O olfato é um dos sentidos mais subestimados, mas
também um dos mais importantes. Ele nos conecta ao ambiente, ao prazer da
alimentação e, sobretudo, atua como um sistema de alerta natural para perigos.
No Dia Mundial da Anosmia, 27 de fevereiro, especialistas chamam atenção para a
perda parcial ou total do olfato, condição conhecida como anosmia e seus
impactos diretos na segurança e na qualidade de vida.
“A perda do olfato não deve ser tratada como algo
banal. Ela pode ser transitória, mas em muitos casos indica alterações
estruturais, neurológicas ou inflamatórias que precisam de avaliação médica”,
alerta o Dr. Felipe Marconato, especialista da Associação Brasileira de
Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).
A anosmia ganhou destaque durante a pandemia de
Covid-19, quando se tornou um sintoma bastante frequente da doença. Mas ela não
se restringe ao coronavírus. Gripes, resfriados, rinite, sinusite, pólipos
nasais, envelhecimento das fibras olfatórias, traumas cranianos e até exposição
a produtos químicos ou metais pesados podem comprometer a percepção dos
cheiros.
“O olfato está intimamente ligado à percepção do
sabor. Por isso, quando ele é afetado, o paciente muitas vezes sente que perdeu
o paladar. Além disso, essa perda pode prejudicar a nutrição, a segurança em
casa e até a saúde emocional”, explica o médico.
Sintomas e sinais de alerta
Além da incapacidade de sentir cheiros, a anosmia
pode se manifestar com redução do paladar, obstrução nasal, secreção, dor
facial e sensação de nariz “entupido”. Em alguns casos, a alteração surge de
forma súbita, especialmente após infecções virais, e em outros, gradualmente,
como no envelhecimento natural ou em doenças crônicas.
“É importante que o paciente perceba qualquer
alteração persistente no olfato, mesmo que seja parcial. Muitas vezes, a
anosmia é o primeiro sinal de um problema sério que precisa ser investigado”,
reforça o especialista.
Causas e fatores de risco
A anosmia pode ter múltiplas origens. Entre as
causas mais comuns estão:
- Infecções virais: gripes, resfriados e
Covid-19 podem provocar anosmia temporária.
- Doenças inflamatórias: rinite e sinusite
podem bloquear a passagem do ar e das moléculas de odor até as fibras
olfatórias.
- Obstruções estruturais: pólipos nasais ou
desvio de septo podem impedir que o cheiro alcance o nervo olfatório.
- Traumas cranianos: fraturas ou lesões podem
seccionar as fibras olfatórias, causando perda permanente.
- Exposição a toxinas: produtos químicos
voláteis e metais pesados podem danificar as células nervosas responsáveis
pelo olfato.
- Envelhecimento: a degeneração natural das
fibras olfatórias reduz gradualmente a capacidade de perceber cheiros.
“Nem toda perda de olfato é reversível, mas
muitas são tratáveis se a causa for identificada a tempo. Por isso, o
diagnóstico precoce é essencial”, destaca.
Quando a perda é temporária ou permanente
O tempo de recuperação varia de acordo com a
origem do problema. Infecções respiratórias costumam gerar anosmia transitória,
que se resolve com o tratamento da inflamação ou obstrução nasal. Já traumas
cranianos ou lesões do nervo olfatório podem provocar perda definitiva do
olfato.
“Se a anosmia estiver ligada a um resfriado ou
sinusite, geralmente o sentido retorna após o tratamento adequado. Mas se houve
dano direto ao nervo olfatório, a perda pode ser permanente”, ressalta o
otorrino.
Tratamento personalizado
Não existe uma abordagem única para tratar a
anosmia. O manejo depende da causa identificada:
- Infecções ou inflamações: medicamentos
específicos podem reduzir o quadro e restaurar a função olfatória.
- Obstruções estruturais ou pólipos: cirurgia
pode ser necessária para liberar a passagem dos odores até o nervo
olfatório.
- Pós-Covid-19: o treinamento olfativo, que
estimula repetidamente o sentido com diferentes aromas, tem se mostrado
eficaz na recuperação do olfato.
“O tratamento é sempre individualizado. Pode
envolver medicação, cirurgia ou reabilitação olfativa. O mais importante é
identificar corretamente a causa do problema para que a intervenção seja
eficaz”, afirma o especialista.
Olfato: sentido de proteção e qualidade de vida
Mais do que contribuir para o prazer alimentar, o
olfato funciona como um sistema de alerta vital. Ele detecta fumaça, gases
tóxicos e alimentos estragados, protegendo o organismo de riscos que muitas
vezes passam despercebidos.
“Preservar o olfato é preservar a segurança e a
saúde. Cuidar do nariz, manter hábitos de higiene, evitar o tabagismo e adotar
hábitos saudáveis são atitudes simples que fazem toda a diferença”, orienta o
especialista.
A recomendação final dos otorrinolaringologistas
é clara: qualquer alteração persistente do olfato deve ser avaliada por um
profissional. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de
recuperação, permite identificar causas subjacentes e garante que a perda do
olfato não se torne um problema crônico.
“Nunca subestime a importância do olfato. Ele é
um sentido essencial, que conecta percepção, segurança e qualidade de vida. E,
com cuidados adequados, grande parte das perdas pode ser tratada ou até
revertida”, conclui Marconato.
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