Nas 27 capitais,
a média de acesso dos moradores às artes cênicas é de 25% - espetáculos de
dança atraem 24% e apresentações circenses, 14%;
Estudo contou
com 19.500 entrevistas presenciais em todas as 26 capitais e no Distrito
Federal; Press releases, entrevistas e contatos para a imprensa e produtores de
conteúdo: aqui
Resultados, metodologia, infográficos e relatórios completos: www.culturanascapitais.com.br
Dados da
pesquisa Cultura nas Capitais mostram que o Rio de Janeiro é a capital
brasileira com maior acesso de sua população a apresentações teatrais, enquanto
Manaus ocupa a primeira posição em espetáculos de dança e Teresina lidera no circo.
O estudo considera acesso o percentual de pessoas com 16 anos ou mais que foram
às atividades nos 12 meses anteriores à entrevista, metodologia que permite
comparações e reduz efeitos sazonais.
Esses são
alguns dos dados revelados nesta sexta-feira (19/12), em evento no Instituto
Brasileiro de Teatro, pela pesquisa Cultura nas Capitais, maior
levantamento sobre o tema já produzido no Brasil, que analisou
o comportamento dos moradores das 26 capitais e do Distrito Federal.
A pesquisa
da JLeiva Cultura & Esporte ouviu 19,5 mil pessoas em todas as capitais
brasileiras e conta com patrocínio do Itaú e do Instituto Cultural Vale por
meio da Lei Rouanet, Lei Federal de incentivo à Cultura do Ministério da
Cultura. O projeto também tem a parceria da Fundação Itaú. A pesquisa de campo
foi feita pelo Datafolha.
“O teatro
tem grande potencial de crescimento. Para que esse potencial se transforme em
crescimento efetivo, é fundamental conhecer o perfil do público e buscar formas
de enfrentar as barreiras que ainda afastam algumas pessoas de nossos palcos”,
comenta João Leiva, coordenador da pesquisa Cultura nas Capitais.
Teatro, dança e circo
Enquanto a
média de acesso da população ao teatro nas 27 capitais ficou em 25%, na capital
fluminense o índice é de 32%. Na sequência, Florianópolis (31%), Porto Alegre
(30%), Curitiba (29%), São Paulo (28%) Belo Horizonte (28%) e Vitória (26%) são
as capitais com resultados acima da média.
Os dados
sobre acesso a teatro revelam um cenário marcado por fortes desigualdades territoriais.
A maioria das cidades apresenta índices abaixo da média das capitais. Os
melhores resultados estão no Sul e no Sudeste, enquanto capitais do Norte e do
Nordeste figuram majoritariamente entre as que registram menor acesso.
Além do
público efetivo, a pesquisa revela a existência de um amplo público potencial
para o teatro nas capitais brasileiras. Entre os entrevistados que não foram ao
teatro nos 12 meses anteriores à entrevista, 31% declararam alto interesse em
ir (notas 8, 9 ou 10 em uma escala de 0 a 10). Esse contingente é formado
majoritariamente por mulheres, que representam 61% do público potencial, além
de pessoas com ensino médio (43%) e pardos (45%). Caso esse interesse se
convertesse em presença efetiva, o percentual de acesso ao teatro poderia
alcançar 56% da população das capitais, indicando a importância das políticas
de formação de público.
No caso da
dança, a média de acesso nas capitais é de 24% e a pesquisa indica um destaque
positivo das capitais do Norte, que concentram três das cidades com maior
percentual de público em espetáculos de dança: Manaus (32%), Belém (30%) e
Macapá (30%). Vitória e Florianópolis, ambas com 31% de acesso, são
representantes do Sudeste e Sul entre as cidades que lideram no acesso a essa
atividade cultural. Em contrapartida, o Centro-Oeste aparece, de forma
geral, abaixo da média, sugerindo menor presença ou circulação desse tipo de
linguagem artística nas capitais da região.
Em relação
ao acesso a circo, a média entra todas as capitais é de 14% e as cidades
nordestinas de Teresina (23%) e Natal (21%) ocupam as primeiras posições no
ranking. Os dados apontam que o circo mantém forte presença em territórios onde
a circulação de companhias itinerantes, festas populares e formatos mais
acessíveis de espetáculo seguem desempenhando papel central na vida cultural
local.
Teatro adulto é o mais frequentado
Para quem
foi ao teatro, a pesquisa perguntou quais tipos de peça a pessoa viu – adulta,
infantil, musical ou comédia. Em todas as regiões do país, o teatro adulto foi
o mais citado pelo público, com 61% das menções, enquanto o musical surge com
50% e infantil e comédia têm 45%.
Para 36% das
pessoas que foram a apresentações teatrais, a principal razão citada como
motivação foi “passear ou se divertir”; 13% disseram que foi o “interesse pelo
tema/obra”, 12% disseram que foi para “aprender/ter conhecimento” e 5% para
“levar criança/filhos”.
Maioria do público de teatro é de mulheres e tem
ensino superior
De acordo
com os resultados da pesquisa, 55% das pessoas que foram a apresentações
teatrais são mulheres. A participação de alguns grupos é maior do que na
população como um todo: os moradores com ensino superior completo ou incompleto
representam 36% da população de 16 anos ou mais nas capitais, mas, entre os que
acessaram teatro, são 61%. Os entrevistados da classe B são 29% do total, mas
42% dos que disseram ter ido às apresentações atividades. Também nesse sentido,
as pessoas autodeclaradas brancas são mais presentes no público de teatro (49%)
do que na população das capitais (43%).
Diferenças socioeconômicas
Segundo os
resultados do levantamento, 24% dos homens e 25% das mulheres que moram nas 27
capitais brasileiras foram a apresentações teatrais nos 12 meses anteriores à
pesquisa. Quase metade (48%) das pessoas da classe A assistiram a esse tipo de
atividade, enquanto na classe D/E o percentual é de apenas 8%. Idosos (18%) e
pessoas com ensino fundamental (9%) também estão entre os grupos de menor
acesso.
Metodologia
Na edição
atual da pesquisa Cultura nas Capitais foram ouvidas 19.500 pessoas, moradoras
de todas as capitais brasileiras - as 26 estaduais, além de Brasília - com
idade a partir de 16 anos, de todos os níveis socioeconômicos, entre os dias 19
de fevereiro e 22 de maio de 2024. As pessoas foram abordadas pessoalmente em
pontos de fluxo populacional. Ao todo, os pesquisadores foram distribuídos por
1.930 pontos de fluxo (entre 40 e 300 por capital), em regiões com diferentes
características sociais e econômicas. Os entrevistados respondiam até 61 perguntas,
além das relacionadas a características sociais e econômicas (como
escolaridade, cor da pele etc.). O instituto responsável pelo estudo é o
Datafolha.
Além da
pergunta sobre renda, a pesquisa também adotou o Critério
Brasil de Classificação Econômica, um instrumento de segmentação econômica que
utiliza o levantamento de características domiciliares (presença e quantidade
de alguns itens domiciliares de conforto e grau de escolaridade do chefe de
família) para diferenciar a população em classes: A, B, C, D ou E (Fonte: ABEP
– Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa).
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