Levantamento indica que saúde mental segue ganhando espaço além da psiquiatria, com mais indicações de tratamento e nova dinâmica na prática médica
Quase
1 em cada 5 receitas de medicamentos para saúde mental no Brasil já é prescrita
por médicos de outras especialidades, aponta levantamento da Memed, marca líder e
pioneira em prescrição digital no país, com base em dados dos últimos 24 meses.
A análise indica uma tendência de mudança estrutural no tratamento do bem-estar
psicológico, com especialidades fora da psiquiatria, em especial a
endocrinologia, entre os profissionais que mais aumentaram as indicações a
desses medicamentos no período.
Os
dados apontam que os médicos especializados em distúrbios hormonais e
metabólicos passaram a receitar mais antidepressivos, com um aumento de 61% nas
prescrições de medicamentos antagonistas dos receptores 5-HT2 e de 37% em
antidepressivos duais (ISRSN). Para a Memed, esse movimento reflete a
consolidação de um uso funcional de classes tradicionalmente associadas à
psiquiatria no manejo de demandas metabólicas.
“Esse
uso não está ligado a um aumento de diagnósticos psiquiátricos nessas
especialidades, mas a uma ampliação das estratégias terapêuticas para lidar com
comorbidades frequentes no cuidado metabólico”, pontua Fábio Tabalipa, Diretor
Médico e Head de Dados da Memed. “O que acontece é que os endocrinologistas têm
recorrido cada vez mais aos antidepressivos como complemento ao tratamento da
obesidade, já que esses medicamentos auxiliam no alívio de sintomas associados
à comorbidade, como ansiedade e distúrbios do sono”.
Apesar
dessas mudanças, a psiquiatria segue como a principal responsável pelo volume
de prescrições de medicamentos para saúde mental, concentrando cerca de 81% do
total, o que reforça a maturidade do mercado, com crescimento estável, enquanto
a alta recente das prescrições ocorre de forma mais acelerada fora da
especialidade.
Entre
generalistas, houve aumento de 53% na prescrição de antidepressivos
tricíclicos, hoje utilizados para o manejo de dor crônica, distúrbios do sono e
ansiedade, além da depressão; e de 49% nos antagonistas de receptores
associados à regulação do sono. Já entre clínicos médicos, o crescimento foi de
34%, com destaque para os estabilizadores de humor. Esses dados indicam que o
cuidado com saúde mental está sendo redistribuído entre especialidades,
impactando a jornada do paciente, que passa a ter início, acompanhamento e
ajustes terapêuticos realizados fora do consultório psiquiátrico, o que exige
novos protocolos, maior coordenação entre especialidades e apoio tecnológico à
prática clínica.
“O
aumento das prescrições psiquiátricas por profissionais de outras
especialidades reflete uma mudança de olhar: hoje, muitos médicos já reconhecem
que não é mais viável separar o cuidado com a saúde mental do tratamento das
doenças crônicas”, explica Tabalipa.
O
estudo ainda revela que antidepressivos antagonistas dos receptores 5-HT2 e
antipsicóticos em baixas dosagens estão presentes em cerca de 30% das
prescrições de saúde mental feitas por generalistas e clínicos médicos,
indicando que sintomas como insônia, fadiga e desregulação do ritmo circadiano
são o ponto inicial de abordagem dessas demandas fora da psiquiatria.
No
mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, cujo foco é ampliar o
debate sobre acesso, diagnóstico e cuidado contínuo, os dados analisados pela
Memed indicam que a saúde mental deixou de ser tratada de forma isolada e
passou a integrar aspectos psíquicos, metabólicos e funcionais, transformando a
forma como diferentes especialidades respondem às demandas de saúde no Brasil.
Memed
Site: https://memed.com.br/ memed.com.br
LinkedIn: https://br.linkedin.com/company/memed LinkedIn
Facebook: https://www.facebook.com/memed.saude/ Facebook
Instagram: https://www.instagram.com/memed.saude/

Nenhum comentário:
Postar um comentário