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sábado, 14 de março de 2026

Cinco filmes e séries que ajudam a ampliar o debate sobre saúde mental

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Psiquiatra analisa como o audiovisual pode combater o estigma e destaca obras que abordam depressão, bipolaridade e sofrimento psíquico com responsabilidade


As produções audiovisuais exercem forte influência sobre a forma como a sociedade percebe os transtornos mentais, representações sensacionalistas ou distorcidas e podem acabar por ampliar o estigma, medo e a rejeição, dificultando a busca por tratamento. “Em contrapartida, abordagens realistas, educativas e humanizadas promovem compreensão, empatia e redução do estigma, incentivando a procura por apoio. O impacto da mídia, portanto, é bidirecional e depende da qualidade da informação e da responsabilidade narrativa”, afirma o Dr. Guido Boabaid May, CEO da GnTech. 

A ficção, muitas vezes, adota abordagens simplificadas que reforçam estereótipos e deixam de lado a complexidade dos transtornos, além de aspectos fundamentais como diagnóstico, tratamento e prognóstico. Isso contribui para a desinformação e para a manutenção do estigma. “Falar de saúde mental com responsabilidade é uma forma de prevenção, reduz o estigma, facilita a busca por ajuda e pode salvar vidas. Por isso, é fundamental que a mídia audiovisual trate esses temas com responsabilidade e embasamento científico, contribuindo para uma compreensão mais ampla, empática e realista do sofrimento psíquico”, reforça o médico. 

A seguir, o médico psiquiatra lista filmes e séries que ajudam a ampliar o debate sobre a saúde mental. Confira.
 

1. Spinning Out: A série acompanha uma jovem patinadora artística que convive com o Transtorno Bipolar, assim como sua mãe. A narrativa mostra de forma sensível as oscilações entre mania e depressão, os desafios do tratamento e o impacto do transtorno nas relações familiares e na carreira esportiva. “A série explora as fases de mania e depressão, bem como os impactos significativos do tratamento inadequado na vida do paciente e de seus familiares”, explica Guido.

2. BoJack Horseman: Mesmo sendo uma animação, a série apresenta uma abordagem profunda sobre depressão, dependência química e vazio existencial. Acompanha um ex-astro da TV que enfrenta autossabotagem, traumas do passado e dificuldades emocionais persistentes. “Mostra com sensibilidade a complexidade do sofrimento psíquico, os ciclos de recaída, a dificuldade de mudança e o impacto das experiências traumáticas precoces na saúde mental adulta”, conta Boabaid.

3. Adolescência: Minissérie britânica que explora a saúde mental na adolescência a partir de temas como trauma, violência, redes sociais, identidade e dinâmica familiar. “A cada episódio propõem uma reflexão sobre vulnerabilidade emocional, necessidade de escuta precoce e estratégias de prevenção, destacando os desafios enfrentados por jovens em contextos de pressão social e conflitos internos”, explica o Dr.

4. Garota, Interrompida: O filme retrata a experiência de jovens mulheres em tratamento para diferentes transtornos mentais no ambiente em uma instituição psiquiátrica. ”Permite refletir sobre o estigma, o impacto do adoecimento mental na identidade e a importância do cuidado especializado, da escuta qualificada e do vínculo terapêutico”, ressalta o psiquiatra

5. Cisne Negro: O filme acompanha uma bailarina em busca da perfeição artística, explorando o impacto do perfeccionismo extremo sobre a saúde mental. “O longa mostra a psicose, distorções de percepção, pressão psicológica e perda de limites entre realidade e imaginação, mostrando como a busca obsessiva por desempenho pode levar ao desequilíbrio emocional”, reforça Dr. Guido.
 

Além das produções audiovisuais, o psiquiatra também levou essa proposta para a literatura. Autor do livro "Onde Foi Parar a Minha Alegria?”, ele explica que a obra nasceu justamente da necessidade de retratar a depressão com responsabilidade e realismo. “Acredito na arte como uma boa linguagem para difundir informação relevante sobre saúde mental e escrevi o livro com uma trilha sonora própria, utilizando a música e a literatura para alcançar o maior número de pessoas de maneira leve, rápida e intuitiva e com o propósito de apresentar uma obra de ficção que retratasse o tratamento da depressão de maneira fiel à prática clínica. Quis abordar o diagnóstico, as diferentes causas do transtorno e, principalmente, suas possibilidades terapêuticas farmacológicas, psicoterápicas e os ajustes de rotina que fazem parte do cuidado”, afirma o autor. 

Segundo o psiquiatra, a proposta das produções de obras literárias e audiovisuais é ampliar o entendimento sobre o transtorno e contribuir para a redução do estigma. “Falar sobre saúde mental com responsabilidade é uma forma de prevenção. Informação de qualidade pode facilitar a busca por ajuda e transformar vidas.”, conclui o Dr. Guido Boabaid.
 


Guido Boabaid May - Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 110 mil consultas realizadas, mais de 1.100 pacientes em tratamento guiado com teste farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, com mais de 25 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro "Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025


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