Se no passado a gestão de dados era vista como um
acessório, hoje ela é questão de sobrevivência. Especialmente no agronegócio, a
conexão com mercados globais impõe regras rígidas, e o controle preciso da
informação é o que separa as empresas que lideram das que ficam pelo caminho.
Embora a tecnologia seja uma realidade no campo, o
setor ainda enfrenta desafios complexos. Diferente de outros segmentos, o Agro
monitora processos que vão do plantio à distribuição. Em toda essa jornada, as
informações precisam ser registradas com rigor, uma vez que qualquer
inconsistência pode inviabilizar transações internacionais.
Atualmente, o Brasil é líder na exportação de soja.
Projeções da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE)
indicam uma safra recorde e volumes inéditos de processamento. No comércio
internacional, o país deve manter a hegemonia com a exportação de 111,5 milhões
de toneladas do grão, uma alta de 0,5%.
Note que, embora o desempenho da soja abra portas,
a vertical lida com obstáculos logísticos e de governança. Um dos principais é
o fato de que boa parte do volume exportado pelas grandes tradings vem de
pequenos produtores. O desafio aqui é garantir que, mesmo vindo de terceiros, a
produção siga padrões de qualidade e sustentabilidade, cabendo ao exportador a
missão de assegurar e comprovar cada etapa.
Outro exemplo está na exportação de aves. Casos
recentes de gripe aviária trouxeram impactos significativos para a
comercialização. Por mais que existam fatores naturais imponderáveis, a
fiscalização deve ser implacável — da higienização às medições. A ausência
desse controle, ou um pequeno desvio nos registros, pode comprometer o acesso a
mercados inteiros.
Esses cenários ilustram que o agronegócio, como
qualquer setor, convive com riscos. A forma de minimizá-los é através dos
dados. São eles que permitem identificar lacunas preventivamente, mapear áreas
e obter a rastreabilidade total da cadeia.
Contudo, mesmo com ferramentas disponíveis, ainda
encontramos produtores que dependem de processos manuais. As chances de erros e
inconsistências são latentes. Diante dos pilares da agenda ESG e das
certificações obrigatórias, não basta mais o produtor afirmar que “preserva”;
ele precisa comprovar o que diz com evidências auditáveis.
Nesse sentido, o mercado já oferece soluções específicas,
como o SAP Sustainability Control Tower, que garante que a
organização opere em conformidade com os padrões nacionais e internacionais de
segurança ambiental.
Por meio de sistemas especializados, o
monitoramento torna-se automatizado, assegurando que os indicadores estejam
sempre corretos. Entretanto, de nada adianta ter mecanismos eficazes sem o
direcionamento estratégico para cada etapa. O apoio de especialistas é
indispensável para guiar essa jornada, fornecer insights, mitigar riscos e integrar
a gestão de dados como elemento central das operações.
Vivemos uma era em que os dados são os ativos mais
valiosos de uma companhia. Mais do que controle, essas informações melhoram as
margens de produção e garantem a saúde do negócio. Em um setor de tamanha
relevância, a falta de dados pode abrir as portas para prejuízos e fechá-las
para grandes oportunidades.
Alexandre Kuntgen - Partner da SolvePlan
SolvePlan
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