Com o verão e praias mais cheias, o uso de jets em operações de salvamento reduz o impacto dos acidentes aquáticos, que vitimam milhares de brasileiros todos os anos
Com
o verão e o aumento do fluxo de pessoas nas praias, cresce também a atenção
para a segurança no mar. A maior exposição a ambientes aquáticos, somada a
mudanças rápidas nas condições da água, amplia o risco de acidentes,
especialmente os afogamentos, que seguem como um desafio relevante no Brasil.
Dados mais recentes e consolidados indicam que, em 2023, mais de 5 mil pessoas
perderam a vida por afogamento no país, o que representa uma média de 16 mortes
por dia. Embora a maior parte dos casos aconteça em água doce, praias, rios,
lagoas e represas também concentram ocorrências, tornando o tema especialmente
sensível durante os meses mais quentes do ano, quando a presença de banhistas é
maior, sobretudo entre crianças e jovens.
Diante
desse cenário, reforça-se a importância de investir em prevenção, estrutura de
apoio nas praias e recursos capazes de responder rapidamente a emergências no
mar, contribuindo para experiências mais seguras no litoral. Em situações de
risco, o tempo de resposta é decisivo: um resgate ágil pode significar a
diferença entre a vida e a morte, especialmente em áreas com correntes fortes,
mar agitado ou grande concentração de pessoas.
É
nesse contexto que a moto aquática se consolida como um dos equipamentos mais
eficazes nas operações de salvamento. Sua mobilidade permite que equipes
especializadas cheguem rapidamente a locais onde embarcações maiores não operam
e onde o resgate a nado seria lento ou inviável. Segundo Rodrigo Bastos,
consultor da Surf Resgate, empresa especializada em salvamento aquático, “a moto aquática transformou a dinâmica
do resgate no mar. Ela permite chegar rápido, estabilizar a vítima e retirá-la
de áreas perigosas com muito mais segurança. Em muitas situações, é o recurso
que torna possível um socorro dentro do tempo necessário”.
Um
exemplo recente e emblemático
A
importância desse tipo de atuação ganhou visibilidade em Nazaré, Portugal,
durante um resgate realizado em condições extremas no mar. Na ocasião, o
surfista brasileiro Carlos Burle sofreu um acidente após ser atingido por uma
grande onda e só pôde ser retirado da zona de impacto graças à resposta rápida
de uma equipe equipada com motos aquáticas.
Entre
os responsáveis pela operação estava Lucas “Chumbo” Chianca, brasileiro,
natural de Saquarema (RJ) e atual campeão de Nazaré, reconhecido
internacionalmente pela experiência em cenários de alto risco. “A moto aquática não é apenas um meio de
deslocamento. Em situações críticas, ela é uma ferramenta de salvamento. É o
que permite chegar rápido, dar apoio imediato e tirar alguém de uma área onde,
muitas vezes, a pessoa não conseguiria sair sozinha”, comenta o
surfista.
Embora
o episódio tenha ocorrido em um contexto extremo, ele ilustra uma realidade
comum também nas praias brasileiras: o mar muda rápido, e o resgate precisa ser
ainda mais rápido. Por isso, a combinação entre equipamentos adequados,
profissionais treinados e informação ao público é fundamental durante o verão.
Sinalizações claras sobre correntes de retorno, comunicação eficiente entre
guarda-vidas e frequentadores das praias, além de ações educativas, ajudam a
reduzir riscos e ampliar a segurança.
Em
um país com extensa faixa litorânea e milhões de pessoas que frequentam o mar
todos os anos, a presença de motos aquáticas nas operações de salvamento amplia
a capacidade de resposta das equipes e aumenta significativamente as chances de
resgates bem-sucedidos. Mais do que um item associado ao lazer, esse
equipamento se consolida como um aliado essencial na proteção de vidas durante
o verão.
1 https://www.cbnrecife.com/aldovilela/artigo/mortes-por-afogamento-tem-aumento-no-brasil-segundo-boletim-epidemiologico-sobrasa-em-2025

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