Por conta do verão e a proximidade do Carnaval,
surge também um fenômeno comum: os atletas de final de semana, pessoas que
tentam compensar meses de sedentarismo com exercícios intensos, em busca de
resultados rápidos. Entretanto, isso pode gerar um aumento expressivo nas
lesões ortopédicas.
Um levantamento clínico realizado por centros credenciados
pela Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE),
atualizado em 2025, aponta um crescimento de até 43% nas lesões de joelho entre
atletas amadores no país. Segundo a análise, esse impacto é percebido
especialmente em modalidades de alta demanda, como beach tennis,
esporte com maior explosão de novos praticantes, crossfit, o
tradicional futebol e a corrida de rua.
Para o ortopedista Rodrigo Mota, do hospital
Samaritano Barra, da Rede Américas, muitas das causas dessas lesões estão
associadas à falta de orientação específica, aliada à busca por performance
imediata em treinos recreativos de alta intensidade.
“Muitos casos que vemos atualmente mostram as
consequências diretas de um ciclo perigoso para a saúde ortopédica. Se o
paciente não busca ajuda profissional para iniciar um esporte, sofre uma lesão
simples, mas subestima a dor inicial, negligencia o diagnóstico, não marca
consulta ou exames e continua praticando a atividade, ele acaba transformando
uma lesão tratável em uma condição mais grave, até mesmo cirúrgica”, afirma.
Quando consultar um médico e
qual exame ideal para cada tipo de lesão?
Rodrigo Mota destaca alguns sinais que não devem
ser ignorados por praticantes amadores de esportes e requerem atenção: “Dor
persistente ao correr ou subir escadas; inchaço frequente após a atividade
física; estalos ou instabilidade nos joelhos e sensação de falta de força ou
falseio dos membros são alertas importantes do corpo para buscar ajuda.”
Segundo Evandro Miguelote, radiologista
especializado em imagem musculoesquelética da clínica CDPI, da Dasa, no Rio de
Janeiro, para evitar problemas maiores, o segredo é não tentar resolver tudo
sozinho.
“É essencial contar com o apoio de uma equipe
multidisciplinar: o ortopedista para coordenar o tratamento; o fisioterapeuta
para preparar o corpo e exames de imagem para fechar o diagnóstico. Muitas
vezes, a dor desaparece antes de o tecido estar totalmente recuperado. Por
isso, o exame e a avaliação profissional são as únicas garantias de que o
paciente não vai se machucar de novo no primeiro treino.”
Em casos de lesões ortopédicas, sua detecção
precoce é determinante para o sucesso do tratamento, seja ele conservador ou
cirúrgico. Por isso, o radiologista detalha qual tecnologia é indicada para
cada tipo de suspeita clínica.
Raios X: é o primeiro exame em casos de trauma agudo como quedas e pancadas
fortes. É ideal para avaliar estruturas ósseas e checar se há fraturas,
luxações ou
desalinhamentos.
Tomografia computadorizada: é indicada quando o exame de raios X é inconclusivo ou quando há
fraturas complexas em articulações. Oferece visão 3D de detalhes ósseos, sendo
superior para ver fraturas pequenas ou ocultas e planejar cirurgias.
Ressonância magnética: quando a dor persiste e não há fratura visível ou se houver suspeita de
lesão interna em partes moles. É o exame padrão ouro para ligamentos, meniscos,
cartilagens, tendões e músculos, capaz de mostrar até mesmo o edema (inchaço)
dentro do osso. Atualmente, algoritmos de inteligência artificial fazem o
sequenciamento das imagens do exame em menos tempo. “Por exemplo, se um
determinado exame demorava 30 minutos para ser finalizado, agora é possível
fazê-lo em apenas 15 minutos”, comenta Miguelote.
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