Feriado concentra picos de golpes digitais no Brasil e transforma celulares em alvos fáceis para criminosos que exploram pressa, distração e conexões inseguras
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), feriados prolongados como o Carnaval estão entre os períodos com maior concentração de tentativas de fraude digital, especialmente aquelas baseadas em engenharia social, roubo de credenciais e golpes financeiros instantâneos, como PIX e QR Codes falsos. Levantamentos do setor indicam que as tentativas de fraude podem crescer até 30% em datas sazonais, impulsionadas pelo uso intensivo de dispositivos móveis fora de ambientes seguros.
“O Carnaval amplia o uso do celular em situações de risco: redes
de Wi-Fi públicas, links compartilhados por mensagens e pagamentos feitos com
pressa. Esse contexto cria o ambiente ideal para ataques oportunistas, tanto
contra pessoas físicas quanto contra empresas”, afirma Jardel
Torres, sócio e diretor comercial (CCO) da OSTEC,
empresa com mais de 20 anos de atuação em cibersegurança.
Uso
pessoal pode virar risco corporativo
Um dos principais pontos de atenção neste período é o uso de dispositivos
e contas corporativas fora do ambiente de trabalho. Durante o
Carnaval, é comum que colaboradores utilizem notebooks ou smartphones da
empresa para acessar redes sociais, e-mails pessoais, reservas, aplicativos de
entretenimento e links compartilhados em grupos.
“Basta uma conexão insegura ou um clique em um link malicioso para
comprometer credenciais corporativas e abrir caminho para ataques mais graves,
como invasões à rede, vazamento de dados ou ransomware”, explica Torres. O
risco aumenta quando e-mails corporativos são usados para cadastros em
promoções, sorteios ou aplicativos temporários.
Redes Wi-Fi abertas em aeroportos, hotéis, bares, blocos de rua e
pontos turísticos também representam um vetor relevante de ataque. Nessas
conexões, criminosos podem interceptar dados, redirecionar acessos ou instalar
softwares maliciosos sem que o usuário perceba.
Phishing,
PIX e redes sociais lideram os golpes do período
Entre as fraudes mais comuns durante o Carnaval estão os golpes de
phishing, que se passam por comunicações legítimas
relacionadas a transporte, eventos, hospedagens ou compras de última hora.
Mensagens com alertas como “pagamento pendente”, “corrida cancelada” ou
“confirmação urgente” induzem o usuário ao clique e ao fornecimento de dados
sensíveis.
Os pagamentos instantâneos e por aproximação
também seguem como alvo prioritário. Golpes via PIX e QR Codes falsos exploram
a urgência típica da festa, com ofertas relâmpago de abadás, ingressos e
hospedagens, além do perigo da aproximação de maquininhas durante a aglomeração
de pessoas. “A rapidez da transação dificulta o bloqueio e praticamente
inviabiliza a recuperação do valor, então é importante ficar atento com senhas
de acesso e desabilitar pagamentos automáticos por aproximação sem confirmação
de senha”, alerta o executivo.
As redes sociais completam o cenário
de risco, com perfis falsos, anúncios patrocinados fraudulentos e links
encurtados que direcionam para páginas clonadas ou downloads maliciosos.
Como
reduzir riscos durante o Carnaval
De acordo com o especialista da OSTEC há algumas recomendações
práticas para minimizar a exposição a golpes durante o período. Dentre elas:
- Evitar clicar em links enviados por mensagens ou redes
sociais, especialmente se envolverem
urgência ou vantagens excessivas;
- Não utilizar Wi-Fi público para acessar bancos, e-mails corporativos ou sistemas
internos;
- Conferir sempre o endereço dos sites antes de inserir dados e desconfiar de domínios com pequenas
alterações;
- Ativar a autenticação multifator (MFA) sempre que possível;
- Preferir cartões virtuais e meios de
pagamento oficiais e desabilitar pagamentos por aproximação;
- Evitar usar dispositivos e e-mails corporativos para
fins pessoais, principalmente fora do expediente.
E
se o golpe acontecer?
Ao identificar uma fraude, a orientação é agir rapidamente: entrar
em contato com a instituição financeira, registrar um Boletim de Ocorrência e
comunicar a equipe de TI ou segurança da informação, se houver envolvimento de
contas corporativas ou se o dispositivo for utilizado para fins de trabalho.
“O Carnaval passa rápido, mas os impactos de um incidente de
segurança podem durar meses. Segurança digital é um cuidado contínuo, não
apenas técnico, mas comportamental”, conclui Jardel Torres.

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