Psiquiatra analisa como o audiovisual pode combater o estigma e
destaca obras que abordam depressão, bipolaridade e sofrimento psíquico com
responsabilidade
Freepik
As produções
audiovisuais exercem forte influência sobre a forma como a sociedade percebe os
transtornos mentais, representações sensacionalistas ou distorcidas e podem
acabar por ampliar o estigma, medo e a rejeição, dificultando a busca por
tratamento. “Em contrapartida, abordagens realistas, educativas e humanizadas
promovem compreensão, empatia e redução do estigma, incentivando a procura por
apoio. O impacto da mídia, portanto, é bidirecional e depende da qualidade da
informação e da responsabilidade narrativa”, afirma o Dr. Guido Boabaid May, CEO
da GnTech.
A ficção, muitas
vezes, adota abordagens simplificadas que reforçam estereótipos e deixam de
lado a complexidade dos transtornos, além de aspectos fundamentais como
diagnóstico, tratamento e prognóstico. Isso contribui para a desinformação e
para a manutenção do estigma. “Falar de saúde mental com responsabilidade é uma
forma de prevenção, reduz o estigma, facilita a busca por ajuda e pode salvar
vidas. Por isso, é fundamental que a mídia audiovisual trate esses temas com
responsabilidade e embasamento científico, contribuindo para uma compreensão
mais ampla, empática e realista do sofrimento psíquico”, reforça o médico.
A seguir, o médico
psiquiatra lista filmes e séries que ajudam a ampliar o debate sobre a saúde
mental. Confira.
1. Spinning
Out: A série acompanha uma jovem patinadora
artística que convive com o Transtorno Bipolar, assim como sua mãe. A narrativa
mostra de forma sensível as oscilações entre mania e depressão, os desafios do
tratamento e o impacto do transtorno nas relações familiares e na carreira
esportiva. “A série explora as fases de mania e depressão, bem como os impactos
significativos do tratamento inadequado na vida do paciente e de seus
familiares”, explica Guido.
2. BoJack
Horseman: Mesmo sendo uma animação, a
série apresenta uma abordagem profunda sobre depressão, dependência química e
vazio existencial. Acompanha um ex-astro da TV que enfrenta autossabotagem,
traumas do passado e dificuldades emocionais persistentes. “Mostra com
sensibilidade a complexidade do sofrimento psíquico, os ciclos de recaída, a
dificuldade de mudança e o impacto das experiências traumáticas precoces na
saúde mental adulta”, conta Boabaid.
3.
Adolescência: Minissérie britânica
que explora a saúde mental na adolescência a partir de temas como trauma,
violência, redes sociais, identidade e dinâmica familiar. “A cada episódio
propõem uma reflexão sobre vulnerabilidade emocional, necessidade de escuta
precoce e estratégias de prevenção, destacando os desafios enfrentados por
jovens em contextos de pressão social e conflitos internos”, explica o Dr.
4. Garota,
Interrompida: O filme retrata a
experiência de jovens mulheres em tratamento para diferentes transtornos
mentais no ambiente em uma instituição psiquiátrica. ”Permite refletir sobre o
estigma, o impacto do adoecimento mental na identidade e a importância do
cuidado especializado, da escuta qualificada e do vínculo terapêutico”,
ressalta o psiquiatra
5. Cisne
Negro: O filme acompanha uma bailarina
em busca da perfeição artística, explorando o impacto do perfeccionismo extremo
sobre a saúde mental. “O longa mostra a psicose, distorções de percepção,
pressão psicológica e perda de limites entre realidade e imaginação, mostrando
como a busca obsessiva por desempenho pode levar ao desequilíbrio emocional”,
reforça Dr. Guido.
Além das produções
audiovisuais, o psiquiatra também levou essa proposta para a literatura. Autor
do livro "Onde Foi Parar a Minha Alegria?”, ele explica que a obra
nasceu justamente da necessidade de retratar a depressão com responsabilidade e
realismo. “Acredito na arte como uma boa linguagem para difundir informação
relevante sobre saúde mental e escrevi o livro com uma trilha sonora própria,
utilizando a música e a literatura para alcançar o maior número de pessoas de
maneira leve, rápida e intuitiva e com o propósito de apresentar uma obra de
ficção que retratasse o tratamento da depressão de maneira fiel à prática
clínica. Quis abordar o diagnóstico, as diferentes causas do transtorno e,
principalmente, suas possibilidades terapêuticas farmacológicas, psicoterápicas
e os ajustes de rotina que fazem parte do cuidado”, afirma o autor.
Segundo o psiquiatra,
a proposta das produções de obras literárias e audiovisuais é ampliar o
entendimento sobre o transtorno e contribuir para a redução do estigma. “Falar
sobre saúde mental com responsabilidade é uma forma de prevenção. Informação de
qualidade pode facilitar a busca por ajuda e transformar vidas.”, conclui o Dr.
Guido Boabaid.
Guido
Boabaid May - Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 110 mil
consultas realizadas, mais de 1.100 pacientes em tratamento guiado com teste
farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é
fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em
farmacogenética no Brasil, com mais de 25 mil testes farmacogenéticos
realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de
farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico
do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro
"Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025
Nenhum comentário:
Postar um comentário