Um dos maiores estudos já realizados sobre
terapia hormonal da menopausa (TRH) acaba de trazer dados importantes para
mulheres e profissionais de saúde. Publicado no periódico científico The BMJ, o
estudo dinamarquês acompanhou 876.805 mulheres por um tempo médio de 14,3 anos
e concluiu que a terapia hormonal não está associada a aumento da mortalidade
geral.
A pesquisa utilizou registros nacionais da
Dinamarca, acompanhando mulheres nascidas entre 1950 e 1977, desde os 45 anos
de idade até julho de 2023. Entre elas, 11,9% utilizaram terapia hormonal
sistêmica ao longo do seguimento. No total, foram registrados 47.594 óbitos
durante o período analisado.
Após ajustes estatísticos rigorosos,
incluindo idade, paridade, escolaridade, renda, comorbidades cardiovasculares e
metabólicas, o estudo indicou ausência de aumento de risco e possível discreta
redução.
Tempo de uso e tipo de TRH
O estudo também analisou o impacto
conforme a duração da terapia hormonal e concluiu que não houve aumento
consistente do risco de morte mesmo com uso prolongado.
Um dado particularmente relevante foi a
análise por tipo de formulação. Mulheres que utilizaram predominantemente
formulações transdérmicas (adesivo ou gel) apresentaram risco
significativamente menor de mortalidade. Esse achado reforça a hipótese já
discutida na literatura de que a via transdérmica pode ter menor impacto
trombótico e metabólico quando comparada à via oral.
Impacto histórico
O estudo também documentou uma queda
acentuada no uso da terapia hormonal após a publicação do Women’s Health
Initiative, em 2002. Na Dinamarca, a proporção de mulheres de 55 anos que
utilizavam ou já haviam utilizado TRH caiu de 27% em 2004–2006 para 9,7% em
2021–2023.
Para o médico ginecologista Dr. Alexandre
Rossi, responsável pelo ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e
Maternidade Leonor Mendes de Barros, os dados reforçam os benefícios, mas
também a importância da individualização da conduta na TRH.
“A terapia hormonal deve ser indicada com
base em evidência científica atualizada e na avaliação individual de cada
paciente. Quando bem indicada, especialmente em mulheres recentemente
menopausadas, sintomáticas e sem contraindicações, ela é uma ferramenta segura
e eficaz para melhorar qualidade de vida.”
O especialista ressalta que o momento de
início da terapia é relevante e que decisões devem considerar histórico cardiovascular,
oncológico e perfil metabólico.
Em resumo, o estudo fortalece:
✔ A TRH não aumenta mortalidade geral
✔ A via transdérmica pode ter perfil particularmente favorável
✔ As diretrizes atuais permanecem alinhadas às evidências
O estudo reforça recomendações
internacionais que indicam a terapia hormonal para mulheres no início da
menopausa com sintomas moderados a intensos, desde que não haja
contraindicações.
O estudo está disponível em https://www.bmj.com/content/bmj/392/bmj-2025-085998.full.pdf
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