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Segundo o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada
(Decreto nº 11.556), espera-se que todos os estudantes estejam alfabetizados
até o final do segundo ano do Ensino Fundamental. E, embora uma infinidade de
questões esteja no caminho para cumprir essa meta, escolas e educadores têm
esse norte a perseguir, no que se refere a ensinar a ler e escrever em língua materna.
Nesse contexto, o Compromisso Nacional Toda
Matemática (Decreto nº 12.641/2025) surge como uma tentativa de oferecer uma
orientação mais objetiva para as instituições sobre os caminhos da
alfabetização matemática. No entanto, quando o assunto são os números, essa
fronteira entre saber e não saber é muito menos clara. Muitos estudantes
enfrentam dificuldades com a matemática ao longo da jornada escolar e, da mesma
forma que ocorre com a linguagem, o caminho para superar essa barreira começa
antes do Ensino Fundamental.
Um estudo publicado no Journal of Educational
Psychology, The effects of early numeracy interventions for students in
preschool and early elementary, acompanhou crianças na pré-escola
e, em uma proposta de intervenção, identificou que desenvolver as habilidades
de matemática nos anos iniciais de escolaridade pode alavancar o desempenho de
estudantes com risco de apresentar dificuldades em matemática. Para a Editora
de Matemática da Aprende Brasil Educação, Janile Oliveira “esses estudos podem
auxiliar na compreensão das bases do aprendizado matemático. É importante
ressaltar que, quando a alfabetização matemática não é trabalhada de forma
adequada, crianças e adolescentes podem ter mais dificuldades no futuro. Por
isso, investir no desenvolvimento matemático nos primeiros anos escolares pode
reduzir significativamente as lacunas de aprendizado posteriormente”.
Outro levantamento, realizado nos Emirados Árabes
Unidos e publicado na Large-Scale Assessments in Education,
observou-se que competências como contagem, reconhecimento de quantidades e
comparação de grandezas influenciam o rendimento matemático em séries
posteriores. “O que parece ser uma brincadeira de contar brinquedos ou comparar
objetos é, de fato, suporte para desenvolver o raciocínio lógico e a
aprendizagem formal da matemática.”, destaca.
Mais que números
Trabalhar a alfabetização matemática desde cedo
influencia o desempenho acadêmico dos alunos, além de oferecer ganhos
subjetivos para eles, como os socioemocionais. Isso porque dominar um conteúdo
é parte importante da maneira como a criança se enxerga em sua própria
trajetória escolar. “Se uma criança não consegue compreender os conteúdos, isso
afeta não apenas aquele componente curricular específico, mas todo o seu
pequeno mundo, porque mexe com fatores como autoestima, autoimagem e até mesmo
pertencimento, já que, muitas vezes, ela não consegue acompanhar o restante da
turma”, explica.
O contato precoce com noções numéricas, mesmo fora
do ambiente escolar, pode ajudar a evitar esse problema. “Quando a matemática é
apresentada como parte natural do cotidiano, como na cozinha, em jogos e nas
músicas, ela passa a ser vista como parte da vida. Assim, deixa de ser um
obstáculo, e passa a ser uma linguagem de compreensão do mundo, palpável”,
reforça a especialista. Ela pontua algumas formas de fazer isso em casa.
- Conte
objetos do dia a dia
Peça para que a criança conte objetos, frutas ou
passos até determinado lugar. “Isso pode funcionar com crianças desde o início
da idade escolar, pois, ainda que elas não consigam estabelecer relação entre
numeral e quantidade, a repetição dessas atividades em casa ajuda nos
conhecimentos prévios necessários para a formalização do conhecimento
matemático posteriormente.”
- Relacione
números a contextos reais
Apresente objetos que fazem parte do cotidiano das
crianças, como calendários, relógios, códigos de barras e etiquetas com preços
de produtos. Esse contato contribui para que a criança entenda a funcionalidade
dos números no dia a dia.
- Valorize
tentativas
Procure incentivar a criança a se arriscar em
respostas que envolvam números. “Mesmo que essas respostas sejam imprecisas,
deve-se incentivá-la a continuar tentando, pois essa é uma forma de fortalecer
sua autoestima e evitar aversão à matemática escolar.”
- Brinque
“Atividades como simulação de compra e venda com
preços fictícios, preparo de receitas que envolvem medidas e quantidades e brincadeiras
com jogos de estratégia e noções espaciais são exemplos de abordagens lúdicas
que podem ser eficazes para desenvolver conceitos matemáticos de forma atraente
e simples”, destaca a especialista.

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