Uso de mochilas térmicas, cangurus e tênis com amortecedores auxiliam os foliões a não entrar no “bloco da dor” e a aproveitar da festa ao after
O Carnaval é uma maratona de alegria, mas para o corpo, pode ser
um teste de resistência perigoso. Entre o peso excessivo dos coolers de
bebidas, as horas seguidas em pé e o esforço de carregar crianças no colo, o
risco de "travar" a coluna ou sofrer uma lesão articular é alto. Para
garantir que a única lembrança da festa seja a diversão, é importante preparar
o corpo e respeitar os limites físicos durante os blocos de rua.
De acordo com o Dr. Renato Ueta, ortopedista e traumatologista do
Hcor, a empolgação do momento, muitas vezes, mascara sinais de fadiga. "O
folião carrega peso de forma assimétrica, geralmente em um braço só, ou coloca
a criança nos ombros por horas. Isso gera uma carga excessiva na coluna e nas
articulações. O resultado aparece na Quarta-Feira de Cinzas — ou até antes — na
forma de dores agudas e limitação de movimento", explica o especialista.
Saber quando a dor é apenas um reflexo do esforço físico ou um
sinal de algo mais sério é crucial. “Geralmente, as condições mais comuns são a
lombalgia aguda (dor nas costas) e as dores articulares, principalmente ombros,
joelhos e tornozelos. É possível tratar em casa, com repouso, compressas e até
mesmo um banho quente e uma boa noite de sono. Caso sinta dor ‘em choque’ ou
que irradia para as pernas, formigamento, perda de força, procure um
Pronto-Socorro para avaliação médica imediata”, alerta.
Guia de sobrevivência ortopédica
Para evitar que a folia termine no hospital, a prevenção foca na
distribuição de carga e escolha de acessórios:
- Distribua o peso: troque o cooler de mão por uma
mochila térmica de duas alças. Se usar a caixa manual, alterne o braço a
cada 10 minutos.
- Colo estratégico: evite carregar crianças "no
cavalinho" por longos períodos, o que sobrecarrega a cervical.
Prefira o uso de cangurus ergonômicos, que apoiam o peso no quadril.
- Pés protegidos: o tênis com amortecimento é obrigatório.
Calçados abertos ou sem sola (rasteirinhas e/ou chinelos) não protegem
contra o impacto e aumentam o risco de entorses em buracos e bueiros.
Perigos além do peso
Outras condições podem "cortar o barato" do folião. O
Dr. Renato Ueta também alerta para o perigo das danças e pulos em pisos
irregulares de paralelepípedo ou asfalto ondulado, que são cenários perfeitos
para rupturas de ligamento do tornozelo. “Além disso, mantenha o olhar atento
ao caminho para evitar degraus e obstáculos no meio da multidão. Outro ponto
muito importante é manter-se hidratado e alimentar-se corretamente. Mantendo
assim o metabolismo muscular adequado, diminuindo a chance de lesões e
acidentes”, reforça.
Hcor
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