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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Dia Mundial da Conscientização do Autismo: SME lança material inédito de reforço a educação inclusiva

Divulgação: SME

Mais de 24,5 mil estudantes com autismo serão beneficiados; Cerca de 2 mil professores passarão por cursos de especialização na área

 

Neste dia 2/4 é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo e pensando em contribuir para a qualificação das práticas pedagógicas a esse público, a Secretaria Municipal de Educação (SME) lança, nesta mesma data, o documento “Transtorno do Espectro Autista: Possibilidades Pedagógicas”, idealizado e construído de forma colaborativa por profissionais da rede municipal de ensino. A Rede conta com mais de 24,5 mil estudantes com autismo matriculados, o que representa 65% dos 37,4 mil estudantes da Educação Especial. 

 

A SME oferece formação de professores para o atendimento a estudantes com TEA, com a oferta de cursos de especialização na área para mais de 2 mil docentes da Rede. Nas próximas formações estão programadas ações sobre mediação em situações de desorganização de estudantes com TEA. 

 

Com foco na qualificação profissional, aproximadamente 41% dos profissionais da educação, em torno de 42,4 mil educadores, participaram de alguma formação voltada à Educação Especial, seja de curta duração ou lato sensu, promovidos pela secretaria ou realizados em outras instituições.

 

Conforme consta no Currículo da Cidade, a rede municipal de ensino trabalha com a educação inclusiva, assegurando o direito de todos de aprender, participar e se desenvolver com equidade, e tem como principais objetivos assegurar o acesso, a permanência, a participação plena e a aprendizagem dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Altas Habilidades ou Superdotação (AH/SD) e demais deficiências nas unidades educacionais.

 

Para o atendimento integral e o apoio a esses estudantes, a SME conta com Salas de Recursos Multifuncionais e mais de 9,4 mil profissionais, entre Professores de Atendimento Educacional Especializado e Professores de Acompanhamento e Apoio à Inclusão, estagiários, equipes multidisciplinares dos 13 Centros de Formação e Acompanhamento à Inclusão e Auxiliares de Vida Escolar, que são responsáveis pelo apoio nas atividades de alimentação, higiene, locomoção, comunicação e interação.

 

Lançamento do documento TEA


O novo material se apresenta como um importante instrumento para ampliar os diálogos na Rede Municipal de Ensino, contribuindo para a qualificação das práticas pedagógicas e para a garantia da participação e da aprendizagem de todos os bebês, crianças e estudantes.

 

Idealizado em 2025, com continuidade em 2026, o documento também foi composto por professoras e professores de Apoio e Acompanhamento à Inclusão (PAAIs) e representantes da Divisão de Educação Especial (DIEE/SME).

 

A produção do documento partiu da escuta das unidades educacionais, no contexto das itinerâncias dos PAAIs nos territórios, em interlocução com gestores, professores, estudantes, famílias e demais profissionais da educação.

 

Esse processo permitiu ancorar o documento nas experiências do cotidiano escolar, valorizando saberes da prática e respondendo às demandas da Rede. O material destaca a articulação entre o trabalho desenvolvido na sala comum, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e os serviços de apoio, evidenciando que a inclusão se constrói de forma coletiva.

 

O lançamento representa mais um avanço na consolidação dos princípios que orientam a educação municipal: inclusiva, integral e equitativa. Ao sistematizar práticas, ampliar repertórios e fortalecer o diálogo entre os diferentes atores da Rede, a RME reafirma seu compromisso com a garantia do direito à educação de todos os estudantes. O documento está disponível no Acervo Digital da SME: https://acervodigital.sme.prefeitura.sp.gov.br/. 


Durante o mês de abril, a SME promoverá iniciativas de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), com formações e uma variedade de ações, como encontros virtuais, podcasts, palestras presenciais, simpósios, relatos de práticas e propostas de atividades inclusivas.

 


Secretaria Municipal de Educação (SME)
Confira aqui as conquistas da Pasta nos últimos anos.



Abril Azul reforça conscientização sobre o autismo e abre vagas gratuitas para programa voltado a famílias

 Freepik
Programa oferece orientação prática a pais de crianças com TEA e disponibiliza cinco vagas gratuitas para famílias da rede pública


Abril, reconhecido internacionalmente como o mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), amplia o debate sobre inclusão, acesso à informação e suporte às famílias. A mobilização ganha força especialmente no dia 2 de abril, Dia Mundial da Conscientização do Autismo, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de estimular políticas públicas e combater o preconceito.

Dados recentes reforçam a dimensão do tema. De acordo com estimativas do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), uma em cada 36 crianças está dentro do espectro autista. No Brasil, embora ainda não haja um censo específico consolidado, especialistas apontam crescimento no número de diagnósticos e aumento da demanda por serviços de apoio, sobretudo na rede pública de ensino.


Demanda crescente por apoio às famílias

Diante desse cenário, iniciativas que oferecem orientação prática ganham relevância. É o caso do Método Estudo Sem Crise, programa desenvolvido para auxiliar pais e responsáveis a lidarem com os desafios do aprendizado e do comportamento de crianças com TEA no ambiente doméstico.

O método foi criado pela pedagoga Alessandra Freitas, formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mestre em Estilos de Aprendizagem e Alfabetização pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Intervenção ABA e Avaliação de Alunos Autistas pelo CBI of Miami. Com mais de 23 anos de experiência na formação de educadores, a profissional atua na construção de estratégias pedagógicas mais eficazes e inclusivas.


Experiência profissional e vivência pessoal

Além da trajetória acadêmica e da atuação na educação, Alessandra também é mãe de uma criança autista nível 3. A vivência cotidiana com os desafios do TEA foi determinante para a criação do método, ao unir conhecimento técnico e experiência prática.

Eu vivi, na prática, a angústia de não ter apoio, de não saber por onde começar e de sentir medo de estar fazendo errado. O Método Estudo Sem Crise nasce justamente dessa inquietação, para oferecer às famílias um caminho estruturado, com segurança e estratégias aplicáveis à rotina, afirma.

Baseado em princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), o programa propõe um passo a passo voltado à organização da rotina, à redução de crises e ao estímulo do aprendizado, com foco em avanços consistentes ao longo do tempo.


Acesso ampliado durante o Abril Azul

Como parte das ações do Abril Azul, a iniciativa disponibiliza cinco vagas gratuitas destinadas a pais de filhos autistas matriculados em escolas públicas. A proposta é ampliar o acesso a estratégias que, muitas vezes, ficam restritas a atendimentos especializados e de alto custo.

A ação ocorre em um contexto em que a inclusão educacional ainda representa um desafio. Dados do Censo Escolar indicam crescimento nas matrículas de estudantes com deficiência, incluindo autismo, na rede regular de ensino, o que reforça a necessidade de suporte contínuo tanto para escolas quanto para famílias.

Para mais informações sobre as inscrições solidárias, entre em contato pelo telefone (16) 99193-6113. As vagas são limitadas e o cadastro deve ser realizado pelo site oficial.


Serviço

Programa: Método Estudo Sem Crise
Público-alvo: Pais, responsáveis, professores e coordenadores
Vagas gratuitas:
5 vagas para famílias de estudantes da rede pública
Inscrições: Já abertas
Informações e cadastro:
https://mundoautis.com.br/estudosemcrise

 

Mapeamento genético avança como aliado na prevenção do câncer de mama e ganha força no debate público

 

Iniciativas da UNACCAM ampliam o acesso à informação e reforçam o papel da genética na detecção precoce e no cuidado personalizado da saúde da mulher

 

A discussão sobre o acesso a testes de mapeamento genético tem ganhado espaço no Brasil em meio à busca por estratégias mais eficazes de prevenção do câncer de mama. Embora o exame já seja utilizado na prática clínica, sua disponibilidade ainda é limitada, especialmente no sistema público, o que mantém parte da população distante de uma ferramenta capaz de identificar riscos hereditários antes mesmo do surgimento da doença.

O câncer de mama segue como o tipo mais incidente entre mulheres no Brasil, com cerca de 73 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), órgão do Ministério da Saúde responsável pela prevenção, controle, pesquisa e tratamento do câncer em todo o país. Nesse cenário, o mapeamento genético vem se consolidando como um recurso importante para orientar condutas médicas e ampliar as possibilidades de prevenção e diagnóstico precoce.

Mais do que identificar riscos, o teste genético permite personalizar o acompanhamento médico, antecipar exames e, em muitos casos, adotar medidas preventivas antes mesmo do surgimento da doença. Estima-se que entre 10% e 20% dos casos de câncer tenham origem hereditária, frequentemente associados a mutações como BRCA1 e BRCA2, o que reforça a importância da investigação genética, especialmente em pacientes com histórico familiar.

Nesse contexto, a União e Apoio no Combate ao Câncer de Mama (UNACCAM) tem ampliado sua atuação na conscientização sobre o tema e na disseminação de informações, com o objetivo de aproximar o mapeamento genético da população e estimular a busca por orientação médica adequada. A entidade destaca que o exame pode contribuir não apenas para a detecção precoce do câncer de mama, mas também de outros tipos de tumores, como o de ovário, permitindo estratégias preventivas mais abrangentes.

“O mapeamento genético permite identificar se uma pessoa tem uma predisposição ao câncer antes mesmo da doença aparecer. Com isso, conseguimos atuar de forma muito mais preventiva e assertiva”, explica Dr. José Cláudio Casali, Oncogeneticista do A.C. Camargo Cancer Center e parceiro da UNACCAM. “Quando identificamos uma variante genética, conseguimos adaptar o acompanhamento, antecipar exames e incluir métodos mais sensíveis para detectar lesões precoces. O objetivo é diagnosticar cedo e mudar o desfecho da doença.”

Segundo o especialista, o impacto do exame também se estende ao ambiente familiar. “Quando encontramos uma alteração genética, conseguimos avaliar outros familiares e agir antes que a doença apareça. Passamos a atuar de forma preventiva em um grupo inteiro.”

Na prática clínica, o resultado do mapeamento genético pode redefinir condutas médicas. Em casos negativos, o acompanhamento segue protocolos padrão. Já em resultados positivos, o rastreamento pode ser intensificado, com antecipação de exames e adoção de medidas preventivas específicas. Além disso, o teste também tem papel relevante na definição de terapias direcionadas a mutações específicas.

Estudos indicam que o mapeamento genético pode ser custo-efetivo ao possibilitar diagnósticos mais precoces e reduzir a complexidade dos tratamentos. Ainda assim, o acesso no Brasil permanece restrito, sobretudo na rede pública, que não disponibiliza amplamente o exame no SUS e enfrenta escassez de profissionais especializados em aconselhamento genético, etapa considerada essencial antes e depois da testagem.

A UNACCAM também chama atenção para a necessidade de ampliar o acesso e reduzir barreiras, por meio de iniciativas voltadas a públicos prioritários, como programas e mutirões. A recomendação é que mulheres com histórico familiar ou casos de diagnóstico precoce na família procurem avaliação médica para orientação adequada.

“Muitas pessoas ainda têm receio de descobrir um risco genético, mas a informação é justamente o que permite mudar a história. Existe uma cultura de que é melhor não saber, quando na verdade o conhecimento permite prevenir. É melhor enfrentar o risco do que enfrentar o câncer”, afirma Clarísia Ramos, presidente da UNACCAM.

De acordo com ela, ampliar o debate é um passo importante para fortalecer a conscientização sobre o tema. “Quando falamos de mapeamento genético, estamos falando de dar às mulheres a oportunidade de conhecer seu risco e agir antes. Informação de qualidade salva vidas e pode mudar o futuro de famílias inteiras”, completa.

Com a intensificação das discussões sobre a incorporação de testes genéticos no sistema público e a necessidade de estruturar o acompanhamento dos pacientes, o mapeamento genético se consolida como um dos caminhos para tornar a prevenção do câncer de mama mais precisa, eficiente e acessível no país.

Mais informações estão disponíveis em: https://unaccam.org.br/


Abril Marrom alerta: até 80% dos casos de cegueira poderiam ser evitados

 

A consulta anual ao oftalmologista é indicada, mesmo para
quem não tem nenhum sintoma de problemas da visão.
Shutterstock
Brasil é um dos países em que as pessoas mais perdem a visão por falta de diagnóstico

 

De 60% a 80% dos casos de cegueira no mundo são evitáveis ou tratáveis. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que ainda alertam que o problema segue crescente, impulsionado pelo envelhecimento da população e pelo aumento de doenças crônicas, como o diabetes. 

O mês de conscientização conhecido como Abril Marrom reforça um alerta importante: no Brasil, as doenças oculares silenciosas continuam avançando, na grande maioria das vezes sem que o paciente perceba. 

“O Brasil ainda é um dos locais com grande concentração de cegueira tratável. A catarata continua sendo a principal causa, e isso mostra que ainda temos pessoas perdendo a visão por algo que poderia ser resolvido”, afirma o oftalmologista Leon Grupenmacher, coordenador da oftalmologia do Eco Medical Center.

 

Catarata: a principal causa (reversível) de cegueira

Conforme o oftalmologista, a catarata é responsável por cerca de metade dos casos de cegueira no mundo. A doença está diretamente ligada ao envelhecimento e ocorre quando o cristalino do olho perde a transparência. 

Na prática, o paciente começa a perceber sinais como visão embaçada ou “amarelada”, dificuldade para dirigir à noite, perda de nitidez das cores e sensação de “vidro fosco” nos olhos. “Com o tempo, isso começa a impactar tarefas simples do dia a dia, como assistir TV ou dirigir. Ou o paciente começa a tropeçar em coisas que não enxergou no caminho”, explica o médico. 

Apesar disso, a catarata é curável. O tratamento é cirúrgico e devolve a visão ao paciente, permitindo que ele retome suas atividades normalmente. Uma cirurgia simples, rápida e indolor.

 

Glaucoma: doença silenciosa e irreversível (mas controlável)

De acordo com a OPAS o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo, sendo responsável por cerca de 12% a 13% dos casos globais de perda total da visão. Estima-se que mais de 60 milhões de pessoas convivam com a doença no planeta. 

No Brasil, dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indicam que entre 1,5 milhão e 2 milhões de pessoas têm glaucoma. E o mais preocupante é que uma parcela significativa desses pacientes ainda não foi diagnosticada. 

“O glaucoma não dá sintomas no início. A pressão do olho vai danificando o nervo óptico aos poucos. Quando o paciente percebe, já perdeu parte da visão. E essa perda é irreversível”, alerta Leon. 

O especialista destaca que a doença costuma afetar primeiro a visão periférica, o que dificulta a percepção inicial. No trânsito, por exemplo, o motorista perde a capacidade de notar veículos na lateral e acaba sempre fechando outros motoristas durante mudanças de faixa. 

Dentro de casa, passa a esbarrar em objetos laterais. No entanto, a leitura - essa visão mais frontal - continua normal, o que mascara o problema e o paciente tende a achar que os deslizes no trânsito e esbarrões em objetos não são nada demais. 

“O glaucoma não tem cura, mas tem tratamento. Com colírios e acompanhamento, conseguimos preservar a visão, frear a doença. Por isso, é muito impactante ver pacientes perderem a visão por algo que poderia ser controlado.”

 

Retinopatia diabética: o impacto do diabetes na visão

Outra preocupação crescente é a retinopatia diabética, considerada uma das principais causas de cegueira em idade produtiva. Segundo a OPAS, uma parcela significativa das pessoas com diabetes desenvolverá algum grau da doença ao longo da vida. Estudos na América Latina indicam prevalência que pode chegar a mais de 30% entre diabéticos. 

O problema é que, assim como o glaucoma, ela pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais. Quando aparecem, os sinais incluem manchas escuras na visão, visão borrada e dificuldade para focar. A boa notícia é que, com controle do diabetes e acompanhamento oftalmológico, o avanço pode ser reduzido ou até evitado.

 

Ceratocone: distorção da visão ainda na adolescência

Menos conhecido, o ceratocone também merece atenção, principalmente entre jovens. A doença provoca uma alteração na córnea, que passa a ter formato irregular, distorcendo a visão. 

“A imagem começa a ficar deformada, como se estivesse distorcida. A luz incomoda mais, especialmente à noite, e o paciente perde o foco”, explica Leon. 

Outro fator de risco importante é o hábito de coçar os olhos. O médico explica que coçar o olho não causa ceratocone. Mas, para quem já tem a doença sem saber, isso piora o quadro, porque o paciente passa a pressionar a estrutura ocular. Hoje, existem tratamentos eficazes, especialmente quando o diagnóstico é precoce.

 

Falta de prevenção ainda é um obstáculo

Mesmo com informação disponível, o comportamento da população ainda preocupa. Um estudo publicado na revista científica da plataforma SciELO aponta que 11,4% dos brasileiros nunca foram ao oftalmologista. E que cerca de 35% só procuram atendimento quando já têm dificuldade para enxergar. O problema é que, nesse estágio, muitas doenças já estão avançadas. A recomendação de especialistas é clara: é preciso consultar o oftalmologista pelo menos uma vez por ano, mesmo sem sintomas. 

Sendo assim, há sintomas que não devem ser ignorados e que nem sempre são óbvios:

  • dificuldade para enxergar à noite
  • sensibilidade à luz
  • perda gradual da visão lateral
  • necessidade frequente de trocar o grau dos óculos
  • visão embaçada ou distorcida

“Quanto mais cedo a gente diagnostica, maior a chance de preservar a visão. Seja com cirurgia, colírio ou acompanhamento, o tratamento precoce muda completamente o futuro do paciente”, aconselha o Dr. Leon.

 


Cirurgia para Parkinson: quando ela é indicada?

No Dia Nacional do Parkinsoniano (04/04), especialista explica em quais casos o procedimento é recomendado e quais são os critérios de indicação

 

A Doença de Parkinson, condição neurológica degenerativa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, deve crescer de forma expressiva nas próximas décadas. Um estudo recente publicado no British Medical Journal (BMJ) aponta que o número de pessoas vivendo com a doença pode mais que dobrar até 2050, alcançando 25,2 milhões de casos. Mesmo sendo a segunda doença neurodegenerativa mais comum, atrás apenas do Alzheimer, o Parkinson ainda é cercado de dúvidas, especialmente em relação às possibilidades de tratamento. 


Inicialmente, a abordagem mais comum é baseada em medicamentos, sendo a cirurgia uma alternativa em momentos específicos da evolução da doença. “A cirurgia na Doença de Parkinson nunca é o primeiro e nem o último recurso. Em linhas gerais, ela deve ser considerada quando o remédio ainda funciona, mas já não consegue controlar bem o dia a dia do paciente”, explica Dr. Normando Guedes, médico neurocirurgião e professor na pós-graduação  da Afya Goiânia e da Afya Brasília. 


Nessas situações, sinais como flutuações motoras importantes, quando há oscilações na resposta aos medicamentos ao longo do dia; tremores incapacitantes que não respondem adequadamente ao tratamento clínico e a presença de discinesias (movimentos involuntários provocados pela própria medicação) podem indicar a necessidade de avaliação cirúrgica. “Pacientes que apresentam grandes variações no controle dos sintomas ou efeitos colaterais relevantes do tratamento medicamentoso podem ser candidatos à cirurgia”, destaca o especialista.


Entre os procedimentos disponíveis, a estimulação cerebral profunda (DBS) é uma das principais opções, atuando diretamente em áreas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos. A indicação, no entanto, é sempre individualizada. “Os melhores candidatos são aqueles que ainda respondem à levodopa (medicamento usado no tratamento da doença que se transforma em dopamina no cérebro, ajudando a reduzir tremores, rigidez e lentidão dos movimentos.),mas já enfrentam dificuldades no controle dos sintomas ao longo do dia. Avaliamos fatores como idade, tempo de evolução da doença, presença de comorbidades e o perfil dos sintomas predominantes”, afirma Dr. Normando.


De modo geral, pacientes mais jovens, sem comprometimento cognitivo significativo e com predominância de sintomas motores tendem a apresentar melhores resultados. Por outro lado, a presença de demência ou doenças clínicas graves pode limitar a indicação cirúrgica. “Um dos maiores erros é acreditar que a cirurgia é um último recurso. Na verdade, ela tem indicações precisas e uma janela de tempo ideal para ser considerada”, reforça o médico da Afya.


Embora não seja curativa, a cirurgia pode proporcionar melhora significativa na qualidade de vida, reduzindo tremores, rigidez e a dependência de medicamentos. Por isso, o acompanhamento com uma equipe multidisciplinar é essencial para identificar o momento adequado de indicar o procedimento e garantir ao paciente acesso a todas as opções terapêuticas ao longo da evolução da doença.

 

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Alergias alimentares na infância: especialistas da Rede Mater Dei alertam sobre os riscos da anafilaxia e a importância de infraestrutura de emergência

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Condição exige rápido reconhecimento dos sintomas e o suporte de UTIs pediátricas para evitar desfechos fatais em casos de reações severas

 

Inofensivos para a maioria das pessoas, alimentos comuns como leite de vaca, ovos, amendoim e frutos do mar podem representar um risco iminente para uma parcela significativa da população infantil. As alergias alimentares são uma resposta exagerada do sistema imunológico a determinadas proteínas e, em seus quadros mais graves, podem evoluir rapidamente para a anafilaxia — uma reação sistêmica letal se não tratada a tempo. 

Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), estima-se que as alergias alimentares afetem de 6% a 8% das crianças com menos de três anos de idade. A condição também é mais comum em pacientes que apresentam outros tipos de doenças alérgicas, incidindo em 38% das crianças com dermatite atópica e em 5% das crianças com asma, por exemplo. A predisposição genética também impacta filhos de pais e mães com alergia, os quais têm 75% de chance de serem alérgicos também.1 A identificação rápida dos sinais e a intervenção médica imediata são os pilares para salvar vidas durante uma crise. 

A gravidade do tema ganhou evidência nacional nos últimos dias após o caso envolvendo a pequena Zaya, de 3 anos, filha do jogador de futebol Hulk Paraíba. A criança apresentou um quadro de choque anafilático e, após receber os primeiros socorros, foi transferida para a Rede Mater Dei de Saúde, onde contou com suporte pediátrico intensivo e especializado até sua completa estabilização e alta.
 

Sinais de alerta

A Dra. Adriana Pitchon, alergista e imunologista clínica e pediátrica na Rede Mater Dei, explica que as alergias alimentares normalmente se manifestam em um período que pode variar de minutos até 2 horas desde a ingestão dos alimentos. “Os sintomas variam, podendo incluir o aparecimento de vermelhidão ou de lesões de pele, como a urticária e/ou inchaço da face, lábios e olhos, vômitos repetidos, dificuldade para respirar, chiado, tosse persistente, estridor, rouquidão, sonolência, tontura, palidez, queda da pressão e desmaio”, aponta a especialista. 

Quando a alergia atinge um estágio severo, conhecido como anafilaxia, os riscos são ainda maiores, pois a combinação de fatores, como a obstrução das vias aéreas e a queda brusca de pressão arterial, pode levar rapidamente à perda de consciência e parada cardiorrespiratória, exigindo a aplicação de adrenalina autoinjetável e suporte hospitalar de alta complexidade. 

“O choque anafilático é a forma mais grave da anafilaxia, caracterizado por uma falha circulatória que ameaça a vida. A adrenalina (epinefrina) é o único medicamento capaz de reverter simultaneamente todos os sintomas da anafilaxia. Por isso é essencial a agilidade no atendimento, uma vez que a reação evolui de forma rápida e imprevisível, e o atraso na aplicação é um fator de risco para fatalidades”, alerta o Coordenador da UTI pediátrica do Hospital Mater Dei Contorno, Dr. Luís Fernando Andrade de Carvalho. 

No entanto, o tratamento não se encerra com a melhora inicial da criança na sala de emergência. "A UTI Pediátrica entra em cena quando o paciente apresenta uma anafilaxia refratária – ou seja, que não respondeu às doses iniciais de adrenalina intramuscular – ou para a identificação de uma possível reação bifásica, caracterizada pela recorrência dos sintomas graves de anafilaxia após uma melhora inicial aparente, mesmo sem nova exposição ao alérgeno”, explica o pediatra. “Crianças que tiveram reações graves ou que precisaram de mais de uma dose de adrenalina devem ser observadas por, no mínimo, 12 horas após a resolução dos sintomas. Esse período é crítico porque, embora a criança pareça bem, os mediadores inflamatórios podem causar um novo colapso respiratório ou cardiovascular horas depois.”
 

Como agir em caso de reação alérgica?

Em caso de suspeita de alergia alimentar, a primeira medida é a suspensão imediata do alimento suspeito da dieta. Posteriormente, é fundamental buscar a avaliação de um especialista para confirmar o diagnóstico e estabelecer um plano de ação, que consiste em instruções claras sobre como agir e tratar uma possível reação alérgica ou anafilática. Também deve ser avaliada, juntamente ao médico especialista, a necessidade de portar o autoinjetor de epinefrina. 

“No caso da alergia alimentar ser confirmada, a criança, todos os seus cuidadores e pessoas do convívio íntimo devem ser informadas a respeito da alergia e alertadas quanto à importância da exclusão daquele alimento da dieta do paciente”, indica Dra. Adriana, reforçando a importância do diagnóstico correto e de planos de ação nas escolas e em casa. “A leitura cuidadosa dos rótulos também ajuda a evitar os consumos acidentais. Atualmente muito pode ser feito para melhorar a qualidade de vida do bebê/criança alérgico e de sua família, incluindo (em casos específicos) tratamentos capazes de ajudar a criança a atingir a tolerância.”

 

Rede Mater Dei de Saúde

Unidades
Minas Gerais: Hospital Mater Dei Santo Agostinho, Hospital Mater Dei Contorno, Hospital Mater Dei Betim-Contagem, Hospital Mater Dei Nova Lima, Hospital Mater Dei Santa Genoveva, CDI Imagem e Hospital Mater Dei Santa Clara.

Bahia: Hospital Mater Dei Salvador e Hospital Mater Dei Emec

Goiás: Hospital Mater Dei Goiânia


Referências:

1 - Alergia alimentar – ASBAI. Disponível em: . Acesso em: 30 mar. 2026.

 

Tumores ósseos são raros, mas podem atingir jovens e adolescentes

Quando se fala em câncer, muitas pessoas associam a doença ao envelhecimento. No entanto, alguns tipos de tumores podem surgir justamente em fases mais precoces da vida. É o caso de determinados tumores ósseos, que, embora raros, podem afetar crianças, adolescentes e adultos jovens. 

Segundo o Dr. Fábio Elói, cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Oncologista Ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO), a raridade desses tumores faz com que muitas vezes o diagnóstico demore mais do que deveria. 

“Os tumores ósseos representam uma parcela pequena entre os tipos de câncer, mas alguns deles são mais frequentes justamente em jovens e adolescentes. Como os sintomas iniciais podem ser confundidos com lesões esportivas ou dores do crescimento, muitas vezes há atraso na investigação”, explica. 

Entre os tumores malignos primários do osso mais conhecidos estão o osteossarcoma e o sarcoma de Ewing, que tendem a surgir principalmente durante o período de crescimento acelerado, na adolescência.

 

Sintomas que merecem atenção 

O principal sinal de alerta costuma ser a dor persistente em um osso ou articulação, que não melhora com repouso ou tratamento convencional. Em alguns casos, pode haver também inchaço local, limitação de movimento ou até fraturas que acontecem após traumas leves. 

De acordo com o Dr. Fábio Elói, que é especialista no diagnóstico e tratamento de tumores do sistema musculoesquelético, é importante observar quando a dor se prolonga por semanas ou piora progressivamente. 

“Nem toda dor óssea significa tumor e a maioria dos casos está relacionada a causas benignas. Mas quando a dor é persistente, especialmente se ocorre à noite ou vem acompanhada de aumento de volume na região, é fundamental procurar avaliação médica”, orienta.

 

Diagnóstico precoce faz diferença 

A investigação geralmente começa com exames de imagem, como radiografia, tomografia ou ressonância magnética. Quando existe suspeita de tumor, pode ser necessária uma biópsia para confirmação do diagnóstico. 

O especialista ressalta que o diagnóstico precoce tem papel importante no sucesso do tratamento. 

“Hoje contamos com avanços significativos no tratamento dos tumores ósseos, que podem envolver cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia. Em muitos pacientes, é possível retirar o tumor e reconstruir o osso com próteses ou enxertos, preservando o membro e a funcionalidade”, afirma.

 

Avanços na cirurgia evitam amputações 

Nas últimas décadas, a evolução das técnicas cirúrgicas tem permitido resultados cada vez melhores. Em muitos casos, procedimentos de reconstrução óssea possibilitam preservar o membro afetado, mantendo qualidade de vida e capacidade funcional. 

“Antigamente, muitos tumores ósseos levavam à amputação. Hoje, com planejamento adequado e técnicas modernas de reconstrução, conseguimos salvar o membro em grande parte dos pacientes”, destaca o Dr. Fábio Elói. 

Apesar de raros, os tumores ósseos reforçam a importância de valorizar sinais persistentes do corpo, especialmente em crianças e adolescentes. O acompanhamento médico e a investigação adequada são fundamentais para garantir diagnóstico precoce e melhores resultados no tratamento.

 

Dr. Fábio Elói - cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em Ortopedia e Traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopédico pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO)


Miopia em jovens impulsiona cirurgia refrativa

Tres em cada 10 mulheres não gostam de óculos. OMS estima que no Brasil 40% dos casos de miopia se concentram dos 20 aos 30 anos.  

 

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que em 2025 o Brasil atingiu um total de 31,8 milhões de míopes. O País vive uma mudança silenciosa: a miopia começa cada vez mais cedo. Mas concentra na população entre 20  e 30 anos o maior número de casos - 40% do total contra 70% nos países asiáticos. 

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier de Campinas e membro da ABCCR (Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa) entre jovens a condição deixa de ser apenas biológica. Passa a impactar na produtividade, mobilidade e qualidade de vida. Nos consultórios, ressalta, o efeito é direto:  cresce a procura pela cirurgia refrativa dos que têm de 25 a 35 anos. Isso porque, explica, nesta faixa etária o grau está estabilizado, diminuem o desempenho, muitos jovens, especialmente as mulheres, 3 em cada 10, não gostam de usar óculos e uma parcela importante não se adapta às lentes de contato. 

Se você tem medo de passar pela cirurgia saiba que a segurança e satisfação dos pacientes que passaram pelo procedimento foi comprovada em estudo conduzido pelo FDA, agência americana similar à ANVISA, NEI (National Eye Institute) e o Departamento de Defesa dos EUA.

Intitulado PROWL (Patient-Reported Outcomes With Lasik), ou (Resultados Relatados pelo Paciente com Lasik) em tradução livre, o estudo mostra que menos de 1% dos que passaram pela cirurgia teve dificuldade nas atividades habituais e mais de 95% ficaram satisfeitos com a visão.

 

Qual a melhor cirurgia

Queiroz Neto afirma que a melhor técnica cirúrgica é a que mais se adapta à espessura da córnea, condições do filme lacrimal, grau da miopia e estilo de vida de cada paciente. 

Por exemplo, comenta, para pacientes que tem córnea fina, praticantes de esportes de alto impacto e agentes de segurança ou outras atividades que expõe os olhos a traumas a técnica mais segura é a PRK.  Isso porque consiste em raspar com um bisturi as células do epitélio, camada externa da córnea que tem grande capacidade de regeneração.  Para se ter ideia a completa recuperação do epitélio acontece entre 48 e 72 horas. Apesar disso a recuperação é mais lente. A principal recomendação é não retirar a lente curativo antes de completar 72 horas. 

Nas técnicas Lasik e Intralase a visão é corrigida, recortando uma lamela da córnea para remodelar com o laser seu formato. A diferença entre elas, é que no Lasik o corte é manual e no Intralase é feito pelo laser de femtosegundo que torna o procedimento mais preciso. 

“Para altos graus, córneas finas e pessoas com deficiência na produção da lágrima a cirurgia mais indicada é o implante de ICL, uma microlente que fica entre a íris, parte colorida do olho, e o cristalino”, pontua. Queiroz Neto ressalta que a ICL também é indicada para correção de astigmatismo que pode estar associado à hereditariedade ou quando a córnea toma um formato ovalado pelo hábito de coçar ou esfregar os olhos. O oftalmologista explica que isso provoca a def0rmação da córnea que passa a projetar imagens em vários pontos da retina, tornando a visão de perto e de longe distorcidas.  O implante não é indicado para hipermetropia, dificuldade de enxergar de perto, porque o espaço entre a córnea e a íris pode ser estreito em hipermetropes e a IC levaria ao desenvolvimento de glaucoma.

 

 Novas terapias

Queiroz Neto ressalta que o aumento da miopia no mundo transformou o tratamento a partir da descoberta de que é a periferia da retina e não a retina que induz ao crescimento axial do olho – distância entre a córnea (lente externa) e a retina (fundo do olho). característica fisiológica de olhos com alta miopia em que o comprimento do olho é de 26mm ante 22 a 23 mm em olhos com comprimento normal.

A partir daí foram desenvolvidos três tipos de lente de contato e de óculos para controlar o crescimento do olho.

São elas: lente de desfoque periférico, lentes com foco central menor para fortalecer o desfoque periférico e lentes multifocais que adiciona alto poder de foco à visão periférica e à distância.

Queiroz Neto afirma que todas estas terapias funcionam e frequentemente a prescrição é conjugada, conforme as características da criança.

 

Prevenção

A alta miopia, alerta, estica e fragiliza a retina que é fina como um papel celofane, pode romper e levar à perda da visão. Outras condições graves desencadeadas pelo avanço da miopia são a catarata precoce, glaucoma e em casos extremos degeneração macular. Diversos estudos sugerem que apenas 30% estão associados à genética. A maior causa da miopia na infância é, sem dúvida, o excesso de telas, diz o especialista. Isso ficou demostrado em um levantamento realizado por Queiroz Neto com 360 crianças e foi comprovado durante a pandemia de Covid por pesquisa do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia).

O oftalmologista ressalta que para prevenção da miopia a AAO (Academia Americana de Oftalmologia) indica duas horas de atividades sob o sol/dia. Isso porque há evidências de que a exposição ao sol aumenta a produção de dopamina, hormônio do bem-estar que inibe que o crescimento do olho.

Alimentação inadequada com excesso de açúcar e   ultra processados também devem ser evitadas. Por outro lado, a dieta mediterrânea melhora a circulação do globo ocular e aumenta a resistência da esclera diminuindo a progressão

Os sinais de alerta que indicam emergência oftalmológica em altos míopes elencados por Queiroz Neto são:  enxergar inúmeras mocas volantes, flashes de luz, perda súbita da visão. Para viver melhor é preciso ver, conclui.


Crianças, chocolate e garganta: quando o excesso da Páscoa pode virar problema

Aumento de queixas como garganta irritada, pigarro, tosse leve e sensação de secreção acumulada na Páscoa
 

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, o problema não está no consumo pontual do chocolate na Páscoa, mas no excesso. De acordo com o médico, o chocolate, especialmente os mais ricos em açúcar e gordura, pode favorecer uma sensação maior de pigarro na garganta. “Não significa que ele produza secreção diretamente, mas pode intensificar a produção de ácido gástrico. Ó ácido quando chega nesta região promove uma irritação, sentida como uma bola ou algo preso na garganta. Além disso, pode piorar sintomas em crianças que já têm rinite, sinusite ou tendência alérgica”, explica.

Outro ponto de atenção é a composição dos chocolates mais consumidos nessa época. Produtos com leite, corantes e aditivos podem atuar como gatilhos inflamatórios e/ou alérgicos leves, contribuindo para irritações na via aérea superior.
 

Por que a garganta sofre mais com o consumo de chocolate?

A Páscoa coincide com o outono, período marcado por mudanças de temperatura, ar mais seco e aumento de quadros alérgicos e infecciosos. Essa combinação — clima + excesso de chocolate— pode deixar a mucosa da garganta mais sensível. Além disso, o consumo elevado de doces pode levar a uma menor ingestão de água, o que contribui para o ressecamento das vias aéreas e intensifica o desconforto.
 

Sinais de alerta nas crianças após o consumo exagerado de chocolate:

• Tosse persistente

• Pigarro frequente

• Queixa de garganta arranhando ou ardendo

• Sensação de “catarro parado ou de bola na garganta”

• Voz mais rouca

“Em crianças com histórico de alergias respiratórias, esses sintomas podem aparecer com mais intensidade. Mas, não é necessário restringir completamente o chocolate — mas sim orientar o consumo”, fala o médico que deixa algumas medidas simples podem fazer diferença:

• Evitar grandes quantidades em um único dia

• Oferecer água com frequência

• Intercalar o consumo com frutas e refeições equilibradas

• Preferir chocolates com menos aditivos e maior teor de cacau

• Manter a rotina alimentar o mais regular possível

Dr. Bruno alerta para que se os sintomas persistirem por mais de alguns dias, piorarem ou vierem acompanhados de febre, dificuldade para engolir ou chiado no peito, é importante buscar avaliação médica. “Em alguns casos, o quadro pode evoluir para infecções ou crises alérgicas mais intensas já que o sistema respiratório infantil é mais sensível e responde rapidamente a mudanças na alimentação e no ambiente”, finaliza.
  


FONTE:
Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista. 
Médico otorrinolaringologista pela UNIFESP. Pós-graduação pela UNIFESP. Especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.


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