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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Atletas de final de semana: busca por resultados rápidos eleva lesões ortopédicas em até 43% no Brasil

 

Por conta do verão e a proximidade do Carnaval, surge também um fenômeno comum: os atletas de final de semana, pessoas que tentam compensar meses de sedentarismo com exercícios intensos, em busca de resultados rápidos. Entretanto, isso pode gerar um aumento expressivo nas lesões ortopédicas.

Um levantamento clínico realizado por centros credenciados pela Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE), atualizado em 2025, aponta um crescimento de até 43% nas lesões de joelho entre atletas amadores no país. Segundo a análise, esse impacto é percebido especialmente em modalidades de alta demanda, como beach tennis, esporte com maior explosão de novos praticantes, crossfit, o tradicional futebol e a corrida de rua.

Para o ortopedista Rodrigo Mota, do hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, muitas das causas dessas lesões estão associadas à falta de orientação específica, aliada à busca por performance imediata em treinos recreativos de alta intensidade.

“Muitos casos que vemos atualmente mostram as consequências diretas de um ciclo perigoso para a saúde ortopédica. Se o paciente não busca ajuda profissional para iniciar um esporte, sofre uma lesão simples, mas subestima a dor inicial, negligencia o diagnóstico, não marca consulta ou exames e continua praticando a atividade, ele acaba transformando uma lesão tratável em uma condição mais grave, até mesmo cirúrgica”, afirma.


Quando consultar um médico e qual exame ideal para cada tipo de lesão?

Rodrigo Mota destaca alguns sinais que não devem ser ignorados por praticantes amadores de esportes e requerem atenção: “Dor persistente ao correr ou subir escadas; inchaço frequente após a atividade física; estalos ou instabilidade nos joelhos e sensação de falta de força ou falseio dos membros são alertas importantes do corpo para buscar ajuda.”

Segundo Evandro Miguelote, radiologista especializado em imagem musculoesquelética da clínica CDPI, da Dasa, no Rio de Janeiro, para evitar problemas maiores, o segredo é não tentar resolver tudo sozinho.

“É essencial contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar: o ortopedista para coordenar o tratamento; o fisioterapeuta para preparar o corpo e exames de imagem para fechar o diagnóstico. Muitas vezes, a dor desaparece antes de o tecido estar totalmente recuperado. Por isso, o exame e a avaliação profissional são as únicas garantias de que o paciente não vai se machucar de novo no primeiro treino.”

Em casos de lesões ortopédicas, sua detecção precoce é determinante para o sucesso do tratamento, seja ele conservador ou cirúrgico. Por isso, o radiologista detalha qual tecnologia é indicada para cada tipo de suspeita clínica.

Raios X: é o primeiro exame em casos de trauma agudo como quedas e pancadas fortes. É ideal para avaliar estruturas ósseas e checar se há fraturas, luxações ou desalinhamentos.          

Tomografia computadorizada: é indicada quando o exame de raios X é inconclusivo ou quando há fraturas complexas em articulações. Oferece visão 3D de detalhes ósseos, sendo superior para ver fraturas pequenas ou ocultas e planejar cirurgias.

Ressonância magnética: quando a dor persiste e não há fratura visível ou se houver suspeita de lesão interna em partes moles. É o exame padrão ouro para ligamentos, meniscos, cartilagens, tendões e músculos, capaz de mostrar até mesmo o edema (inchaço) dentro do osso. Atualmente, algoritmos de inteligência artificial fazem o sequenciamento das imagens do exame em menos tempo. “Por exemplo, se um determinado exame demorava 30 minutos para ser finalizado, agora é possível fazê-lo em apenas 15 minutos”, comenta Miguelote.


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