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segunda-feira, 2 de março de 2026

CÂNCER COLORRETAL DEVE CRESCER 21% NO BRASIL: 54 MIL CASOS POR ANO E AUMENTO ENTRE JOVENS

No Março Azul-Marinho, o cirurgião gastrointestinal Dr. Lucas Nacif alerta para a importância do rastreamento precoce diante da projeção de crescimento da doença 

 

O mês de março, marcado pela campanha Março Azul-Marinho, acende o alerta para o avanço do câncer colorretal no Brasil. Um estudo da Fundação do Câncer, divulgado em março de 2025, projeta aumento de 21% nos novos casos entre 2030 e 2040. Já o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 54 mil diagnósticos por ano até 2028, mantendo a doença como a segunda mais incidente entre homens e mulheres no País (exceto pele não melanoma). No triênio 2023–2025, eram cerca de 45 mil casos anuais, um salto superior a 10 mil registros na projeção seguinte.

De acordo com o levantamento, o avanço está diretamente relacionado ao envelhecimento da população, aos baixos índices de adesão a hábitos saudáveis e à ausência de um programa estruturado de rastreamento. Atualmente, o Brasil não conta com um protocolo nacional para a detecção precoce do câncer colorretal, o que limita o diagnóstico em estágios iniciais e impacta diretamente a sobrevida dos pacientes.

Para o Dr. Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), o crescimento é um reflexo de diversos fatores. “Estamos diante de uma doença que, na maioria dos casos, poderia ser identificada precocemente. O câncer colorretal costuma se desenvolver a partir de pólipos, lesões benignas que, ao longo dos anos, podem sofrer transformação maligna. Quando não há rastreamento estruturado, perdemos a oportunidade de intervir antes que a doença avance”, afirma.


Avanço entre jovens e diagnóstico tardio

Tradicionalmente associada a pessoas acima dos 60 anos, a doença tem sido diagnosticada de forma crescente em adultos mais jovens. Nos Estados Unidos, a preocupação com esse fenômeno levou o U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) e a Sociedade Americana do Câncer a reduzirem a idade recomendada para início do rastreamento populacional de 50 para 45 anos. A decisão foi baseada no aumento consistente da incidência em indivíduos abaixo dos 50, tendência observada nas últimas décadas. 

Embora o envelhecimento populacional seja um dos principais motores da alta incidência também no Brasil, especialistas observam que mudanças no estilo de vida também desempenham papel fundamental.

“Alimentação rica em ultraprocessados, baixo consumo de fibras, sedentarismo, obesidade e consumo frequente de álcool contribuem para processos inflamatórios crônicos no intestino, alterando a microbiota e favorecendo o surgimento de lesões”, explica o especialista.

Além disso, o atraso no diagnóstico em pacientes mais jovens é uma preocupação crescente. Sintomas como sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, distensão abdominal recorrente, anemia sem causa aparente e perda de peso involuntária ainda são frequentemente subestimados. “Idade não pode mais ser usada como critério isolado para afastar investigação. Se há sintoma persistente, é preciso avaliar. Temos observado casos em pacientes na faixa dos 30 e 40 anos que chegam ao consultório já em estágios mais avançados”, alerta o Dr. Nacif.


Tratamento e diagnóstico

A colonoscopia, exame considerado padrão ouro para rastreamento, permite não apenas identificar tumores em fases iniciais, mas também remover pólipos antes que evoluam para câncer. Em estágios iniciais, as taxas de sobrevida em cinco anos podem ultrapassar 90%. Já em fases avançadas, quando há metástase, o diagnóstico se torna significativamente mais desafiador, com impacto direto na qualidade de vida e no tratamento.

Diante da projeção de crescimento de 21% na próxima década, o Março Azul-Marinho reforça uma mensagem central: a prevenção não pode ser pontual. “O câncer colorretal é, em grande parte, prevenível e tratável quando diagnosticado cedo. A questão não é apenas tratar melhor, mas diagnosticar antes”, conclui o Dr. Lucas Nacif.


Dr. Lucas Nacif - Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como gordura no fígado; câncer colorretal; doenças inflamatórias intestinais; pancreatite até cirurgias e transplantes em geral. Link e www.instagram.com/dr.lucasnacif_gastrocirurgia/


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