Famílias costumam contratar cuidador de
idoso apenas depois de um AVC. Mas profissional pode fazer a diferença na
prevenção e atuação rápida para evitar sequelas
Cuidador de idoso faz toda a diferença na prevenção
e também nos cuidados pós-AVC.
Crédito: Divulgação Geração de Saúde Cuidadores de Idosos
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) continua sendo uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil. Ele atinge, sobretudo, a população idosa. Dados da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBAVC) mostram que o país registrou mais de 105 mil mortes por AVC em 2023, e 66% dos casos envolvem AVC em idosos, ou seja, pessoas com mais de 65 anos.
A idade avançada, combinada a fatores como hipertensão, diabetes e sedentarismo, aumenta o risco. Segundo o Ministério da Saúde, o governo investiu R$ 700 milhões entre 2023 e 2024 para fortalecer o diagnóstico e o tratamento do AVC no SUS, mas o desafio permanece: quanto mais idade tem o paciente, mais graves tendem a ser as sequelas e mais lenta a recuperação.
Entre as consequências mais frequentes do AVC estão paralisias parciais ou totais, dificuldades na fala e deglutição, perda de equilíbrio, alterações cognitivas e mudanças no comportamento. A recuperação exige tempo, paciência e reabilitação intensiva, um processo que, sem apoio, pode se tornar desgastante e perigoso.
“A
fase após o AVC é um divisor de águas na vida do idoso e da família. É quando
se decide se ele vai recuperar autonomia ou se tornará totalmente dependente.
Um cuidador treinado faz toda a diferença nesse momento. Ele é os olhos e as
mãos do paciente quando o corpo ainda não responde bem”, afirma Bruno Butenas,
fundador da Geração de Saúde Cuidadores de Idosos.
AVC
em idosos: reabilitação exige presença constante
Especialistas recomendam que a reabilitação do AVC em idosos comece o mais rápido possível. O ideal é iniciá-la nas primeiras 48 horas após o AVC, para reduzir o impacto das sequelas. O tratamento envolve fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e acompanhamento psicológico.
Mas para muitos idosos, especialmente aqueles que não contam com apoio familiar próximo, manter essa rotina é um desafio. A dificuldade em se locomover, alimentar-se ou lembrar dos horários de medicação pode atrasar a recuperação. É nesse ponto que o cuidador se torna indispensável.
“O
cuidador garante que o idoso faça os exercícios prescritos, se alimente
corretamente e tome os medicamentos nos horários certos. Além disso, ele
observa sinais que podem indicar piora e aciona ajuda médica antes que algo
mais grave aconteça”, explica Butenas.
Prevenção
de novas ocorrências
Cuidadores também são fundamentais na prevenção de um novo AVC em idosos. Estudos mostram que pessoas que já sofreram um episódio têm até 30% de chance de sofrer outro se não mantiverem o acompanhamento e os cuidados adequados. A presença de um profissional treinado ajuda a identificar rapidamente alterações de fala, força, coordenação ou comportamento, sinais que podem indicar um novo episódio em curso.
“Um cuidador atento pode literalmente salvar uma vida, porque reconhece esses sinais precocemente e age rápido. Cada minuto conta quando se fala em AVC”, ressalta o fundador da Geração de Saúde.
Além da vigilância, os cuidadores auxiliam na adaptação do ambiente doméstico para prevenir quedas, ajudam na alimentação adequada para evitar desnutrição e mantêm o paciente emocionalmente ativo, fatores importantes para uma boa reabilitação. O cuidador também ajuda o idoso a reaprender movimentos, caminhar, falar e realizar tarefas do dia a dia.
“Um
cuidador experiente não substitui a família. Ele amplia a capacidade da família
de cuidar bem. E a família precisa continuar cumprindo os seus compromissos do
dia a dia, como trabalho, estudo, esportes e saúde, enfim, ninguém consegue
parar a vida para cuidar de um paciente com AVC. Ter um cuidador é a diferença
entre sobreviver e voltar a viver”, diz Bruno.
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