Fiscalização em produtos como feijão,
soja, lentilha e amendoim ganhou destaque neste 10 de fevereiro, com foco na
saúde do consumidor
Celebrado neste 10
de fevereiro, o Dia Mundial das Leguminosas colocou em evidência não apenas o
valor nutricional desses alimentos, base da dieta brasileira, mas também um
tema essencial à saúde pública: o controle do uso de agrotóxicos e
contaminantes na produção agrícola.
No Brasil, o monitoramento da presença de resíduos de agrotóxicos e outros contaminantes ocorre por meio do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC Vegetal), do Ministério da Agricultura e Pecuária. O programa realiza coleta sistemática de amostras em diferentes regiões do país, análises laboratoriais e ações de fiscalização e orientação ao produtor para garantir a qualidade sanitária dos alimentos.
Nesse processo, os Auditores Fiscais Federais Agropecuários atuam desde a
fiscalização de insumos até o acompanhamento da produção, buscando evitar que
práticas inadequadas cheguem ao consumidor. Segundo o presidente do Sindicato
Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Janus
Pablo Macedo, a fiscalização técnica é essencial para reduzir riscos
sanitários, ambientais e econômicos associados ao uso inadequado de
agrotóxicos.
Para o auditor
fiscal federal agropecuário Oscar Rosa, o desafio é proporcional à dimensão do
setor agrícola brasileiro. “O Brasil é um país continental, com grande produção
agrícola e uso significativo de agrotóxicos. Por isso, os planos nacionais de
monitoramento são fundamentais para garantir a segurança e a qualidade dos
alimentos”, afirma.
Ele ressalta que
os riscos não se restringem ao uso excessivo de agrotóxicos. Segundo o auditor,
a etapa pós-colheita também exige atenção rigorosa. “Produtos mal armazenados
podem favorecer a proliferação de fungos que produzem micotoxinas, algumas com
potencial cancerígeno. Por isso, a fiscalização acompanha toda a cadeia
produtiva, não apenas o campo, para evitar que alimentos contaminados cheguem
ao consumidor”, explica.
Além da proteção à
saúde pública, a fiscalização influencia diretamente a imagem da produção
agrícola brasileira. Irregularidades podem gerar barreiras comerciais,
questionamentos sanitários e prejuízos à competitividade em mercados cada vez
mais exigentes quanto à rastreabilidade e à segurança dos alimentos.
No caso das
leguminosas, como feijão, soja, lentilha, ervilha e amendoim, o debate ganha
relevância adicional. Além de fonte importante de proteína vegetal, essas
culturas contribuem para a saúde do solo ao favorecer a fixação de nitrogênio,
o que melhora a fertilidade e a sustentabilidade da produção agrícola.
O recado dos
especialistas é direto: alimento saudável não é apenas nutritivo. Precisa ser
seguro, e isso depende de fiscalização contínua ao longo de toda a cadeia
produtiva.
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