Pesquisar no Blog

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Golpes prometem permissão de trabalho e acabam levando imigrantes à corte de deportação nos EUA

Escritórios falsos oferecem soluções ilegais para quem está fora de status; vítimas recebem notificação inicial e, semanas depois, são intimadas a comparecer diante de um juiz de imigração


Empresas que se apresentam como consultorias migratórias estão prometendo regularização rápida para imigrantes indocumentados nos Estados Unidos, com oferta de autorização de trabalho e até carteira de motorista. O que começa com o protocolo de um pedido aparentemente formal termina, em muitos casos, com a emissão de uma Notice to Appear, a NTA, documento que convoca o estrangeiro a comparecer à corte de imigração para responder a um processo de deportação.

O alerta é do advogado Daniel Toledo, especialista em Direito Internacional e sócio da Toledo e Associados, no Brasil, e LeeToledo PLLC, nos Estados Unidos. Segundo ele, os golpistas utilizam informações falsas para protocolar pedidos sem base legal, o que expõe o imigrante às autoridades migratórias. “Essas empresas prometem um work permit e dizem que a pessoa poderá até obter uma driver’s license. Protocolam um pedido frágil, sem fundamento jurídico, e o cliente recebe uma notificação inicial do governo. Ele acredita que está com o caso encaminhado. Pouco tempo depois, chega a NTA e começa um processo formal de deportação”, afirma.

De acordo com dados do Transactional Records Access Clearinghouse, da Universidade de Syracuse, o estoque de processos pendentes nas cortes de imigração dos Estados Unidos ultrapassa 3 milhões de casos, o maior volume já registrado. O acúmulo revela a pressão sobre o sistema e indica que qualquer inclusão indevida pode resultar em anos de insegurança jurídica para o imigrante.

Toledo explica que, ao protocolar um pedido inconsistente, o próprio interessado fornece endereço, telefone e demais dados pessoais ao governo americano. Caso a fraude seja identificada, essas informações passam a integrar o processo migratório. “O problema é que muitos desses pedidos são baseados em narrativas inventadas. Quando o governo detecta inconsistências, em vez de conceder benefício algum, inicia a remoção. A pessoa que antes estava fora do radar passa a ter um processo ativo na corte”, diz.

Segundo o Migration Policy Institute, cerca de 11 milhões de imigrantes viviam em situação irregular nos Estados Unidos em 2022. Esse contingente, mais vulnerável a mudanças legislativas e a operações de fiscalização, também se torna alvo frequente de promessas de regularização imediata divulgadas em redes sociais.

Além do risco jurídico, há prejuízo financeiro. Os valores cobrados pelas falsas consultorias costumam ser elevados e não são recuperados. “Esses grupos não são escritórios de advocacia e não têm advogados habilitados. Cobram caro, vendem uma solução inexistente e deixam o cliente em situação pior do que estava. Depois, ele precisa contratar um especialista em deportação para tentar reverter o dano”, afirma.

Mudanças recentes em regras estaduais também têm sido usadas como argumento para convencer imigrantes a ingressar com pedidos sem respaldo legal. Desde 2025, alguns estados passaram a exigir documentos compatíveis com o Real ID para determinadas finalidades federais, como embarques domésticos. No Texas, alterações implementadas a partir de janeiro de 2026 passaram a exigir carteira de habilitação estadual válida para renovação do registro veicular. Na Flórida, segundo relatos de advogados e associações comunitárias, há variações de exigências entre unidades do departamento de trânsito, o que aumenta a insegurança entre estrangeiros.

Para o advogado, o cenário de incerteza facilita a atuação de oportunistas. “Quando surgem mudanças nas regras de carteira de motorista ou exigências adicionais de identificação, muitas pessoas entram em pânico. É nesse momento que aparecem consultores prometendo resolver tudo com um protocolo milagroso. Imigração não funciona assim”, diz.

Ele recomenda que qualquer pessoa interessada em regularizar a situação busque profissionais devidamente licenciados e verifique se o nome do advogado consta nos registros da ordem estadual correspondente. Também orienta que o próprio imigrante participe ativamente do entendimento do caso. “O cliente deve perguntar qual é a base legal do pedido, qual categoria de visto está sendo utilizada e quais são os riscos. Pesquisar junto com o advogado é uma forma de confirmar se a estratégia faz sentido. Promessa rápida e garantida é sinal de alerta”, afirma.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos mantém, por meio do Executive Office for Immigration Review, uma lista pública de representantes autorizados a atuar perante as cortes de imigração. Especialistas recomendam que imigrantes consultem essas bases antes de contratar qualquer serviço.

Para Toledo, a principal arma contra o golpe é a informação qualificada. “Resolver uma questão migratória exige anos de estudo e experiência prática. Não existe atalho seguro. O dinheiro investido em fraude não volta e o impacto pode comprometer de forma definitiva a permanência nos Estados Unidos”, diz.




Daniel Toledo - advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC. Toledo também possui um canal no YouTube com 900 mil seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford - Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.
Para mais informações, acesse o site.


Toledo e Advogados
Para mais informações, acesse o site ou pelo instagram.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados