Ortopedista do Vera Cruz Hospital, em
Campinas, José Luis Zabeu, explica sintomas, tratamentos e mudanças na rotina
que ajudam a prevenir lesões 
Alongamentos e ginástica laboral são aliados
importantes no cuidado com o corpo
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Dor persistente que piora durante o trabalho e melhora com o repouso, fadiga muscular precoce, formigamentos, dormências, inchaços leves e perda de força estão entre os desconfortos mais comuns no dia a dia de quem desenvolve Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). As condições seguem entre as principais causas de afastamento laboral no Brasil.
As LER/DORT não correspondem a uma doença única, mas a um conjunto de síndromes que afetam músculos, nervos e tendões, principalmente nos membros superiores e na coluna vertebral. Embora a sigla LER ainda seja amplamente utilizada, o termo DORT é mais abrangente, pois inclui não apenas movimentos repetitivos, mas também fatores como posturas inadequadas mantidas por longos períodos, uso de força excessiva, vibração e ritmo acelerado de trabalho.
Entre as doenças mais frequentes relacionadas às LER/DORT estão as tendinites, que são inflamações nos tendões comuns em ombros, cotovelos, punhos e mãos; a síndrome do túnel do carpo, caracterizada pela compressão de um nervo no punho, causando dor e dormência; as bursites, inflamações das bursas que atingem principalmente os ombros; além das cervicalgias e lombalgias, que correspondem a dores musculares na região da coluna cervical e lombar.
Dados preliminares de 2025, do Ministério da Saúde, apontam alta prevalência dessas doenças, especialmente em setores como indústria calçadista, teleatendimento e linhas de produção. As notificações indicam maior incidência em homens (58,8%), na faixa etária de 35 a 54 anos, com destaque para quadros de dores crônicas, síndrome do túnel do carpo e tendinites. A região Sudeste concentra a maior parte dos registros. Os números ganham ainda mais relevância no próximo 28, Dia Mundial de Combate à LER/DORT, data criada para conscientizar trabalhadores e empresas sobre os riscos das lesões ocupacionais e a importância da prevenção.
José Luís Zabeu, ortopedista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), explica que qualquer atividade que sobrecarregue o sistema musculoesquelético de forma contínua representa risco. “No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram alta incidência em profissões que envolvem repetição, posturas inadequadas ou força excessiva, como digitadores, trabalhadores de linha de produção, profissionais da limpeza, operadores de caixa, costureiros e teleoperadores”, afirma.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história ocupacional e no exame físico. Análises de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, auxiliam na exclusão de outras doenças, mas não definem isoladamente a qualificação da patologia.
O tratamento envolve controle da dor com medicação, fisioterapia, reabilitação funcional, fortalecimento muscular e adequações no ambiente de trabalho. E a ergonomia tem papel central nesse processo, incluindo ajustes de mobiliário, equipamentos de apoio, organização de tarefas e análise das jornadas.
“Quando o distúrbio impede o exercício da função, pode haver afastamento temporário para tratamento. Sem mudanças nas condições de trabalho, há risco de recidiva e agravamento. Em casos crônicos, podem ocorrer limitações permanentes e até aposentadoria por invalidez, especialmente quando o tratamento é tardio ou ineficaz”, alerta o especialista.
Hábitos fora do trabalho também influenciam. Posturas inadequadas
em casa, uso excessivo de celular, sedentarismo, sobrepeso, sono irregular e
estresse contribuem para o surgimento ou manutenção das lesões. “Tudo que
aumente o estresse físico ou emocional predispõe às LER/DORT”.
(Auto)ajuda
Zabeu ressalta que pequenas mudanças podem gerar grandes impactos e que medidas simples reduzem significativamente os riscos, como colocar o monitor na altura dos olhos; manter cotovelos e pés apoiados; fazer pausas de 5 a 10 minutos por hora; alternar tarefas; manter hidratação regular; evitar o uso do celular nas pausas; e utilizar ferramentas que reduzam o esforço físico.
Alongamentos e ginástica laboral também são aliados importantes. “As pausas permitem a recuperação de músculos e tendões. Alongamentos devem durar de 20 a 30 segundos, sem provocar dor. Programas de ginástica laboral, orientados por fisioterapeutas, são excelentes ferramentas preventivas”, orienta.
O uso intenso de computadores e, principalmente, de celulares tem
ampliado os casos. “A cabeça inclinada sobre o celular sobrecarrega a coluna
cervical. A digitação constante com os polegares favorece tendinites. O ideal é
manter o aparelho na altura dos olhos, priorizar o computador para textos
longos e fazer pausas frequentes”, finaliza.
Vera
Cruz Hospital
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