Da construção modular ao retrofit de edifícios ociosos, o arquiteto Paulo Tripoloni aponta os movimentos que irão redefinir o morar contemporâneo
O mercado
imobiliário brasileiro chegou em 2026 com mudanças que não
estão mais guiadas por novidades passageiras, mas sim por transformações
estruturais. Se antes as tendências permeavam a
sustentabilidade, eficiência e a integração, agora elas se redesenham desde o
perfil dos empreendimentos até o modo como ocupamos nossas casas, apartamentos
e áreas comuns.
“Estamos
entrando em um período em que a moradia precisa ser eficiente, flexível e
emocionalmente conectada ao morador. A casa não é só um refúgio, é um sistema
vivo, que conversa com o cotidiano e se adapta ao ritmo das pessoas”,
ressalta o arquiteto Paulo Tripoloni, à frente do Atelier Paulo Tripoloni,
que acompanha de perto essa evolução e aponta os movimentos mais expressivos
para esse ano.
Apartamentos
compactos e mais eficientes
Em grandes capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba, unidades de 30 e 40 m² já se tornaram um padrão habitual, muitas delas voltadas à locação para um público que busca mobilidade, praticidade e imóveis que não exijam compromissos de longo prazo. Mas o diferencial deste ano não está no tamanho e sim na qualidade das soluções adotadas e na inteligência aplicada ao projeto.
Paulo afirma que esses apartamentos vêm sendo pensados com layouts mais estratégicos, circulação fluida e escolhas construtivas que priorizam durabilidade e baixo impacto ambiental. O uso de materiais naturais, como madeira certificada, pedras brasileiras, tecidos de fibras orgânicas e revestimentos com menor emissão de carbono, ganha vez em relação às demais.
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Ao mesmo tempo, o retrofit e o reuso de estruturas existentes se consolidam como uma das tendências mais relevantes do mercado, especialmente em áreas centrais das cidades. “A gente percebe uma mudança clara: em vez de demolir e reconstruir, o mercado começa a olhar para o que já existe. Retrofit não é apenas atualizar estética, é requalificar edifícios, otimizar desempenho térmico-energético e prolongar a vida útil da construção”, explica o arquiteto.
Nesse contexto, o projeto não precisa parecer carregado, mas sim essencial e coerente com o estilo de vida contemporâneo. Esse cenário, combinado à infraestrutura completa dos novos condomínios, responde a um modelo de moradia mais sustentável, dinâmico e que amplia, de forma concreta, a área de uso diário do morador.
“Quando o
prédio oferece coworking, áreas de convivência, salão gourmet e espaços de
descanso, o apartamento deixa de carregar sozinho todas as funções e se torna
um núcleo, enquanto o restante do condomínio completa a experiência”,
detalha.
Infraestruturas coletivas

O arquiteto Paulo Tripoloni ressalta que em 2026 a principal
tendência não é luxo e sim funcionalidade compartilhada
Freepik
A presença dessas já citadas comodidades dentro dos empreendimentos reduz a necessidade de ambientes programáticos no imóvel, como grandes escritórios ou livings superdimensionados, liberando área para plantas mais enxutas e versáteis. Além disso, diminui deslocamentos cotidianos, economiza tempo e amplia a sensação de segurança, fatores especialmente valorizados pelas gerações mais jovens.
No entanto, Paulo
pondera que esse movimento também precisa ser analisado com cuidado sob a ótica
urbana.
“É inegável
que esses condomínios funcionam como microcidades e facilitam muito a rotina,
mas também precisamos refletir sobre o papel da metrópole. Uma cidade
equilibrada ecologicamente e socialmente pressupõe pessoas nas ruas, ocupando o
comércio local, utilizando equipamentos públicos e vivendo o espaço urbano”.
Para o arquiteto,
o desafio de 2026 não está em enclausurar o morador em um ecossistema privado,
mas em criar empreendimentos que dialoguem com o entorno, incentivem o
caminhar, valorizem o bairro e contribuam para uma dinâmica urbana mais ativa.
“A tendência
é termos cada vez mais empreendimentos onde o morador trabalha no coworking,
treina na academia, usa a lavanderia e conversa com os vizinhos no lounge. Esse
microcosmo expande a casa para além da metragem, mas ele precisa complementar a
cidade e não substituí-la”, analisa.
E as casas? Elas ganharam novos formatos
As casas urbanas e suburbanas também passam por uma atualização significativa. Já é cada vez mais comum e tende a se intensificar em 2026, encontrar imóveis com placas solares, espaços multifuncionais, jardins inteligentes e áreas externas que funcionam como um segundo living, ampliando o uso cotidiano da residência.
Mas, para Paulo, a transformação mais relevante não está apenas nas novas construções. “Mais do que erguer novas casas, vejo as reformas e o retrofit como o caminho mais coerente para o equilíbrio urbano e ambiental. Requalificar o que já existe, adaptar imóveis antigos a novos usos e melhorar o desempenho térmico e energético das construções é uma decisão estratégica para a cidade”, afirma.
Segundo ele, a casa de 2026 não é necessariamente maior ou mais tecnológica, é mais adaptável. Os ambientes mudam de função, anexos são incorporados, áreas antes subutilizadas ganham protagonismo e soluções modulares permitem expansões sem obras excessivas.
“As casas
deixaram de ser rígidas. Hoje falamos de moradias que evoluem ao longo do
tempo, que recebem novos módulos, novos usos e respondem aos ciclos da família.
A flexibilidade deixou de ser atributo dos apartamentos e virou premissa no
projeto residencial”, explica.
Construção modular
A construção modular entra em 2026 como uma das soluções mais estratégicas do setor, pois permite reduzir prazos, minimizar resíduos e viabilizar reformas limpas, tanto em casas quanto em apartamentos.
“Com módulos
produzidos em fábrica, conseguimos ampliar espaços, reorganizar interiores e
até realizar reformas estruturais sem o caos de uma obra convencional. Em
muitos casos, isso reduz o tempo pela metade”, revela o
profissional que já trabalhou com sistemas industrializados.
Além disso, casas
podem receber anexos, estúdios, escritórios independentes e suítes extras com
esse método, abrindo caminho para uma expansão mais rápida, silenciosa e
precisa.
Modernidades
que entram para a rotina
Mais do que automação, 2026 consolida um conjunto de tecnologias
pensadas para reduzir tarefas, economizar recursos e simplificar o dia a dia,
como por exemplo: sensores que passam a ajustar automaticamente luz e
ventilação de acordo com a incidência solar e a presença de pessoas; fechaduras
biométricas integradas ao celular oferecem mais praticidade e segurança;
eletrodomésticos operam com rotinas programáveis; tomadas identificam o consumo
energético e ajudam a evitar desperdícios; persianas automatizadas regulam o
controle solar ao longo do dia; e sistemas de irrigação smart mantêm jardins
internos e varandas com o mínimo de intervenção manual.
“O que chamamos de casa tecnológica não é mais um painel cheio de comandos. É a tecnologia trabalhando nos bastidores, resolvendo micro tarefas para liberar tempo e tornar o viver mais fluido”, finaliza Paulo Tripoloni.
Atelier de Arquitetura Paulo Tripoloni
Paulo Tripoloni - arquiteto nascer na maior cidade da América Latina o fez refletir, desde cedo, sobre o lugar do homem nas cidades – o morar, o viver e o trabalhar. Morar em São Paulo despertou nele o olhar atento aos detalhes, necessidades e a força que a urbanidade trazia. Encontrou na arquitetura minimalista uma de suas inspirações para realizar projetos que buscam atender às necessidades da vida contemporânea por meio de ambientes funcionais, belos e ecologicamente responsáveis que conectem cada cliente ao que, de fato, é essencial para cada um.
Instagram: @paulotripoloni
Site: www.paulotripoloni.com.br





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