![]() |
| Frederik |
A gravidez na adolescência segue sendo um importante desafio de saúde pública
no Brasil, com impactos diretos na saúde materna e neonatal, especialmente no
aumento do risco de partos prematuros. Dados de um estudo sobre maternidade na adolescência
no Brasil feito por pesquisadores do Centro Internacional de Equidade em Saúde
da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel) apontam que, a cada ano, uma em cada 23
adolescentes brasileiras se torna mãe, realidade que evidencia desigualdades
sociais, dificuldades de acesso à informação e fragilidades no cuidado integral
à saúde de meninas e jovens.
Já
a taxa nacional de fecundidade entre adolescentes é de 43,6 nascimentos por mil
jovens, quase o dobro da média observada em países de renda média alta e muito
superior à de países parceiros do BRICS, onde a taxa máxima é de 16,3 por mil.
O dado reforça a necessidade de fortalecer políticas públicas de prevenção,
educação e cuidado integral.
A gestação na adolescência está associada a um risco significativamente
maior de complicações maternas e neonatais: além de aumentar a probabilidade de
parto prematuro e baixo peso ao nascer, adolescentes apresentam maior risco de
mortalidade, especialmente entre meninas mais jovens, e filhos com taxas de
mortalidade infantil mais altas do que aqueles de mães adultas. Dados do
Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC) e de organismos de saúde
indicam que, no Brasil, filhos de mães adolescentes têm maior probabilidade de
óbitos no primeiro ano de vida e que gestantes adolescentes menores de 15 anos
têm até cinco vezes mais risco de morte relacionada à gravidez ou parto do que
mulheres com 20 anos ou mais.
Para a ONG Prematuridade.com, o enfrentamento da gravidez na adolescência
passa, necessariamente, por políticas públicas eficazes de prevenção, educação
sexual, planejamento reprodutivo, acesso a métodos contraceptivos e garantia de
acompanhamento adequado às adolescentes que engravidam.
“A
adolescência é um período de intensas transformações físicas, emocionais e
sociais. Quando a gravidez ocorre nessa fase, os riscos para a mãe e para o
bebê aumentam significativamente, especialmente em relação à prematuridade”,
destaca a diretora da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani.
Estudos
indicam que adolescentes grávidas, sobretudo em contextos de maior
vulnerabilidade social, tendem a iniciar o pré-natal mais tardiamente e a
enfrentar barreiras no acesso a serviços de saúde de qualidade, fatores que
contribuem para desfechos desfavoráveis, como o parto prematuro e o baixo peso
ao nascer. Além dos impactos clínicos, a prematuridade gera custos elevados ao
sistema de saúde e consequências de longo prazo para o desenvolvimento das
crianças.
A
ONG Prematuridade.com atua nacionalmente na defesa dos
direitos das gestantes, dos bebês prematuros e de suas famílias, acompanhando
de perto a formulação de políticas públicas e promovendo ações de
conscientização sobre os fatores de risco associados à prematuridade. A
organização reforça que a prevenção da gravidez na adolescência deve caminhar
junto com o acolhimento e o cuidado integral das adolescentes que já estão
grávidas, garantindo acompanhamento pré-natal adequado, informação qualificada
e suporte social.
“É
fundamental olhar para a gravidez na adolescência não apenas como um evento
individual, mas como um fenômeno social que exige respostas estruturadas do
Estado e da sociedade. Investir em prevenção, educação e cuidado é também uma
forma de reduzir a prematuridad, salvar vidas e proteger o futuro de milhares
de crianças”, reforça Denise.
Associação
Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG
Prematuridade.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário