Pesquisar no Blog

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Alerta de Carnaval: Calor e umidade elevam risco de candidíase

Especialistas dão dicas de hábitos e alimentação para se proteger da doença no feriado prolongado

 

Coceira intensa, ardor, corrimento e desconforto íntimo estão entre as queixas mais comuns nos consultórios ginecológicos durante o verão. A estação, marcada por altas temperaturas e maior umidade, favorece o surgimento de infecções ginecológicas, especialmente a candidíase vulvovaginal, que atinge até 75% das mulheres ao longo da vida.

A candidíase é causada por fungos do gênero Candida, sendo a espécie Candida albicans responsável por cerca de 90% dos casos. O problema surge quando há desequilíbrio da microbiota vaginal, condição que pode ser desencadeada por fatores comuns nesta época do ano, como roupas apertadas, biquíni molhado por longos períodos, suor excessivo e alterações na rotina.

“As altas temperaturas e a umidade típicas do verão criam um ambiente quente e abafado na região íntima, o que facilita a proliferação de fungos e bactérias. Isso desequilibra a flora vaginal e aumenta o risco de infecções”, explica Dra. Paula Fettback, ginecologista especialista em reprodução humana pela FEBRASGO.

Segundo a especialista, os sintomas mais frequentes incluem coceira persistente, ardor ao urinar ou durante a relação sexual, vermelhidão, inchaço e corrimento vaginal espesso, com aspecto semelhante ao leite coalhado.
 

Biquíni molhado é mito ou risco real?

A recomendação de trocar o biquíni molhado não é exagero. “A peça úmida retém calor, suor e resíduos de cloro ou água do mar, criando o ambiente ideal para fungos e bactérias. Permanecer por longos períodos com o biquíni molhado aumenta, sim, o risco de candidíase e irritações”, afirma Dra. Paula.

Não existe um tempo exato considerado seguro. Mas, a orientação prática é evitar permanecer mais de uma a duas horas com a peça molhada. “Sempre que possível, leve um biquíni seco para trocar durante o dia, especialmente se a mulher já tem histórico de infecções recorrentes”, orienta Dra. Graziela Canheo, ginecologista especialista em reprodução humana da La Vita Clinic.
 

Alimentação, álcool e mudanças na rotina também influenciam

Viagens longas, sono irregular, maior consumo de bebidas alcoólicas e alimentação rica em açúcar também impactam diretamente a saúde íntima. Esses fatores reduzem a imunidade e alteram o pH vaginal, facilitando o crescimento da Candida. “Férias e viagens geralmente alteram os horários de alimentação e descanso. A falta de sono ou um sono irregular afeta o equilíbrio hormonal e, consequentemente, o sistema imunológico, deixando o corpo mais vulnerável a infecções, como a candidíase”, explica Amanda Figueiredo, nutricionista clínica pela USP e pós-graduada em saúde da mulher pela PUC.

Da mesma forma, durante o feriado prolongado de Carnaval, é comum que as pessoas consumam mais bebidas alcoólicas, comidas rápidas ou processadas, além de doces e lanches de praia, que podem ser ricos em açúcar e pobres em nutrientes. “Alimentos ricos em açúcar favorecem o crescimento do fungo Candida, pois eles se alimentam desse tipo de nutriente”, alerta a nutricionista. “Além disso, o calor aumenta a perda de líquidos através do suor. A desidratação prejudica o funcionamento geral do organismo e do sistema imunológico, além de afetar a produção de muco saudável no trato vaginal, que ajuda a proteger contra infecções”, esclarece a nutricionista.

Segundo a nutricionista Amanda Figueiredo, certos hábitos podem auxiliar na luta contra a candidíase e promover um ambiente saudável. “Manter uma dieta equilibrada, hidratação constante e uma rotina saudável mesmo no verão pode ajudar a proteger o corpo de infecções como a candidíase”. Algumas dicas de como colocá-los na rotina:

  1. Inclua alimentos ricos em probióticos: Consuma iogurtes naturais, kefir e kombucha, que ajudam a equilibrar a flora intestinal e vaginal, favorecendo o combate à proliferação do Candida.
  2. Aposte em alimentos anti-inflamatórios: Inclua no seu cardápio frutas e vegetais ricos em antioxidantes, como frutas vermelhas (morango, amora, mirtilo), cúrcuma, gengibre e vegetais verde-escuros (espinafre, couve). Esses alimentos ajudam a reduzir inflamações e fortalecem o sistema imunológico.
  3. Prefira alimentos ricos em vitamina C: A vitamina C é conhecida por seu papel no fortalecimento da imunidade. Aposte em frutas como laranja, limão, acerola, kiwi, goiaba e morango.
  4. Reduza o consumo de açúcar e carboidratos refinados: O açúcar é um combustível para o fungo Candida. Reduzir doces, pães brancos e massas pode ajudar a prevenir a candidíase.
  5. Aumente o consumo de água de coco e sucos naturais: Essas bebidas são boas fontes de hidratação e minerais essenciais, como potássio, que ajudam a manter o corpo equilibrado e hidratado.



Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR. Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020).


Dra. Graziela Canheo CRM 145288 | RQE 68331 - Ginecologista e Obstetra. Reprodução Humana. Médica Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (2010). Residência médica em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital do Servidor Público Estadual do Estado de São Paulo (2013). Título de Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pela ABPTGIC (2014). Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2015). Fellowship em Reprodução humana pelo Instituto Idéia Fértil de Saúde Reprodutiva (2014 – 2016). Pós-graduação em videolaparoscopia e histeroscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2018 – 2019). Membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área da Ginecologia e Reprodução Humana. Diretora técnica e médica da La Vita Clinic


Amanda Figueiredo Nutricionista - Nutricionista clínica formada pela USP, pós-graduada em Saúde da Mulher e Reprodução Humana pela PUC e também especialista em emagrecimento e nutrição estética. Atende presencialmente em São Paulo e online para o mundo todo.Tem como foco o acompanhamento nutricional de mulheres em todas as fases da vida.Site: Link
nutriamandafig


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados