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Um artigo publicado na revista Aging & Disease1
em 2025 traz uma nova perspectiva sobre a perimenopausa e o papel da terapia
hormonal na prática clínica. Os especialistas argumentam que esse período não
deve ser encarado apenas como uma transição reprodutiva ou como o início de
sintomas incômodos, mas sim como uma fase biológica estratégica, capaz de
determinar de forma significativa o processo de envelhecimento da mulher.
Nesse intervalo, a redução gradual dos níveis de estrogênio e
progesterona provoca uma série de mudanças no organismo. Entre elas estão o
aumento da inflamação crônica, a piora da resposta à insulina, a perda
acelerada de massa muscular, além de alterações cardiovasculares e cognitivas.
Esses efeitos contribuem para o fenômeno conhecido como inflammaging e
podem acelerar a idade biológica, muitas vezes antes mesmo da menopausa estar
plenamente instalada.
Geroproteção e reposição hormonal
Durante a perimenopausa, o corpo feminino passa por mudanças que
vão muito além do ciclo menstrual. É nesse momento que os hormônios,
especialmente o estrogênio, começam a cair de forma gradual, afetando
diferentes áreas da saúde. O artigo traz o conceito de geroproteção,
que significa adotar medidas médicas capazes de proteger o organismo contra os
efeitos do envelhecimento. Nesse sentido, a reposição hormonal, quando bem
indicada e acompanhada por um médico, pode funcionar como uma espécie de
“escudo” para o corpo.
O estrogênio, por exemplo, não atua apenas na fertilidade: ele ajuda
a manter o coração saudável, protege o cérebro, reduz processos inflamatórios e
contribui para o equilíbrio do metabolismo. Ou seja, ao repor esse hormônio de
forma adequada, é possível preservar funções essenciais do organismo e reduzir
riscos futuros, como problemas cardiovasculares, perda de massa muscular ou
dificuldades cognitivas.
A ginecologista Dra. Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+, reforça essa visão: “A perimenopausa é uma janela biológica
crítica e negligenciada, na qual se iniciam alterações metabólicas,
inflamatórias, musculares, cardiovasculares e cognitivas que influenciam
diretamente a forma como a mulher vai envelhecer. Esperar a menopausa para agir
é, muitas vezes, perder tempo biológico.”
“As diretrizes tradicionais ainda adotam um modelo reativo, focado
na menopausa estabelecida e no alívio tardio dos sintomas. O artigo reforça a
necessidade de repensar esse modelo e valorizar a perimenopausa como fase ativa
de prevenção”, acrescenta a especialista.
Implicações práticas
O artigo destaca que a perimenopausa deve ser encarada como uma
oportunidade de cuidado integral com a saúde, e não apenas como uma fase de
sintomas incômodos. Isso significa que, além da terapia hormonal, quando
realmente necessária e indicada por um médico, é fundamental integrar hábitos
de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios,
sono de qualidade e suplementação adequada.
Em outras palavras, esse período pode funcionar como um ponto de
virada: em vez de ser visto apenas como um momento de desconforto, a
perimenopausa passa a ser entendida como uma fase estratégica para investir em
escolhas que vão proteger o coração, o metabolismo, os músculos e até o
cérebro. Assim, cuidar dessa etapa é uma forma de garantir mais qualidade de
vida e longevidade no futuro.
“Quando bem indicada, a reposição hormonal não é apenas para
tratar sintomas, mas pode atuar como estratégia de proteção metabólica,
cardiovascular, muscular e neurológica, integrando uma abordagem de saúde e
longevidade feminina e não uma solução estética ou ‘anti-aging’ superficial”,
destaca a especialista. “Reposição hormonal exige individualização e
acompanhamento médico, com avaliação criteriosa de riscos, escolha adequada de
via, tipo e dose hormonal, e integração com alimentação, exercício, sono e
manejo do estresse dentro de um plano terapêutico global”, complementa a Dra.
Ana Maria Passos.
1RABINOVICI, J.; OONK, H. P.; HUANG, Z.; et al. Perimenopausal Hormone Replacement Treatments as a Geroprotective Approach – Adapting Clinical Guidelines. Aging & Disease, 2025. Disponível em: Link. Acesso em: 09 fev. 2026.

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