No Dezembro Laranja, especialistas da Patologia e da Dermatologia alertam que foco maior em tumores malignos pode atrasar o diagnóstico dos cânceres de pele não melanoma, a mais frequentes no Brasil.
Apesar de o
melanoma, tipo de câncer de pele maligno e mais agressivo, concentrar grande
parte da atenção nas campanhas de conscientização, ele representa a menor
parcela dos casos da doença. Os carcinomas, especialmente o carcinoma
basocelular e o carcinoma espinocelular, respondem pela ampla maioria dos
cânceres de pele no Brasil e, muitas vezes, passam despercebidos pela
população.
O alerta ganha
ainda mais força neste Dezembro Laranja, mês dedicado à prevenção e ao
diagnóstico precoce do câncer de pele, também por coincidir com o início do
verão no hemisfério sul, período em que a incidência de radiação ultravioleta
(UV) é mais elevada.
Segundo
estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele é o tipo
mais frequente no país, correspondendo a cerca de 30% de todos os tumores
malignos diagnosticados. Apenas os casos de câncer de pele não melanoma somam
aproximadamente 170 mil novos registros por ano, enquanto o melanoma gira em
torno de 8 a 9 mil casos anuais. Ainda assim, o melanoma costuma dominar o
imaginário coletivo por ser mais agressivo e potencialmente letal quando
diagnosticado tardiamente.
“O problema é que,
ao falar só de melanoma, acabamos esquecendo dos carcinomas, que representam
cerca de 90% dos cânceres de pele”, explica o Dr. José Jabur, médico
dermatologista, coordenador do grupo de Cirurgia Dermatológica e Cirurgia de
Mohs da Santa Casa de São Paulo. “Os carcinomas geralmente se manifestam como
pequenas feridas que não cicatrizam, crescem lentamente e podem sangrar com
facilidade. Justamente por parecerem ‘simples’, acabam sendo negligenciados.”
Enquanto o
melanoma costuma surgir como uma pinta diferente, assimétrica, com bordas
irregulares, coloração variável ou crescimento progressivo, os carcinomas
aparecem com mais frequência em áreas cronicamente expostas ao sol, como rosto,
pescoço, colo, orelhas e dorso das mãos. Feridas persistentes por semanas ou
meses, manchas rosadas ou da cor da pele e pequenos sangramentos espontâneos
são sinais de alerta, afirma Jabur.
Para a Dra. Rute
Lellis, médica patologista especialista em dermatopatologia atuante na Santa
Casa de São Paulo e na Rede D’Or, o olhar atento para essas alterações faz toda
a diferença.
“O câncer de pele,
quando diagnosticado precocemente, é altamente curável. Nos cânceres de pele
não melanoma, mais de 95% dos casos têm cura quando identificados no início.
Mesmo o melanoma, que é mais agressivo, apresenta excelente prognóstico quando
diagnosticado cedo”, destaca a Dra Rute que também é membro da Sociedade
Brasileira de Patologia (SBP), sociedade que representa médicos especialistas
no diagnóstico do câncer e outras doenças.
Diagnóstico preciso e
prevenção - O caminho até o diagnóstico passa,
necessariamente, pela atuação integrada de uma equipe multidisciplinar. O
dermatologista é, em geral, o primeiro especialista a avaliar a lesão suspeita
e realizar a biópsia, procedimento simples que consiste na retirada de um
pequeno fragmento da pele. Esse material é então analisado pelo patologista,
responsável por confirmar se a lesão é benigna ou maligna e fornecer
informações fundamentais que vão orientar o tratamento.
“O laudo
anatomopatológico é o principal documento para a definição da conduta
terapêutica”, ressalta a Dra. Rute. “É nele que avaliamos o tipo de tumor, a
profundidade, se as margens cirúrgicas estão livres e outros critérios que
orientam o dermatologista sobre a melhor abordagem para cada paciente.”
O Dr. Jabur
reforça a importância dessa parceria: “Pelo menos dois profissionais estão
sempre envolvidos: o dermatologista e o patologista. Nos casos iniciais, o
tratamento costuma ser resolvido com uma cirurgia simples. Já nos casos
avançados, pode ser necessário um cuidado multidisciplinar, envolvendo
oncologistas, radioterapeutas e outros especialistas.”
A exposição solar excessiva e
cumulativa ao longo da vida é o principal fator de risco para o câncer de pele.
Por isso, o Dezembro Laranja reforça a importância do uso diário de protetor
solar, roupas adequadas, chapéus, óculos escuros e da observação regular da
própria pele.
“O câncer de pele
está do lado de fora do corpo, visível. Isso nos dá uma enorme vantagem: a
possibilidade de diagnóstico precoce”, afirma o Dr. Jabur. “Uma lesão
diagnosticada cedo significa uma pequena cirurgia e cura. Quando ignorada, pode
evoluir para tratamentos mais complexos e até risco de morte”, complementa o
especialista.
A Dra. Rute
reitera que prevenção e detecção precoce são dois pilares fundamentais no
enfrentamento do câncer de pele, uma doença que nem sempre é letal, mas que
pode acarretar prognósticos desfavoráveis quando diagnosticada tardiamente.
“Câncer de pele é alinhar o trabalho do dermatologista e do patologista para
que o paciente receba o melhor diagnóstico e a conduta terapêutica mais
adequada, no menor tempo possível. Essa é a principal mensagem para este
Dezembro Laranja, especialmente com a chegada do verão, um período que todos
queremos aproveitar, mas sempre com atenção ao autocuidado”, conclui a especialista
da SBP.
Para aprofundar a
discussão e esclarecer dúvidas de forma acessível, a SBP convida o público a
ouvir o episódio deste mês de O Patologista em Podcast, dedicado ao câncer de
pele e ao Dezembro Laranja. O programa reúne o Dr. José Jabur e a Dra. Rute
Lellis em um bate-papo didático e informativo sobre prevenção, sinais de
alerta, diagnóstico e tratamento.
Ouça O Patologista
em Podcast acessando:
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