Neurologista do Hospital Santa Catarina
- Paulista explica como o afastamento das redes sociais ajuda a reduzir ansiedade, melhorar
o sono e recuperar o foco
Cada vez mais pessoas estão optando por se afastar
temporariamente, ou até de forma definitiva, das redes sociais. O movimento,
que ganhou força nos últimos meses, não é apenas uma tendência, mas reflexo de
um esgotamento real provocado pela hiperconectividade. Em média, os brasileiros
passam 9 horas e 13 minutos por dia na internet, de acordo com o Relatório
Digital 2024, produzido pela We Are Social.
Segundo o neurologista Dr. Frederico Mennucci de
Haidar Jorge, do Hospital Santa Catarina - Paulista, essa pausa é benéfica para
o cérebro e para a mente. “Esse movimento ajuda na saúde mental e neurológica,
porque faz uma limpeza desse hiperestímulo do circuito de dopamina e permite
uma volta ao tempo analógico. As pessoas finalmente estão percebendo o quanto
essa vida mergulhada na tecnologia satura, estressa e desgasta”, explica.
O uso excessivo de celulares e redes sociais ativa de forma
contínua o sistema de recompensa do cérebro, responsável pela liberação de
dopamina, o neurotransmissor do prazer. Esse estímulo constante interfere nos
mecanismos de atenção, emoção e sono. O resultado é um estado de ansiedade e
inquietação quase permanente. “Os vídeos curtos, como os de TikTok ou Reels do
Instagram, sequestram a atenção e fazem o cérebro entrar em um ciclo de
expectativa. A pessoa fica esperando algo interessante, e quando volta à rotina,
tudo parece menos excitante, o que aumenta a frustração e a ansiedade”, diz o
especialista.
Estudos confirmam os efeitos positivos de reduzir o tempo de tela.
Uma pesquisa publicada em 2025 na revista BMC Medicine mostrou que
limitar o uso de smartphones a duas horas por dia durante três semanas melhorou
significativamente o bem-estar, o sono e reduziu sintomas depressivos e de
estresse. Outra revisão científica, divulgada em 2023 no PubMed, aponta
que reduções graduais no uso de dispositivos trazem resultados mais
sustentáveis do que interrupções bruscas.
De acordo com o especialista do Hospital Santa Catarina -
Paulista, o uso exagerado das redes sociais também está diretamente ligado à
dificuldade de concentração, à procrastinação e à queda no desempenho
cognitivo. O consumo contínuo de informações fragmentadas e estímulos visuais
rápidos exige um esforço constante do cérebro para alternar o foco entre
diferentes conteúdos, o que acaba desgastando a atenção sustentada.
“As redes sociais consomem energia mental e reduzem o
foco nas próprias tarefas, uma vez que o cérebro é recompensado
instantaneamente por likes, notificações e novidades, em detrimento da
realização de atividades reais, que demandam mais tempo e paciência. Esse
mecanismo de recompensa imediata interfere na capacidade de planejar e concluir
tarefas do dia a dia e traz prejuízos para o indivíduo”, revela o Dr. Mennucci.
O que fazer?
O segredo está no uso consciente da tecnologia. O especialista
recomenda:
- Reservar horários específicos do dia para checar redes sociais;
- Evitar o celular durante atividades como refeições, estudos,
conversas ou
momentos de descanso;
- Desativar notificações e avisos;
- Deixar o celular longe do quarto à noite;
- Criar espaços livres de tecnologia;
“O ideal é usar a tecnologia em blocos de tempo, e não misturar
com o cotidiano. Assim, o cérebro consegue se reorganizar e manter um ritmo
mais saudável”, orienta. Um dos sinais de alerta é o chamado “loop digital”,
quando a pessoa percebe que está abrindo o mesmo aplicativo várias vezes em
poucos minutos. Esse comportamento indica que o uso do celular já se tornou
automático, e nesse momento é fundamental interromper o ciclo e fazer uma pausa
real.
Por fim, o neurologista do Hospital Santa Catarina - Paulista
ressalta que mais do que eliminar aplicativos, o detox digital propõe uma nova
forma de relação com o mundo virtual, uma reconciliação entre o tempo online e
o tempo real. Reaprender a se desconectar, ainda que por algumas horas ao dia,
pode ser o primeiro passo para reconquistar foco, tranquilidade e qualidade de
vida. Longe de ser um luxo, a prática é uma forma moderna (e necessária) de
higiene mental.
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