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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Melanoma chama atenção, mas carcinomas são a maioria: câncer de pele exige olhar além da pinta

No Dezembro Laranja, especialistas da Patologia e da Dermatologia alertam que foco maior em tumores malignos pode atrasar o diagnóstico dos cânceres de pele não melanoma, a mais frequentes no Brasil.

 

Apesar de o melanoma, tipo de câncer de pele maligno e mais agressivo, concentrar grande parte da atenção nas campanhas de conscientização, ele representa a menor parcela dos casos da doença. Os carcinomas, especialmente o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, respondem pela ampla maioria dos cânceres de pele no Brasil e, muitas vezes, passam despercebidos pela população.

O alerta ganha ainda mais força neste Dezembro Laranja, mês dedicado à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de pele, também por coincidir com o início do verão no hemisfério sul, período em que a incidência de radiação ultravioleta (UV) é mais elevada.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele é o tipo mais frequente no país, correspondendo a cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados. Apenas os casos de câncer de pele não melanoma somam aproximadamente 170 mil novos registros por ano, enquanto o melanoma gira em torno de 8 a 9 mil casos anuais. Ainda assim, o melanoma costuma dominar o imaginário coletivo por ser mais agressivo e potencialmente letal quando diagnosticado tardiamente.

“O problema é que, ao falar só de melanoma, acabamos esquecendo dos carcinomas, que representam cerca de 90% dos cânceres de pele”, explica o Dr. José Jabur, médico dermatologista, coordenador do grupo de Cirurgia Dermatológica e Cirurgia de Mohs da Santa Casa de São Paulo. “Os carcinomas geralmente se manifestam como pequenas feridas que não cicatrizam, crescem lentamente e podem sangrar com facilidade. Justamente por parecerem ‘simples’, acabam sendo negligenciados.”

Enquanto o melanoma costuma surgir como uma pinta diferente, assimétrica, com bordas irregulares, coloração variável ou crescimento progressivo, os carcinomas aparecem com mais frequência em áreas cronicamente expostas ao sol, como rosto, pescoço, colo, orelhas e dorso das mãos. Feridas persistentes por semanas ou meses, manchas rosadas ou da cor da pele e pequenos sangramentos espontâneos são sinais de alerta, afirma Jabur.

Para a Dra. Rute Lellis, médica patologista especialista em dermatopatologia atuante na Santa Casa de São Paulo e na Rede D’Or, o olhar atento para essas alterações faz toda a diferença.

“O câncer de pele, quando diagnosticado precocemente, é altamente curável. Nos cânceres de pele não melanoma, mais de 95% dos casos têm cura quando identificados no início. Mesmo o melanoma, que é mais agressivo, apresenta excelente prognóstico quando diagnosticado cedo”, destaca a Dra Rute que também é membro da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), sociedade que representa médicos especialistas no diagnóstico do câncer e outras doenças.

Diagnóstico preciso e prevenção - O caminho até o diagnóstico passa, necessariamente, pela atuação integrada de uma equipe multidisciplinar. O dermatologista é, em geral, o primeiro especialista a avaliar a lesão suspeita e realizar a biópsia, procedimento simples que consiste na retirada de um pequeno fragmento da pele. Esse material é então analisado pelo patologista, responsável por confirmar se a lesão é benigna ou maligna e fornecer informações fundamentais que vão orientar o tratamento.

“O laudo anatomopatológico é o principal documento para a definição da conduta terapêutica”, ressalta a Dra. Rute. “É nele que avaliamos o tipo de tumor, a profundidade, se as margens cirúrgicas estão livres e outros critérios que orientam o dermatologista sobre a melhor abordagem para cada paciente.”

O Dr. Jabur reforça a importância dessa parceria: “Pelo menos dois profissionais estão sempre envolvidos: o dermatologista e o patologista. Nos casos iniciais, o tratamento costuma ser resolvido com uma cirurgia simples. Já nos casos avançados, pode ser necessário um cuidado multidisciplinar, envolvendo oncologistas, radioterapeutas e outros especialistas.”

A exposição solar excessiva e cumulativa ao longo da vida é o principal fator de risco para o câncer de pele. Por isso, o Dezembro Laranja reforça a importância do uso diário de protetor solar, roupas adequadas, chapéus, óculos escuros e da observação regular da própria pele.

“O câncer de pele está do lado de fora do corpo, visível. Isso nos dá uma enorme vantagem: a possibilidade de diagnóstico precoce”, afirma o Dr. Jabur. “Uma lesão diagnosticada cedo significa uma pequena cirurgia e cura. Quando ignorada, pode evoluir para tratamentos mais complexos e até risco de morte”, complementa o especialista.

A Dra. Rute reitera que prevenção e detecção precoce são dois pilares fundamentais no enfrentamento do câncer de pele, uma doença que nem sempre é letal, mas que pode acarretar prognósticos desfavoráveis quando diagnosticada tardiamente. “Câncer de pele é alinhar o trabalho do dermatologista e do patologista para que o paciente receba o melhor diagnóstico e a conduta terapêutica mais adequada, no menor tempo possível. Essa é a principal mensagem para este Dezembro Laranja, especialmente com a chegada do verão, um período que todos queremos aproveitar, mas sempre com atenção ao autocuidado”, conclui a especialista da SBP.

Para aprofundar a discussão e esclarecer dúvidas de forma acessível, a SBP convida o público a ouvir o episódio deste mês de O Patologista em Podcast, dedicado ao câncer de pele e ao Dezembro Laranja. O programa reúne o Dr. José Jabur e a Dra. Rute Lellis em um bate-papo didático e informativo sobre prevenção, sinais de alerta, diagnóstico e tratamento.

Ouça O Patologista em Podcast acessando:
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