Ações básicas do dia a dia como andar, levantar da cama, virar a cabeça de um lado para o outro, manter-se de pé, agachar, dançar e praticar esportes são possíveis graças à força de um sistema que, invisível aos olhos, funciona como suporte, motor e proteção do corpo humano. Com o aumento da estimativa de vida da população, cuidar da saúde de ossos e músculos tem se tornado, mais que questão estética, uma necessidade para quem deseja ter autonomia e capacidade de trabalho por mais tempo.
No entanto, para muitas pessoas, a consulta com o ortopedista só é prioridade quando a dor ou o desconforto não passam de jeito nenhum ou quando o acidente é grave a ponto de demandar atendimento de urgência. Segundo o médico ortopedista do Hospital Evangélico, especialista em cirurgia de joelho, mestre pela UFMG e atual membro da Comissão de Apoio Científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Joelho (SBCJ), Marcelo de Carvalho Amorim, é preciso desmistificar essa ideia de uma vez por todas porque, em se tratando de ossos e músculos, o ideal é não esperar que dores/desconfortos/machucados se agravem. “Cuidar do sistema osteomuscular é fundamental para ter uma vida saudável”, frisa.
Então, por que não incluir o ortopedista no check-up anual, principalmente se existe aquela dor antiga no joelho, ombro, cotovelo, punho, quadril ou na coluna, com inchaço, vermelhidão e calor nessas regiões? A visita ao especialista também será importante para quem sofre com dificuldade ou perda de movimento, deformidades visíveis ou instabilidade articular, formigamento ou dormência nos braços e pernas e para quem sofreu uma queda ou pancada intensas.
Além desses problemas o ortopedista
também cuida de pacientes com doenças degenerativas (artrose), inflamações
(tendinites, bursites), lesões esportivas variadas, deformidades (escoliose,
pés planos), dores crônicas nas costas, joelhos, ombros, osteoporose (prevenção
e tratamento) e reabilitação pós-lesão ou cirurgia.
Prevenção
Para ter um sistema osteomuscular que
funcione de forma satisfatória há três pilares de cuidados. O primeiro deles é
a alimentação balanceada, rica em cálcio (laticínios, vegetais verde-escuros) e
vitamina D (exposição solar, peixes gordurosos) para ossos fortes.
A prática de atividade física regular
desde os primeiros anos de vida é recomendação antiga. Para adultos e idosos,
deve incluir exercícios com carga (caminhada, musculação) que estimulam a
formação óssea, fortalecem os músculos e previnem as quedas.
O controle de hábitos reconhecidamente
nocivos para a saúde como tabagismo e ingestão de bebidas alcoólicas em excesso
também é importante porque esses produtos prejudicam a densidade óssea. Na
outra ponta, manter o peso saudável alivia a carga sobre as articulações e
evita danos maiores ao longo da vida.
Acidentes
Seja em casa, no trabalho ou mesmo na rua, cada ambiente tem a sua carga de riscos para acidentes. Adotar uma postura mais segura é o primeiro passo para prevenir tais ocorrências. Mas quando há quedas, especialmente com idosos, ou quando há dor ou inchaço significativo, é preciso recorrer a uma avaliação médica.
Aquela “virada de pé” que causa dor ou inchaço imediato ou impede o apoio também é outro caso que merece atenção. Dores por repetição (LER/DORT) que surgem após tarefas domésticas ou laborais repetitivas e que não melhoram são problemas que devem ser levados para o ortopedista. O mesmo vale para quem carrega peso e depois sofre dias com dor na coluna.
“Uma torção ou luxação mal curadas podem levar a instabilidade crônica da articulação, que fica “frouxa” e suscetível a novas lesões, artrose precoce, dor crônica, fraqueza muscular e novas lesões em outras áreas do corpo, para compensar uma articulação já comprometida. O tratamento correto das lesões ortopédicas é fundamental para restaurar a função e evitar problemas futuros”, ressalta Marcelo de Carvalho Amorim.
Acidentes que se repetem indicam que há uma causa subjacente que precisa ser investigada por meio de avaliação médica especializada, investigação das causas – instabilidade residual, fraqueza muscular, problemas de equilíbrio, frouxidão ligamentar ou condições neurológicas em idosos e/ou fatores ambientais – para a definição de um tratamento personalizado que pode incluir fisioterapia para fortalecer e reabilitar, uso de órteses (talas, palmilhas, tornozeleiras etc). Parte do tratamento é a mudança no estilo de vida e, quando necessário, cirurgia para reparar as estruturas ou para implantar próteses.
“As lesões repetidas são um sinal de que algo no organismo precisa de atenção. A reabilitação, após lesão ou cirurgia, é fundamental. A fisioterapia é tão importante quanto o tratamento em si”, ressalta. E para completar, se a parte do corpo que dói já é conhecida, a especialidade médica da Ortopedia e Traumatologia dispõem de diversas subespecialidades, o que facilita o diagnóstico bem como a indicação de um tratamento mais avançado caso a caso.
HE – Hospital Evangélico de Belo Horizonte

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