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domingo, 21 de dezembro de 2025

Seletividade alimentar e festas de fim de ano, como agir para ajudar as crianças?

Pressão familiar, pratos desconhecidos podem transformar festas de final de ano em um verdadeiro campo minado para crianças com seletividade alimentar. Nutricionista e pediatra revelam estratégias práticas e nada óbvias para garantir refeições mais leves, respeitosas e sem brigas durante as celebrações


As festas de fim de ano costumam reunir família, afetos e uma mesa farta, mas, para muitas crianças seletivas, o cenário pode ser sinônimo de estresse. Pratos desconhecidos, temperos fortes, horários irregulares e comentários de parentes criam um ambiente desafiador tanto para a criança quanto para os pais.

Renata Riciati nutricionista materno-infantil ressalta que a seletividade não é “manha”, mas, uma dificuldade real que piora com pressão. “A criança seletiva já chega às festas lidando com estímulos novos demais: cheiros, texturas, barulho, gente opinando. Quando ela sente segurança, ela come melhor; quando sente cobrança, come menos”, explica.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a prevalência de dificuldades alimentares na infância varia entre 20% e 60% no mundo, com índices brasileiros entre 37% e 44%. Dra. Elisabeth Fernandes pediatra, da SBP, reforça que a mudança de ambiente impacta diretamente o comportamento alimentar. “Fora da sua zona de conforto, a criança pode recusar alimentos simplesmente porque não reconhece o cheiro, o tempero ou a apresentação. Isso não é teimosia é proteção”, afirma.


Como preparar a criança antes da festa

A previsibilidade é uma aliada poderosa. A pediatra Elisabeth orienta que os pais antecipem o cardápio usando fotos ou descrições simples. “Manter os horários habituais das refeições evita fome excessiva e irritabilidade. E permitir que a criança leve um alimento de preferência dá a ela um ponto de segurança”, orienta.

Renata complementa: “Combine o plano com a criança: ‘vai ter muita comida diferente, mas, você pode comer o que gosta e, se quiser, experimentar algo novo’. Quando ela sabe o que esperar, chega mais tranquila e aberta ao novo”.


Estratégias que funcionam na prática e evitam brigas:


1. Leve de 1 a 3 alimentos seguros

São aqueles que a criança aceita bem, sem conflitos: arroz branco, pão ou torrada, frutas favoritas, batata cozida ou purê.

“Ter opções conhecidas reduz a ansiedade e impede que a criança fique sem comer por falta de alternativas”, explica Renata.


2. Adapte os pratos da festa com versões neutras

Carnes separadas sem molho;

Legumes cozidos sem tempero forte;

Porções pequenas dos pratos comuns, mas em versões menos intensas.
 

3. Use o ‘prato dividido’

Monte com três categorias: alimentos seguros, alimentos familiares (que ela conhece, mas nem sempre aceita), alimentos novos (apenas para exposição, sem obrigar a comer). “Participar da refeição já é uma forma de exposição positiva. Experimentar pode acontecer, mas sem pressão”, diz Renata.


As festas também trazem um elemento sensível: os comentários dos parentes. A Dra. Elisabeth alerta: “Os adultos precisam entender que uma criança com desafios alimentares encara a aceitação dos alimentos de maneira diferente. Questionamentos na frente dela criam vergonha e pioram a seletividade. Jamais se deve forçar ou insistir para que ela coma”. 

Frases prontas ajudam a encerrar a situação com elegância:

“Estamos seguindo o ritmo dela.”

“Ela está aprendendo a experimentar sem pressão.”

“Está tudo bem, temos opções para ela.”

Inclua a criança no preparo, funciona muito mais do que insistir. Dar pequenas tarefas pode aumentar significativamente a aceitação: misturar ingredientes, montar uma salada, escolher formatos de biscoitos. “Crianças tendem a experimentar mais aquilo que ajudaram a preparar. Elas se sentem parte do processo”, reforça a pediatra.

A seletividade merece atenção quando: persiste após os 5 anos; envolve recusa severa de grupos alimentares; compromete crescimento, desenvolvimento ou saúde geral. “O tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo pediatra, nutricionista e, quando necessário, terapeuta ocupacional ou fonoaudiólogo”, orienta Elisabeth.

Com planejamento, respeito e estratégias adequadas, as festas podem deixar de ser um momento de tensão para se tornarem oportunidades de aprendizado alimentar.

“O mais importante é preservar o vínculo e a relação da criança com a comida. A ceia deve ser um momento de convivência, não de cobrança”, finaliza Renata.

 


Renata Riciati - nutricionista materno-infantil e especialista em saúde da família, com mais de 20 anos de experiência em comportamento alimentar infantil, seletividade alimentar e terapia nutricional para crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TDAH. Formada pela Universidade Anhembi Morumbi, possui pós-graduação em Nutrição Clínica pela Universidade São Camilo e ampla atuação em consultório, escolas e projetos voltados à educação alimentar.

Instagram: renatariciati_nutri
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Dra. Elisabeth Canova Fernandes - CRM 94686 - RQE 105.527 – Pediatra. Médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC. Residência médica em pediatria pela FMUSP. Complementação especializada em reumatologia pediátrica pelo Instituto da Criança – FMUSP. Título de especialista em Pediatria pela SBP. Título de especialista em reumatologia pediátrica pela SBP e SBR. Mestrado e doutorado em pediatria pela FMUSP. Pós-graduação em nutrição infantil pela Boston Umjversity e também pela Ludwig Maximilian University of Munich. Professora de graduação em Medicina na Universidade São Caetano do Sul. Médica proprietária da Clínica Pediátrica Crescer Participação ativa em diversos congressos nacionais e internacionais em pediatria voltados para alimentação infantil, amamentação, cuidados com o bebê e doenças comuns da primeira infância. Palestrante frequente nos temas de amamentação.


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