Pesquisar no Blog

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Estudo com quase 900 mil mulheres reforça segurança da terapia hormonal na menopausa

  

Um dos maiores estudos já realizados sobre terapia hormonal da menopausa (TRH) acaba de trazer dados importantes para mulheres e profissionais de saúde. Publicado no periódico científico The BMJ, o estudo dinamarquês acompanhou 876.805 mulheres por um tempo médio de 14,3 anos e concluiu que a terapia hormonal não está associada a aumento da mortalidade geral.

 

A pesquisa utilizou registros nacionais da Dinamarca, acompanhando mulheres nascidas entre 1950 e 1977, desde os 45 anos de idade até julho de 2023. Entre elas, 11,9% utilizaram terapia hormonal sistêmica ao longo do seguimento. No total, foram registrados 47.594 óbitos durante o período analisado.

 

Após ajustes estatísticos rigorosos, incluindo idade, paridade, escolaridade, renda, comorbidades cardiovasculares e metabólicas, o estudo indicou ausência de aumento de risco e possível discreta redução.


 

Tempo de uso e tipo de TRH

 

O estudo também analisou o impacto conforme a duração da terapia hormonal e concluiu que não houve aumento consistente do risco de morte mesmo com uso prolongado.

 

Um dado particularmente relevante foi a análise por tipo de formulação. Mulheres que utilizaram predominantemente formulações transdérmicas (adesivo ou gel) apresentaram risco significativamente menor de mortalidade. Esse achado reforça a hipótese já discutida na literatura de que a via transdérmica pode ter menor impacto trombótico e metabólico quando comparada à via oral.


 

Impacto histórico

 

O estudo também documentou uma queda acentuada no uso da terapia hormonal após a publicação do Women’s Health Initiative, em 2002. Na Dinamarca, a proporção de mulheres de 55 anos que utilizavam ou já haviam utilizado TRH caiu de 27% em 2004–2006 para 9,7% em 2021–2023.

 

Para o médico ginecologista Dr. Alexandre Rossi, responsável pelo ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, os dados reforçam os benefícios, mas também a importância da individualização da conduta na TRH.

 

“A terapia hormonal deve ser indicada com base em evidência científica atualizada e na avaliação individual de cada paciente. Quando bem indicada, especialmente em mulheres recentemente menopausadas, sintomáticas e sem contraindicações, ela é uma ferramenta segura e eficaz para melhorar qualidade de vida.”

 

O especialista ressalta que o momento de início da terapia é relevante e que decisões devem considerar histórico cardiovascular, oncológico e perfil metabólico.

 

Em resumo, o estudo fortalece:

 

A TRH não aumenta mortalidade geral


A via transdérmica pode ter perfil particularmente favorável


As diretrizes atuais permanecem alinhadas às evidências

 

O estudo reforça recomendações internacionais que indicam a terapia hormonal para mulheres no início da menopausa com sintomas moderados a intensos, desde que não haja contraindicações.

 

O estudo está disponível em https://www.bmj.com/content/bmj/392/bmj-2025-085998.full.pdf

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados