No país do futebol, o mesmo dilema acaba se repetindo nas empresas a cada quatro anos: ignorar a Copa do Mundo como se nada estivesse acontecendo, ou encarar o evento como parte da realidade cultural das pessoas e, ainda, uma oportunidade de alavancar o engajamento e senso de pertencimento entre as partes.
Em seu último campeonato, em 2022, um levantamento
conduzido pela Meta mostrou que 84% dos brasileiros pretendiam acompanhar os
jogos realizados no Catar, uma grande parcela da população que evidencia que
este não se trata apenas de um entretenimento, ganhando uma relevância bem
mais significativa ao se transformar em identidade coletiva.
Por isso, fingir que os jogos não impactam o clima
organizacional é fechar os olhos para um dos maiores gatilhos de
emoção, abrindo espaço para profissionais divididos entre o trabalho e a
tela do celular. O desafio do RH não é “permitir ou proibir” a Copa, mas
entender como transformar um potencial foco de distração em uma poderosa
ferramenta de conexão.
Poucos eventos têm o poder de sincronizar emoções
em escala nacional como este, o que faz com que empresas que insistem em manter
um controle rígido durante os jogos tendem a enfrentar queda de foco, clima
tenso e baixa transparência, enquanto aquelas que estão abertas a
adotar flexibilizações bem definidas podem neutralizar — ou até
compensar — esse impacto, aumentando a confiança e comprometimento de
todos.
Então, por que não aproveitar essa época como
“laboratório” para testar modelos mais flexíveis de trabalho, como formatos
híbridos ou gestões focadas em entregas, ao invés de serem estabelecidas por
jornadas rígidas?
Desde que tenha uma comunicação clara, acordos
muito bem definidos, foco em metas e incentivo à autonomia responsável, o RH
pode se posicionar de forma bem mais estratégica para assegurar a produtividade
das equipes, sem que precisem abrir mão de torcer pela vitória da
seleção brasileira quando entrar em campo. Os tempos modernos exigem uma
maior flexibilidade deste departamento, como forma de gerar ainda mais
confiança e performance com os profissionais, ao invés de descontentamento
através de um controle excessivo em suas funções.
Não podemos ignorar um acontecimento de
tamanha magnitude como este. E, ao invés de encará-lo como um grande vilão da
produtividade, enxergue como uma oportunidade de estreitar relação entre as
partes, fortalecer vínculos e humanizar a cultura organizacional. Grandes
eventos sociais, se bem geridos, podem fortalecer o tecido emocional da
organização.
Afinal, deixar de lado a Copa do Mundo não faz com
que ela deixe de existir dentro das empresas — apenas faz com que ela aconteça
de forma desorganizada, informal e fora da cultura oficial. O verdadeiro
desafio do RH, portanto, é decidir se ela será um inimigo da
produtividade, ou uma aliada do engajamento.
Wide
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