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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Tendências imobiliárias: o que esperar em 2026?

Para o arquiteto Paulo Tripoloni, o novo morar morar exige inteligência,
velocidade, eficiência e flexibilidade, além de que os projetos, hoje
em dia, apostam em maior iluminação natural e ambientes que se
conectam diretamente ao bem-estar
 Freepik
Da construção modular ao retrofit de edifícios ociosos, o arquiteto Paulo Tripoloni aponta os movimentos que irão redefinir o morar contemporâneo

 

mercado imobiliário brasileiro chegou em 2026 com mudanças que não estão mais guiadas por novidades passageiras, mas sim por transformações estruturais. Se antes as tendências permeavam a sustentabilidade, eficiência e a integração, agora elas se redesenham desde o perfil dos empreendimentos até o modo como ocupamos nossas casas, apartamentos e áreas comuns.

 

Estamos entrando em um período em que a moradia precisa ser eficiente, flexível e emocionalmente conectada ao morador. A casa não é só um refúgio, é um sistema vivo, que conversa com o cotidiano e se adapta ao ritmo das pessoas”, ressalta o arquiteto Paulo Tripoloni, à frente do Atelier Paulo Tripoloni, que acompanha de perto essa evolução e aponta os movimentos mais expressivos para esse ano.

 

Apartamentos compactos e mais eficientes


Em grandes capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba, unidades de 30 e 40 m² já se tornaram um padrão habitual, muitas delas voltadas à locação para um público que busca mobilidade, praticidade e imóveis que não exijam compromissos de longo prazo. Mas o diferencial deste ano não está no tamanho e sim na qualidade das soluções adotadas e na inteligência aplicada ao projeto.


Paulo afirma que esses apartamentos vêm sendo pensados com layouts mais estratégicos, circulação fluida e escolhas construtivas que priorizam durabilidade e baixo impacto ambiental. O uso de materiais naturais, como madeira certificada, pedras brasileiras, tecidos de fibras orgânicas e revestimentos com menor emissão de carbono, ganha vez em relação às demais.

 

                           Partindo da premissa de que cada escolha é decisiva quando se trabalha com pouca metragem,
                        iluminação, circulação, marcenaria integrada e paleta de materiais, as seleções precisam ser ao 
                                                mesmo tempo prática e afetiva para a construção do ambiente 
                                                                       Projeto Atelier Paulo Tripoloni
                                                                             Adriano Escanhuela

Ao mesmo tempo, o retrofit e o reuso de estruturas existentes se consolidam como uma das tendências mais relevantes do mercado, especialmente em áreas centrais das cidades. “A gente percebe uma mudança clara: em vez de demolir e reconstruir, o mercado começa a olhar para o que já existe. Retrofit não é apenas atualizar estética, é requalificar edifícios, otimizar desempenho térmico-energético e prolongar a vida útil da construção”, explica o arquiteto. 

Nesse contexto, o projeto não precisa parecer carregado, mas sim essencial e coerente com o estilo de vida contemporâneo. Esse cenário, combinado à infraestrutura completa dos novos condomínios, responde a um modelo de moradia mais sustentável, dinâmico e que amplia, de forma concreta, a área de uso diário do morador.

 

Quando o prédio oferece coworking, áreas de convivência, salão gourmet e espaços de descanso, o apartamento deixa de carregar sozinho todas as funções e se torna um núcleo, enquanto o restante do condomínio completa a experiência”, detalha.

 

Infraestruturas coletivas


arquiteto Paulo Tripoloni ressalta que em 2026 a principal
tendência não é luxo e sim funcionalidade compartilhada
Freepik


A presença dessas já citadas comodidades dentro dos empreendimentos reduz a necessidade de ambientes programáticos no imóvel, como grandes escritórios ou livings superdimensionados, liberando área para plantas mais enxutas e versáteis. Além disso, diminui deslocamentos cotidianos, economiza tempo e amplia a sensação de segurança, fatores especialmente valorizados pelas gerações mais jovens. 

No entanto, Paulo pondera que esse movimento também precisa ser analisado com cuidado sob a ótica urbana.


É inegável que esses condomínios funcionam como microcidades e facilitam muito a rotina, mas também precisamos refletir sobre o papel da metrópole. Uma cidade equilibrada ecologicamente e socialmente pressupõe pessoas nas ruas, ocupando o comércio local, utilizando equipamentos públicos e vivendo o espaço urbano”.

 

Para o arquiteto, o desafio de 2026 não está em enclausurar o morador em um ecossistema privado, mas em criar empreendimentos que dialoguem com o entorno, incentivem o caminhar, valorizem o bairro e contribuam para uma dinâmica urbana mais ativa.

 

A tendência é termos cada vez mais empreendimentos onde o morador trabalha no coworking, treina na academia, usa a lavanderia e conversa com os vizinhos no lounge. Esse microcosmo expande a casa para além da metragem, mas ele precisa complementar a cidade e não substituí-la”, analisa.

 

E as casas? Elas ganharam novos formatos

Para as novas casas, os projetos privilegiam plantas fluidas, integração entre áreas
 internas e externas, soluções modulares e materiais naturais revisitados com novas tecnologias
Projeto Atelier Paulo Tripoloni
Foto: Adriano Escanhuela


As casas urbanas e suburbanas também passam por uma atualização significativa. Já é cada vez mais comum e tende a se intensificar em 2026, encontrar imóveis com placas solares, espaços multifuncionais, jardins inteligentes e áreas externas que funcionam como um segundo living, ampliando o uso cotidiano da residência. 

Mas, para Paulo, a transformação mais relevante não está apenas nas novas construções. “Mais do que erguer novas casas, vejo as reformas e o retrofit como o caminho mais coerente para o equilíbrio urbano e ambiental. Requalificar o que já existe, adaptar imóveis antigos a novos usos e melhorar o desempenho térmico e energético das construções é uma decisão estratégica para a cidade”, afirma. 

Segundo ele, a casa de 2026 não é necessariamente maior ou mais tecnológica, é mais adaptável. Os ambientes mudam de função, anexos são incorporados, áreas antes subutilizadas ganham protagonismo e soluções modulares permitem expansões sem obras excessivas.

 

As casas deixaram de ser rígidas. Hoje falamos de moradias que evoluem ao longo do tempo, que recebem novos módulos, novos usos e respondem aos ciclos da família. A flexibilidade deixou de ser atributo dos apartamentos e virou premissa no projeto residencial”, explica.

 

Construção modular

 

A construção modular se destaca pelo excelente isolamento térmico e acústico, resultado da
 precisão no encaixe dos módulos. De acordo com Paulo Tripoloni, esse controle
minucioso assegura uma vedação superior que reduz a necessidade de climatização
 artificial e, consequentemente, o consumo de energia dos edifícios
 Freepik

A construção modular entra em 2026 como uma das soluções mais estratégicas do setor, pois permite reduzir prazos, minimizar resíduos e viabilizar reformas limpas, tanto em casas quanto em apartamentos. 

Com módulos produzidos em fábrica, conseguimos ampliar espaços, reorganizar interiores e até realizar reformas estruturais sem o caos de uma obra convencional. Em muitos casos, isso reduz o tempo pela metade”, revela o profissional que já trabalhou com sistemas industrializados.

 

Além disso, casas podem receber anexos, estúdios, escritórios independentes e suítes extras com esse método, abrindo caminho para uma expansão mais rápida, silenciosa e precisa.

 


Modernidades que entram para a rotina

Mais do que automação, 2026 consolida um conjunto de tecnologias pensadas para reduzir tarefas, economizar recursos e simplificar o dia a dia, como por exemplo: sensores que passam a ajustar automaticamente luz e ventilação de acordo com a incidência solar e a presença de pessoas; fechaduras biométricas integradas ao celular oferecem mais praticidade e segurança; eletrodomésticos operam com rotinas programáveis; tomadas identificam o consumo energético e ajudam a evitar desperdícios; persianas automatizadas regulam o controle solar ao longo do dia; e sistemas de irrigação smart mantêm jardins internos e varandas com o mínimo de intervenção manual.

 

Para o arquiteto Paulo Tripoloni, a tecnologia tem um papel essencial na redução de
 desperdícios, pois os sistemas identificam excessos antes mesmo que o morador perceba.
O imóvel passa a trabalhar a favor da economia, sem abrir mão do conforto
 Projeto Atelier Paulo Tripoloni
 Foto: Rafael Renzo

O que chamamos de casa tecnológica não é mais um painel cheio de comandos. É a tecnologia trabalhando nos bastidores, resolvendo micro tarefas para liberar tempo e tornar o viver mais fluido”, finaliza Paulo Tripoloni.

  

Atelier de Arquitetura Paulo Tripoloni

Paulo Tripoloni - arquiteto nascer na maior cidade da América Latina o fez refletir, desde cedo, sobre o lugar do homem nas cidades – o morar, o viver e o trabalhar. Morar em São Paulo despertou nele o olhar atento aos detalhes, necessidades e a força que a urbanidade trazia. Encontrou na arquitetura minimalista uma de suas inspirações para realizar projetos que buscam atender às necessidades da vida contemporânea por meio de ambientes funcionais, belos e ecologicamente responsáveis que conectem cada cliente ao que, de fato, é essencial para cada um.
Instagram: @paulotripoloni
Site: www.paulotripoloni.com.br

 

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