Especialistas dão dicas de hábitos e alimentação para se proteger da doença no feriado prolongado
Coceira intensa, ardor, corrimento e desconforto íntimo estão
entre as queixas mais comuns nos consultórios ginecológicos durante o verão. A
estação, marcada por altas temperaturas e maior umidade, favorece o surgimento
de infecções ginecológicas, especialmente a candidíase vulvovaginal, que atinge
até 75% das mulheres ao longo da vida.
A candidíase é causada por fungos do gênero Candida, sendo a
espécie Candida albicans responsável por cerca de 90% dos casos. O problema
surge quando há desequilíbrio da microbiota vaginal, condição que pode ser
desencadeada por fatores comuns nesta época do ano, como roupas apertadas,
biquíni molhado por longos períodos, suor excessivo e alterações na rotina.
“As altas temperaturas e a umidade típicas do verão criam um
ambiente quente e abafado na região íntima, o que facilita a proliferação de
fungos e bactérias. Isso desequilibra a flora vaginal e aumenta o risco de
infecções”, explica Dra. Paula Fettback, ginecologista especialista em
reprodução humana pela FEBRASGO.
Segundo a especialista, os sintomas mais frequentes incluem
coceira persistente, ardor ao urinar ou durante a relação sexual, vermelhidão,
inchaço e corrimento vaginal espesso, com aspecto semelhante ao leite coalhado.
Biquíni
molhado é mito ou risco real?
A recomendação de trocar o biquíni molhado não é exagero. “A peça
úmida retém calor, suor e resíduos de cloro ou água do mar, criando o ambiente
ideal para fungos e bactérias. Permanecer por longos períodos com o biquíni
molhado aumenta, sim, o risco de candidíase e irritações”, afirma Dra. Paula.
Não existe um tempo exato considerado seguro. Mas, a orientação
prática é evitar permanecer mais de uma a duas horas com a peça molhada.
“Sempre que possível, leve um biquíni seco para trocar durante o dia,
especialmente se a mulher já tem histórico de infecções recorrentes”, orienta
Dra. Graziela Canheo, ginecologista especialista em reprodução humana da La
Vita Clinic.
Alimentação,
álcool e mudanças na rotina também influenciam
Viagens
longas, sono irregular, maior consumo de bebidas alcoólicas e alimentação rica
em açúcar também impactam diretamente a saúde íntima. Esses fatores reduzem a
imunidade e alteram o pH vaginal, facilitando o crescimento da Candida. “Férias
e viagens geralmente alteram os horários de alimentação e descanso. A falta de
sono ou um sono irregular afeta o equilíbrio hormonal e, consequentemente, o
sistema imunológico, deixando o corpo mais vulnerável a infecções, como a
candidíase”, explica Amanda Figueiredo, nutricionista clínica pela USP e
pós-graduada em saúde da mulher pela PUC.
Da
mesma forma, durante o feriado prolongado de Carnaval, é comum que as pessoas
consumam mais bebidas alcoólicas, comidas rápidas ou processadas, além de doces
e lanches de praia, que podem ser ricos em açúcar e pobres em nutrientes.
“Alimentos ricos em açúcar favorecem o crescimento do fungo Candida,
pois eles se alimentam desse tipo de nutriente”, alerta a nutricionista. “Além
disso, o calor aumenta a perda de líquidos através do suor. A desidratação
prejudica o funcionamento geral do organismo e do sistema imunológico, além de
afetar a produção de muco saudável no trato vaginal, que ajuda a proteger
contra infecções”, esclarece a nutricionista.
Segundo
a nutricionista Amanda Figueiredo, certos hábitos podem auxiliar na luta contra
a candidíase e promover um ambiente saudável. “Manter uma dieta equilibrada,
hidratação constante e uma rotina saudável mesmo no verão pode ajudar a
proteger o corpo de infecções como a candidíase”. Algumas dicas de como
colocá-los na rotina:
- Inclua alimentos ricos em probióticos:
Consuma iogurtes naturais, kefir e kombucha, que ajudam a equilibrar a
flora intestinal e vaginal, favorecendo o combate à proliferação do Candida.
- Aposte em alimentos anti-inflamatórios:
Inclua no seu cardápio frutas e vegetais ricos em antioxidantes, como
frutas vermelhas (morango, amora, mirtilo), cúrcuma, gengibre e vegetais
verde-escuros (espinafre, couve). Esses alimentos ajudam a reduzir
inflamações e fortalecem o sistema imunológico.
- Prefira alimentos ricos em vitamina C: A
vitamina C é conhecida por seu papel no fortalecimento da imunidade.
Aposte em frutas como laranja, limão, acerola, kiwi, goiaba e morango.
- Reduza o consumo de açúcar e carboidratos
refinados: O açúcar é um combustível para o fungo Candida.
Reduzir doces, pães brancos e massas pode ajudar a prevenir a candidíase.
- Aumente o consumo de água de coco e sucos
naturais: Essas bebidas são boas fontes de hidratação
e minerais essenciais, como potássio, que ajudam a manter o corpo
equilibrado e hidratado.
Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR. Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020).
Dra. Graziela Canheo CRM 145288 | RQE 68331 - Ginecologista e Obstetra. Reprodução Humana. Médica Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (2010). Residência médica em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital do Servidor Público Estadual do Estado de São Paulo (2013). Título de Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pela ABPTGIC (2014). Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2015). Fellowship em Reprodução humana pelo Instituto Idéia Fértil de Saúde Reprodutiva (2014 – 2016). Pós-graduação em videolaparoscopia e histeroscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2018 – 2019). Membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área da Ginecologia e Reprodução Humana. Diretora técnica e médica da La Vita Clinic
Amanda Figueiredo Nutricionista - Nutricionista clínica formada pela USP, pós-graduada em Saúde da Mulher e Reprodução Humana pela PUC e também especialista em emagrecimento e nutrição estética. Atende presencialmente em São Paulo e online para o mundo todo.Tem como foco o acompanhamento nutricional de mulheres em todas as fases da vida.Site: Link
nutriamandafig
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