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quinta-feira, 12 de março de 2026

ABCDT lança no Dia Mundial do Rim levantamento que mostra crescimento de 10% no número de pacientes, desigualdade regional no acesso e pressão crescente sobre o SUS

 O dado integra o novo Observatório Nacional de Dados da Diálise criado pela Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) 


De acordo com o inédito levantamento do Observatório Nacional de Dados da Diálise, lançado nesta semana pela Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), por ocasião do Dia Mundial do Rim, houve um crescimento de 9,2% no número de pacientes renais crônicos e evidencia importante desigualdade regional no acesso à terapia.
 

Cerca de 170 mil pacientes realizam diálise regularmente. E 10% da população adulta ainda não foi diagnosticada, mas já apresenta algum grau de Doença Renal Crônica (DRC), “O Brasil avançou na oferta de tratamento nas últimas décadas, mas os dados mostram que ainda existe um contingente expressivo de pacientes que não consegue acessar a terapia no tempo adequado. Isso tem impacto direto na mortalidade e na qualidade de vida”, afirma Leonardo Barberes, médico nefrologista, vice-presidente da ABCDT.

 

Desigualdade regional e deslocamentos de até 300 km - O Observatório identificou 898 centros de diálise em atividade no país, com distribuição desigual entre as regiões. O Sudeste concentra 47,7% dos pacientes em tratamento, enquanto o Norte responde por apenas 5% dos atendimentos. 

Quando se compara esse cenário à densidade demográfica, a assimetria se torna ainda mais evidente: o Sudeste reúne cerca de 41,8% da população brasileira, porémconcentra proporção superior de pacientes em diálise. Já o Norte, que abriga aproximadamente 8,5% da população do país, responde por uma fatia significativamente menor dos atendimentos, indicando possível defasagem no diagnóstico e na oferta de tratamento. O deslocamento prolongado impacta a adesão, desgaste físico e risco clínico, especialmente entre idosos e pessoas com comorbidades.



SUS concentra quase 90% dos atendimentos que são realizadas por empresas privadas prestadoras de serviço de saúde
 

O gasto anual do SUS com diálise atingiu R$ 7 bilhões, crescimento de 8,5% em relação a 2024. O custo médio nacional é de R$ 3.380 por paciente ao mês. Apesar do aumento nominal do investimento, a ABCDT afirma que a expansão do número de pacientes e a incorporação de tecnologias pressionam o orçamento. “O crescimento da doença renal ocorre em ritmo superior ao reajuste estrutural do financiamento. Isso exige planejamento de médio e longo prazo para evitar gargalos regionais”, diz André Pimentel, nefrologista e integrante do Observatório.


Crescimento da doença acompanha envelhecimento e avanço do diabetes - O levantamento confirma que diabetes (33,8%) e hipertensão arterial (26,5%) seguem como principais causas de Doença Renal Crônica no país. Doenças primárias dos rins, como glomerulonefrites, representam 11,5%, e complicações renais secundárias, 5,9%. Entre os pacientes em diálise, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 47% dos óbitos. Infecções respondem por 23%, e neoplasias e outras causas, por 30%.

 

Centralização de tecnologias avançadas - A hemodiálise convencional permanece como principal modalidade terapêutica (87,5%). A hemodiafiltração (HDF), técnica considerada de maior eficiência depurativa, representa 7,3% dos tratamentos e está concentrada em regiões específicas. O SUS não cobre o tratamento por hemodiafiltração. O Distrito Federal lidera proporcionalmente a oferta de HDF (33%), seguido por São Paulo (28%) e Santa Catarina (28%). O Maranhão (10%) e Amazonas (11%) apresentam os menores índices de acesso à modalidade.
 

Segundo a ABCDT, a concentração tecnológica reflete desigualdades estruturais e necessidade de políticas para ampliar acesso a terapias mais modernas de forma equilibrada.


Subdiagnóstico e prevenção ainda são desafios - A entidade alerta que muitos pacientes só descobrem a doença em estágio avançado, quando a diálise já é necessária. A ausência de rastreamento sistemático em grupos de risco - como diabéticos, hipertensos e idosos - contribui para o cenário. “O diagnóstico precoce é capaz de retardar a progressão da doença e reduzir custos ao sistema de saúde. A diálise salva vidas, mas prevenir ainda é o melhor caminho”, afirma Leonardo Barberes, nefrologista da ABCDT. 

Sem medidas estruturais de ampliação do acesso, fortalecimento da atenção primária e planejamento do financiamento, especialistas alertam para o risco de sobrecarga regional no atendimento nos próximos anos. 

O Observatório Nacional de Dados da Diálise reúne dados demográficos, clínicos e estruturais e está disponível ao público em Link.

 


Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante - ABCDT

 

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