Com a chegada de dezembro, muitas pessoas se deparam com a mesma sensação: aceleração, sobrecarga, esgotamento, decisões pendentes e a impressão de que “faltou tempo”. Para a neuropsicóloga Aline Graffiette, isso não é coincidência — é consequência direta de um ano mal planejado e da forma como o cérebro lida com decisões e organização.
Segundo ela, é possível — e necessário — iniciar o ano com estratégias
concretas para impedir que o caos emocional e cognitivo se instale nos últimos
meses.
Por que deixamos tudo para depois?
Aline explica que a neuropsicologia lança luz sobre esse comportamento
ao analisar as funções executivas, região do cérebro responsável pela tomada de
decisões.
“Não se trata apenas de decidir, mas de tomar a melhor decisão. Quando
entendemos como nossa função executiva opera — por meio de testes padronizados
e avaliação neuropsicológica — conseguimos identificar nossos próprios gargalos
e quebrar o ciclo da procrastinação que se repete ano após ano”, afirma.
O que começar a fazer logo em janeiro
Para evitar o acúmulo emocional, mental e físico que aparece tradicionalmente
em novembro e dezembro, Aline é direta: é preciso iniciar o ano com rotinas
básicas que quase todo mundo sabe, mas não coloca em prática. Entre elas:
Exercício físico regular — “Quem treina duas vezes por semana não
treina. O mínimo recomendado são quatro vezes”, diz a especialista.
Redução do uso de telas, que sobrecarrega o sistema atencional.
Escrita manual diária, um hábito simples que melhora a organização
mental. “Muita gente percebe o quanto está escrevendo mal — e eu recomendo até
cadernos de caligrafia”, completa.
Alimentação adequada, com a regra clássica: descascar mais e desembalar menos.
A previsibilidade tem impacto direto na redução da ansiedade. Quando
planejamos, o cérebro deixa de “ruminar” tarefas e as transfere para um caminho
concreto.
“Tudo que é planejado sai do escaninho mental e se torna palpável. Somos
seres tangíveis — precisamos ver e tocar aquilo que temos para fazer”, explica
Aline.
Por isso, o planejamento antecipado é uma das formas mais eficazes de evitar
que o fim do ano se torne emocionalmente insustentável.
Ferramentas neuropsicológicas que ajudam a manter o
ano no eixo
A especialista lembra que existem programas estruturados, como o Cogmed,
voltados para treinos cognitivos que estimulam memória, atenção, linguagem,
motricidade e função executiva.
Também há a reabilitação neurocognitiva, um processo personalizado e
realizado por profissionais especializados, indicado para quem precisa
reorganizar habilidades cognitivas de forma individualizada.
Sinais de alerta: quando o caos começa a aparecer
Segundo Aline, o primeiro indicativo de que a desorganização está
tomando conta é simples:
“Quando você para e pensa ‘meu Deus, o que eu tenho que fazer?’ e não
consegue responder, a rotina já está fora de controle.”
Uma mente desorganizada leva a uma vida desorganizada — e vice-versa.
Para impedir que isso escale e tome proporções maiores em dezembro, ela
recomenda o básico, porém indispensável: Agenda de papel, to-do list diária,
distribuição das tarefas ao longo da semana.
“Quando estruturamos o dia e tangibilizamos o que precisamos executar, a
rotina se torna funcional — e o fim do ano deixa de ser um tormento”, conclui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário