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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Doença de Alzheimer: diagnóstico mais preciso e novos tratamentos já são realidade, destaca SBGG

Medicina evolui, mas cuidado humanizado segue sendo fundamental para pacientes e famílias

 

Ao mesmo tempo que é preocupante para as pessoas, de maneira geral, a Doença de Alzheimer também é desafiadora para a classe médica, especialmente os geriatras. 

Problemas relacionados à memória ou outras funções cognitivas são frequentes em consultórios de geriatria; cerca de metade dos pacientes relatam queixas desse tipo. De acordo com o Dr. Salo Buksman, geriatra e membro da Comissão de Inovação em Doença de Alzheimer e Demências da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), num grande número desses pacientes é confirmado um comprometimento cognitivo leve ou uma demência na fase inicial. No primeiro caso, há declínio nas funções cognitivas, sem comprometimento significativo para a realização de tarefas do cotidiano, e no segundo caso, embora na fase leve, a demência já está instalada. “A demência é uma síndrome caracterizada pelo declínio nas habilidades cognitivas, associada a comprometimento da funcionalidade, que é a capacidade de realizar as atividades do dia a dia, acompanhada ou não por alterações comportamentais.” 

Dr. Buksman explica que até há duas décadas, o diagnóstico da Doença de Alzheimer era feito com base nos sintomas clínicos e por meio de testes e de questionários estruturados para a avaliação da cognição, da capacidade funcional e do comportamento. “Não existiam exames complementares para a comprovação da doença e, por conta disso, havia uma margem considerável de erro no diagnóstico, sendo a comprovação definitiva só possível após o falecimento da pessoa, por meio de necrópsia”, comenta, ao revelar que a partir de 1995 foi desenvolvido, para fins de pesquisa, um exame do líquor, líquido obtido por meio de punção da coluna lombar, que detecta um fragmento de proteína chamado beta-amiloide. “O acúmulo de beta amiloide forma placas que prejudicam a comunicação entre os neurônios, sendo um dos principais marcadores da Doença de Alzheimer. A detecção de um biomarcador permite um diagnóstico muito mais preciso, revolucionando essa área da medicina. No entanto, o uso comercial desse exame começou nos Estados Unidos, apenas em 2012.”

 

Mais possibilidades

Já em 2004, foi desenvolvido, também para fins de pesquisa, o exame de imagem PET (Tomografia com Emissão de Pósitrons) amiloide, que detecta a presença e a quantidade de placas de beta amiloide no cérebro. O PET Amiloide também teve seu uso comercial iniciado nos Estados Unidos a partir de 2012. No Brasil, Dr. Buksman conta que esses exames começaram a ser disponibilizados em 2015 e que sua utilização clínica tem sido intensificada nos últimos cinco anos. Segundo ele, recentemente também foi comercializado no Brasil um exame de sangue que tem mostrado grande potencial de diagnóstico. “No entanto, ainda são necessários testes de validação robustos para que a eficácia seja realmente comprovada.” 

Para o geriatra e membro da Comissão de Inovação em Doença de Alzheimer e Demências da SBGG, a possibilidade do diagnóstico definitivo da Doença de Alzheimer em vida representou uma verdadeira revolução na área da pesquisa clínica. Contudo, ele afirma que esses exames não podem ser feitos de maneira indiscriminada, devendo obedecer a diretrizes e a critérios rigorosos, sendo indicados apenas por médicos especialistas. “Eles não devem ser feitos, por exemplo, em pacientes sem sintomas que sugerem a doença, já que ainda não existe uma medicação preventiva”, diz.

 

Tratamento

De acordo com Dr. Buksman, houve também uma evolução em relação ao tratamento nos últimos anos, com o lançamento de medicamentos que modificam a evolução da Doença de Alzheimer. Ele explica que até 2021 só existiam no mercado remédios sintomáticos, os anticolinesterásicos, e a memantina. “Também em 2021 foi aprovado, nos Estados Unidos, um medicamento anti-amiloide, que remove o beta-amiloide acumulado no cérebro. Já em 2023, ele foi substituído por um novo anticorpo anti-amiloide, o lecanemab, e em 2024, foi lançado o donanemab. Este, por sua vez, foi aprovado no Brasil pela Anvisa em 2025, já estando disponível comercialmente. Porém, apesar da grande expectativa da comunidade científica e dos pacientes, o efeito prático desse tipo de medicação é relativamente modesto, desacelerando em média 30% da velocidade da progressão da doença que, no entanto, continua a progredir.” 

Apesar dos avanços tecnológicos, o especialista enfatiza que nenhum desses recursos substitui a abordagem geriátrica e gerontológica do paciente; desde a primeira consulta, quando as queixas do paciente são analisadas, até a definição do tratamento. “Ele é proposto pelo geriatra, com a colaboração de uma equipe multidisciplinar e acordado com o paciente e familiares. A Doença de Alzheimer é complexa, e sua evolução é desafiadora, exigindo empatia, sensibilidade e acompanhamento humanizado por uma equipe multiprofissional durante o seu curso”, relata.
 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG


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