Manipulação inadequada, falhas na conservação e altas temperaturas elevam o risco de doenças; especialista orienta como escolher locais seguros e quando buscar atendimento médico
Durante
o período de férias, aumenta significativamente o número de pessoas que fazem
refeições fora de casa, seja em restaurantes, lanchonetes, praias ou rodovias.
Nesse cenário, também cresce a ocorrência de intoxicações alimentares,
impulsionada pelo calor e pelo fluxo elevado de clientes nos estabelecimentos.
A médica infectologista Tânia Marcial, professora de Práticas Médicas do SUS na
Faseh, esclarece os principais riscos e orienta cuidados essenciais para
prevenir problemas de saúde durante as viagens.
Segundo
a especialista, os riscos mais frequentes estão ligados à manipulação
inadequada dos alimentos e ao armazenamento em temperaturas que favorecem a
proliferação de bactérias. Para garantir segurança, alimentos refrigerados
devem ser mantidos a 4°C ou menos, enquanto preparações quentes precisam
permanecer acima de 60°C. Tânia Marcial também destaca que o consumo de
alimentos crus ou malcozidos, como ovos, pescados e carnes, aumenta as chances
de contaminação e deve ser evitado.
A
infectologista explica que alguns sinais podem indicar que o estabelecimento
não segue boas práticas de higiene. Alimentos com cheiro, sabor ou aparência
alterados, equipamentos ou utensílios sujos, manipuladores sem touca ou avental
e áreas de preparo desorganizadas são indícios de risco. Além disso, mesas,
balcões e banheiros mal-conservados, assim como a presença de insetos, reforçam
a necessidade de cautela.
O
calor típico do verão também contribui para o aumento das intoxicações
alimentares, pois acelera a multiplicação de bactérias como Salmonella, E.
coli, Staphylococcus aureus e Campylobacter, todas bastante associadas a
quadros de diarreia. O movimento intenso nos estabelecimentos reduz o tempo
disponível para higienização adequada, e equipamentos de refrigeração podem
trabalhar no limite, favorecendo falhas que comprometem a conservação dos
alimentos.
“Ao
escolher onde comer, o consumidor deve observar atentamente a higiene do
ambiente e o estado de conservação dos alimentos. Locais com boa reputação
tendem a ser mais confiáveis, e é importante verificar se as refeições estão
protegidas e mantidas nas temperaturas adequadas”, diz a médica. A
infectologista reforça que água e gelo devem ser consumidos apenas quando
houver certeza da procedência, e alimentos bem cozidos ainda são a opção mais
segura.
Caso
o viajante apresente sintomas de intoxicação alimentar, a primeira medida deve
ser uma hidratação oral vigorosa, preferencialmente com sais de reidratação e
outros líquidos. A recomendação é procurar atendimento médico sempre que
possível, especialmente diante de sinais de desidratação, febre alta
persistente, diarreia com sangue, vômitos contínuos ou quando se trata de
crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas. Também é
indicado buscar avaliação profissional quando os sintomas duram mais de 48 a 72
horas.
Do
ponto de vista de saúde pública, a médica destaca a importância de atenção
especial a surtos de doenças transmitidas por alimentos. Eles são
caracterizados quando duas ou mais pessoas apresentam diarreia após consumir o
mesmo alimento ou água da mesma origem. Nessas situações, a busca por
atendimento médico e a notificação dos casos são fundamentais para que medidas
de controle sejam adotadas e novos episódios sejam evitados.
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