabalho. “Estar em contato com os Rarámuri propicia para nós fazer uma ponte,
traçar uma linha transversal no tempo para nos colocar em contato com algo mais
fundante da nossa identidade, das nossas características, do nosso modo de
ser”, explica.
A
partir desse novo foco, o grupo passou a se debruçar sobre questões como: por
que um povo, uma coletividade corre? Para quem a gente corre? Com quem
corremos? De quem corremos? Será que a corrida pode representar algum tipo de
alegoria para a condição latino-americana?
“Quando
começamos a estudar mais fortemente o povo Rarámuri, descobrimos alguns
pesquisadores que afirmam que essa corrida constante também pode ter a ver com
o processo colonizatório que os espanhóis impuseram ao México. Nós,
latino-americanos, estamos sempre no corre, estamos sempre nesse movimento
constante. Então, acho que essas são questões que ficam fortes da peça. E acho
que discutir isso no palco, no nosso contexto hoje, é discutir processos
históricos também. Por que os nossos povos são identificados com essa ideia da
corrida? O que isso representa culturalmente, socialmente, politicamente?”,
indaga Mota.
O
artista-criador ainda diz que o grupo passou a discutir a própria noção de
tempo. “Quando a gente corre, de alguma forma, tem uma ideia de que está
acelerando o tempo. Esse tempo está passando mais rápido. Então, tratar de
corrida no âmbito latino-americano é também tratar do tempo, deste tempo. Nós
compartilhamos este momento histórico, esta fatia de tempo, conjuntamente com o
público. Acho que tem algo por aí também”, acrescenta.
Sobre
o processo de criação da dramaturgia, Abel Xavier conta que o processo foi
muito colaborativo. “Desde o início, Lubi propôs que nos embriagássemos das
referências, das vontades e ideias para que fossemos construindo passo a passo
durante os ensaios quais histórias e personagens poderiam dialogar com esse
tema da corrida e do corre na América Latina. E, a partir dessas improvisações,
fui desenvolvendo e lapidando a dramaturgia”, explica.
Xavier
ainda revela que a dramaturgia também dialoga com a história do Coletivo
Labirinto, que se dedica a pesquisar e debater a América Latina há tanto tempo.
“Eu costumo dizer que dessa vez estamos nos fantasiando de Brasil para pensar
essa América Latina, porque o texto, de alguma maneira, faz referência a essas
imagens de brasilidade para tentar correr disso ou correr com isso para a
construção de uma identidade latina possivel”, complementa o dramaturgo.
“São
Paulo é uma cidade que vive um capitalismo tardio, das margens. Acho que a
ideia de estarmos em grupo no teatro é um gesto no sentido de furar essa lógica
e promover algum tipo de ponte entre nós e a cultura rarámuri, por exemplo.
Porque há em ambos o desejo pela coletividade. Não pela individualidade. O
coletivo de teatro é, de alguma forma, a ideia de um sonho comum, de um sonho
conjunto. E observando os rarámuris, percebemos que a corrida muitas vezes não
está atrelada a uma vitória individual, como no esporte. A corrida acontece
muito como um modo de existir e um modo de compartilhar a vida. Juntos. Acho
que, ao fazermos teatro, optamos por um modo de existir e um modo de
compartilhar a vida também, nessa nossa coletividade”, compara Wallyson Mota.
Ficha Técnica
Pesquisa e Idealização: Coletivo Labirinto
Criadores: Abel Xavier, Carol Vidotti, Emilene Gutierrez, Wallyson Mota e Luiz
Fernando Marques Lubi
Direção: Luiz Fernando Marques Lubi
Dramaturgia: Abel Xavier
Atuação: Carol Vidotti, Emilene Gutierrez e Wallyson Mota
Artista convidada: Allycia Machaca
Direção Musical e Trilha Original: Caetano Ribeiro
Músicos em cena: Caetano Ribeiro (guitarra, violão e voz) e
Leandro Vieira (percussão e eletrônicos)
Canto: Allycia Machaca
Concepção audiovisual: Luiz Fernando Marques Lubi e Sol Faganello
Mapping, operação de vídeo e câmera: Sol Faganello
Edição vídeo Retiro: Tomás Franco
Atuantes: Alexandra Tavares, Camila Cohen, Daniela Alves,
João Pedro Ribeiro, Lucas Bernardo, LuzMa Moreira, Paula Petreca, Renan Coelho,
Sebastian Santamaria
Coreografia: Paula Petreca
Preparação de atores (Cena Passistas): Rhena de Faria
Cenário: Luiz Fernando Marques Lubi
Cenotécnico: Zé Valdir
Figurino: Emilene Gutierrez e Allycia Machaca
Visagismo: Fábia Mirassos
Adereços: Allycia Machaca
Fantasias Carnaval: Sérgio Cardoso Lopes
Desenho e operação de luz: Matheus Brant
Técnico e Operador de som: Tomé de Souza
Coordenação de Ensaio: Madu Arakaki
Fisioterapia: Leandro Faria
Pesquisa e Condução Retiro Artístico: Elias Cohen
Apoio Teórico: Gina Monge Aguilar
Mesas de Reflexão: Gina Monge Aguilar , Salloma Salomão, Monica Rodriguez Ulo,
Paula Petreca, Paula Narvaez, Elias Cohen, Antonia Moreira, Andrezza Rodrigues
e OWERÁ
Fotos: Tomás Franco
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Redes Sociais: Jorge Ferreira e Hayla Cavalcanti
Estagiários Produção: Bento Carolina e Mariana Ruiz
Produção: Corpo Rastreado - Leo Devitto
Sinopse
Histórias
da América Latina que correm por todo o espetáculo, construindo pistas de
alguma identidade continental. Como o Brasil se vê latino-americano? Na obra, a
corrida é vista como metáfora, numa tentativa de aproximação entre pés e
corações das nossas personagens.
Serviço
Pés-Coração, com
Coletivo Labirinto
Temporada: 12 de março a 5 de abril de 2026
quinta a sábado, às 20h; domingos, às 18h;
sextas (dias 13, 20 e 27/03), também às 16h.
Sessão extra: quarta, dia 01/04, às 20h.
Dia 03/04, sexta-feira santa não haverá sessão - Sesc fechado
Sesc Pompeia - R. Clélia, 93 - Água Branca, São Paulo
Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada) e R$ 18 (credencial
plena)
Vendas online em sescsp.org.br
Classificação: 16 anos
Duração: 90 minutos
Capacidade: 302 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade
reduzida.
As sessões dos dias 13, 20 e 27, às
20h, terão tradução em Libras.

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