Pesquisa em personalidade mostra os padrões que mantêm profissionais presos ao trabalho
À medida que o ano chega ao fim, muitos profissionais aguardam ansiosamente por uma pausa merecida após meses de demandas ininterruptas, prioridades em constante mudança e pressão contínua por resultados. Ainda assim, para um número significativo de pessoas, desconectar durante as festas de fim de ano se mostra surpreendentemente difícil. E-mails continuam sendo checados, listas de tarefas seguem rodando em segundo plano e a culpa frequentemente substitui o descanso. Para alguns, o período de férias se torna a única janela para avançar em projetos importantes ou objetivos pessoais que exigem foco sem interrupções.
Esse comportamento não está relacionado apenas ao workaholism. Em muitos casos, reflete uma sobrecarga real. Profissionais em cargos de alta responsabilidade ou que lidam com prioridades complexas ao longo do ano frequentemente usam o tempo off para concluir tarefas que não cabem em momentos fragmentados. Empreendedores, profissionais de alta performance e pessoas cujas funções exigem disponibilidade constante costumam enxergar as festas como uma rara oportunidade de retomar o controle da própria carga de trabalho.
De acordo com a Hogan Assessments, líder global em ciência da personalidade com mais de 11 milhões de avaliações realizadas em todo o mundo, a dificuldade de “desligar” está fortemente ligada a características individuais de personalidade que moldam a forma como as pessoas se relacionam com responsabilidade, realização, controle e incerteza. Pesquisas de longa data da Hogan mostram que o desafio de desconectar não é distribuído de maneira uniforme — alguns profissionais sofrem muito mais com isso do que outros.
1. Você se sente
responsável por tudo — mesmo quando deveria estar off
Pessoas com
padrões extremamente elevados frequentemente se sentem pessoalmente
responsáveis por resultados e detalhes. Para elas, se afastar do trabalho pode
rapidamente gerar ansiedade sobre erros, atrasos ou coisas que podem não estar
sendo conduzidas corretamente em sua ausência. Mesmo durante as férias, podem
se sentir compelidas a monitorar situações ou “colocar tudo em dia” em
silêncio, movidas por um profundo senso de responsabilidade em relação ao
cargo, à equipe ou à organização.
2. Você não “desliga”
emocionalmente dos problemas das outras pessoas
Profissionais que atuam em áreas de cuidado ou orientadas a impacto — como saúde, educação ou setor social — muitas vezes carregam uma responsabilidade emocional que vai além das atribuições formais. Embora consigam se afastar fisicamente, desconectar mentalmente pode ser muito mais difícil. A preocupação com pacientes, alunos, equipes ou comunidades costuma acompanhá-los durante o período de descanso, tornando o relaxamento genuíno um desafio.
“Depois de
um ano inteiro de pressão e demandas constantes, desconectar deveria ser algo
natural — mas, para muitas pessoas, isso acaba gerando ansiedade”, explica Ryne
Sherman, Chief Science Officer da Hogan Assessments. “Quando realização,
controle ou responsabilidade estão fortemente ligados à identidade, as férias
podem parecer a perda de uma parte de quem você é.”
3. Diminuir o ritmo
parece arriscado — como se você pudesse perder o embalo
Empreendedores
e profissionais de alta performance costumam ser movidos por ambição,
competitividade e um forte desejo de avançar. Durante as festas, podem temer
perder ritmo ou deixar oportunidades passarem, o que os leva a permanecer
parcialmente conectados ao trabalho. Para esses profissionais, descansar pode
parecer improdutivo — mesmo quando o cansaço sinaliza claramente que a pausa é
necessária.
4. Descansar causa
desconforto porque estar ocupado parece sinônimo de valor
Muitos profissionais que têm dificuldade em desconectar também encontram desafios em delegar ou abrir mão do controle. Confiar que outras pessoas cuidarão das tarefas durante sua ausência pode ser desconfortável, levando a checagens frequentes “só por garantia”. Para outros, o desafio é mais interno: o senso de valor pessoal está profundamente ligado à produtividade. Quando estar ocupado equivale a ser valioso, o descanso pode parecer imerecido, gerando culpa em vez de alívio.
A Hogan
também destaca que esses padrões costumam ser intensificados pelo burnout e
pela sobrecarga mental. Quando as festas chegam, meses de demandas sucessivas
deixam os profissionais mentalmente exaustos, dificultando o relaxamento. Nesse
contexto, as férias passam a ser menos sobre recuperação e mais sobre
sobrevivência — uma chance de finalmente focar sem interrupções.
O que realmente ajuda
A Hogan enfatiza que a capacidade de desconectar não depende de força de vontade. Trata-se de uma habilidade comportamental moldada pela personalidade. Planejar a carga de trabalho com antecedência pode reduzir a ansiedade de quem se preocupa excessivamente com detalhes. Estruturas claras de delegação ajudam profissionais que têm dificuldade em abrir mão do controle. Estabelecer limites explícitos com a tecnologia apoia pessoas altamente motivadas que permanecem conectadas por hábito. E ressignificar o descanso como uma necessidade — e não uma recompensa — ajuda quem associa produtividade a valor pessoal.
“Descansar
não é um luxo; é essencial para a eficácia sustentável”, acrescenta Ryne
Sherman, Chief Science Officer da Hogan Assessments. “Entender as próprias
características permite desconectar sem culpa e retornar com mais clareza,
energia e foco.”
A Hogan
reforça que aprender a separar identidade de produtividade constante é
fundamental para construir hábitos mais saudáveis em relação ao trabalho e ao
descanso. Ao reconhecer esses padrões, profissionais podem encarar o período de
festas com mais consciência — e criar espaço para uma recuperação que realmente
perdure.

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