Clareza, responsabilidade e estratégia
são essenciais para aproximar ciência e sociedade sem perder o rigor técnico,
segundo Christine Vieira Garrido, especialista em marketing estratégico e
enfermeira
A acessibilidade da informação é um
compromisso com a saúde coletiva
Envato
A produção de conhecimento científico na área da saúde avança em ritmo acelerado, mas transformar esse conhecimento em informação realmente compreensível para a população ainda é um dos maiores desafios da comunicação contemporânea. Estudos clínicos, protocolos assistenciais e descobertas médicas são, em geral, estruturados para a comunidade científica e utilizam linguagem técnica, o que cria barreiras de entendimento para pacientes, familiares e até profissionais de outras áreas.
O impacto dessa lacuna é direto na segurança e na adesão ao tratamento. Pesquisas mostram que pacientes podem esquecer entre 40% e 80% das informações recebidas durante uma consulta médica, e parte do que é lembrado pode estar incorreto, o que reforça a necessidade de estratégias de comunicação mais claras e estruturadas. Além disso, estudos indicam que, em condições reais, pacientes podem lembrar menos de 25% das informações recebidas verbalmente, evidenciando limitações naturais da memória quando o conteúdo é complexo ou transmitido rapidamente.
Nesse cenário, transformar informação médica em conteúdo acessível deixou de ser apenas uma habilidade desejável e se tornou uma necessidade estratégica para sistemas de saúde, profissionais e instituições.
Para Christine Vieira Garrido, especialista em saúde e marketing estratégico e enfermeira, o desafio não está em “simplificar demais”, mas em traduzir corretamente.“Informação em saúde precisa ser compreendida sem ser distorcida. A comunicação acessível não elimina a ciência, ela a torna utilizável para a tomada de decisão consciente”, afirma.
Para Christine, a boa comunicação em saúde fortalece a relação
entre ciência e sociedade. “Quando a informação médica é bem traduzida, o
público se sente mais seguro, participa das decisões e confia mais nos
profissionais. A acessibilidade da informação é um compromisso com a saúde coletiva”,
conclui.
A especialista destaca cinco caminhos fundamentais para
tornar o conteúdo médico mais claro, ético e efetivo para diferentes públicos:
1. Traduzir termos técnicos sem perder o significado
Jargões científicos afastam o leitor leigo. O primeiro passo é
explicar conceitos complexos com palavras simples, exemplos cotidianos e
comparações responsáveis. “Traduzir não é empobrecer o conteúdo, é garantir que
a mensagem seja entendida sem alterar seu sentido original”, explica Christine;
2. Conhecer o público antes de comunicar
Pacientes, cuidadores e população em geral possuem níveis
diferentes de conhecimento e necessidades distintas. Ajustar a linguagem, o
formato e a profundidade da informação é essencial. “Comunicação em saúde não
pode ser genérica. Quando você entende para quem está falando, reduz ruídos e
aumenta a confiança”, destaca;
3. Usar dados e evidências de forma contextualizada
Números e estudos são importantes, mas precisam de contexto.
Percentuais isolados ou resultados absolutos podem gerar interpretações
equivocadas. “Dados sem explicação assustam e criam falsas expectativas. O
papel do conteúdo é orientar, não confundir”, alerta a especialista;
4. Priorizar formatos didáticos e visuais
Infográficos, vídeos curtos, ilustrações e perguntas frequentes
ajudam a tornar o conteúdo mais compreensível e atrativo. “Formatos didáticos
não diminuem a seriedade da informação, eles ampliam o alcance e a retenção do
conhecimento”, afirma Christine;
5. Manter responsabilidade ética na comunicação
Mesmo ao buscar clareza, é fundamental respeitar limites éticos e
regulatórios. Evitar promessas, generalizações e linguagem sensacionalista é
indispensável.“Conteúdo acessível não pode ser sinônimo de promessa fácil. Na
saúde, comunicar bem é também proteger o paciente”, reforça.
Christine Vieira Garrido - enfermeira e especialista em saúde e marketing estratégico, com mais de 15 anos de experiência em ambientes altamente regulados. Atuou no Grupo Fleury e na Medtronic, onde liderou estratégias de marketing, gestão de produtos e lançamentos na América Latina, com foco em dispositivos médicos, educação profissional e expansão de mercado. Possui MBA Executivo em Marketing pela ESPM. Atualmente, atua como responsável pelo posicionamento de marcas, parcerias estratégicas e desenvolvimento de projetos internacionais nas áreas de estética, educação e saúde.
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