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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Dia Mundial da Anosmia: perda do olfato exige atenção, diagnóstico e tratamento


O olfato é um dos sentidos mais subestimados, mas também um dos mais importantes. Ele nos conecta ao ambiente, ao prazer da alimentação e, sobretudo, atua como um sistema de alerta natural para perigos. No Dia Mundial da Anosmia, 27 de fevereiro, especialistas chamam atenção para a perda parcial ou total do olfato, condição conhecida como anosmia e seus impactos diretos na segurança e na qualidade de vida. 

“A perda do olfato não deve ser tratada como algo banal. Ela pode ser transitória, mas em muitos casos indica alterações estruturais, neurológicas ou inflamatórias que precisam de avaliação médica”, alerta o Dr. Felipe Marconato, especialista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). 

A anosmia ganhou destaque durante a pandemia de Covid-19, quando se tornou um sintoma bastante frequente da doença. Mas ela não se restringe ao coronavírus. Gripes, resfriados, rinite, sinusite, pólipos nasais, envelhecimento das fibras olfatórias, traumas cranianos e até exposição a produtos químicos ou metais pesados podem comprometer a percepção dos cheiros. 

“O olfato está intimamente ligado à percepção do sabor. Por isso, quando ele é afetado, o paciente muitas vezes sente que perdeu o paladar. Além disso, essa perda pode prejudicar a nutrição, a segurança em casa e até a saúde emocional”, explica o médico.
 

Sintomas e sinais de alerta 

Além da incapacidade de sentir cheiros, a anosmia pode se manifestar com redução do paladar, obstrução nasal, secreção, dor facial e sensação de nariz “entupido”. Em alguns casos, a alteração surge de forma súbita, especialmente após infecções virais, e em outros, gradualmente, como no envelhecimento natural ou em doenças crônicas. 

“É importante que o paciente perceba qualquer alteração persistente no olfato, mesmo que seja parcial. Muitas vezes, a anosmia é o primeiro sinal de um problema sério que precisa ser investigado”, reforça o especialista.
 

Causas e fatores de risco

A anosmia pode ter múltiplas origens. Entre as causas mais comuns estão:

  • Infecções virais: gripes, resfriados e Covid-19 podem provocar anosmia temporária.
     
  • Doenças inflamatórias: rinite e sinusite podem bloquear a passagem do ar e das moléculas de odor até as fibras olfatórias.
     
  • Obstruções estruturais: pólipos nasais ou desvio de septo podem impedir que o cheiro alcance o nervo olfatório.
     
  • Traumas cranianos: fraturas ou lesões podem seccionar as fibras olfatórias, causando perda permanente.
     
  • Exposição a toxinas: produtos químicos voláteis e metais pesados podem danificar as células nervosas responsáveis pelo olfato.
     
  • Envelhecimento: a degeneração natural das fibras olfatórias reduz gradualmente a capacidade de perceber cheiros.
     

“Nem toda perda de olfato é reversível, mas muitas são tratáveis se a causa for identificada a tempo. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial”, destaca.
 

Quando a perda é temporária ou permanente 

O tempo de recuperação varia de acordo com a origem do problema. Infecções respiratórias costumam gerar anosmia transitória, que se resolve com o tratamento da inflamação ou obstrução nasal. Já traumas cranianos ou lesões do nervo olfatório podem provocar perda definitiva do olfato.

“Se a anosmia estiver ligada a um resfriado ou sinusite, geralmente o sentido retorna após o tratamento adequado. Mas se houve dano direto ao nervo olfatório, a perda pode ser permanente”, ressalta o otorrino.
 

Tratamento personalizado

Não existe uma abordagem única para tratar a anosmia. O manejo depende da causa identificada:

  • Infecções ou inflamações: medicamentos específicos podem reduzir o quadro e restaurar a função olfatória.
     
  • Obstruções estruturais ou pólipos: cirurgia pode ser necessária para liberar a passagem dos odores até o nervo olfatório.
     
  • Pós-Covid-19: o treinamento olfativo, que estimula repetidamente o sentido com diferentes aromas, tem se mostrado eficaz na recuperação do olfato.
     

“O tratamento é sempre individualizado. Pode envolver medicação, cirurgia ou reabilitação olfativa. O mais importante é identificar corretamente a causa do problema para que a intervenção seja eficaz”, afirma o especialista.


Olfato: sentido de proteção e qualidade de vida
 

Mais do que contribuir para o prazer alimentar, o olfato funciona como um sistema de alerta vital. Ele detecta fumaça, gases tóxicos e alimentos estragados, protegendo o organismo de riscos que muitas vezes passam despercebidos. 

“Preservar o olfato é preservar a segurança e a saúde. Cuidar do nariz, manter hábitos de higiene, evitar o tabagismo e adotar hábitos saudáveis são atitudes simples que fazem toda a diferença”, orienta o especialista.

A recomendação final dos otorrinolaringologistas é clara: qualquer alteração persistente do olfato deve ser avaliada por um profissional. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de recuperação, permite identificar causas subjacentes e garante que a perda do olfato não se torne um problema crônico. 

“Nunca subestime a importância do olfato. Ele é um sentido essencial, que conecta percepção, segurança e qualidade de vida. E, com cuidados adequados, grande parte das perdas pode ser tratada ou até revertida”, conclui Marconato.


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