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terça-feira, 18 de novembro de 2025

Saúde sem pressa: a importância do tempo de escuta no cuidado médico

Imagem criada com auxílio de IA
Diretor médico da Nova Saúde, Dr. Armindo Matheus, fala sobre como a escuta atenta transforma diagnósticos, melhora resultados e devolve humanidade às relações entre médicos e pacientes


Em tempos de atendimentos rápidos, filas longas e consultas cronometradas, dedicar tempo para ouvir o paciente virou um luxo raro e, ao mesmo tempo, um dos maiores diferenciais na medicina atual. A escuta qualificada, ou seja, a capacidade do médico de ouvir com atenção, empatia e interesse genuíno, é reconhecida por especialistas como um pilar essencial do cuidado humanizado

Para o Dr. Armindo Matheus, diretor médico da Nova Saúde, operadora de planos de saúde com atuação em cinco estados brasileiros, a pressa é uma inimiga silenciosa da boa medicina.

“O tempo de escuta é o que constrói a relação de confiança entre o médico e o paciente. Quando a consulta é feita sem essa troca, o diagnóstico perde profundidade, e o tratamento perde adesão. Escutar é parte do tratamento”, afirma o especialista.

 

Mais tempo, melhores diagnósticos 

Estudos recentes reforçam o que a prática já comprova: o tempo de consulta influencia diretamente na qualidade do diagnóstico. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tempo médio de atendimento médico em países em desenvolvimento é de menos de 10 minutos, número considerado insuficiente para compreender a complexidade do quadro de um paciente. 

“Em uma boa consulta, o médico não apenas coleta sintomas, mas entende a história do paciente, suas rotinas, emoções e contextos. Muitas vezes, a resposta está na conversa, não no exame. A medicina precisa de tecnologia, mas também de tempo e sensibilidade”, ressalta o Dr. Armindo. 

O especialista explica que a pressa pode levar a diagnósticos equivocados, uso desnecessário de exames e até ao agravamento de doenças que poderiam ser controladas com intervenções simples. 

“Um paciente ansioso, por exemplo, pode ter sintomas físicos que se confundem com doenças cardíacas. Sem escuta, ele sai com uma bateria de exames, mas sem acolhimento. Com escuta, ele sai mais calmo e orientado”, exemplifica.

 

A escuta como parte da prevenção 

Para além do diagnóstico, o tempo de escuta tem um papel decisivo na prevenção de doenças e na adesão ao tratamento. Quando o paciente se sente ouvido, tende a confiar mais no profissional e a seguir corretamente as orientações médicas. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), somente 50% dos doentes crônicos com necessidade de uso contínuo de medicamento, seguem corretamente o tratamento após seis meses. Entre os motivos, estão a falta de acompanhamento e de vínculo com a equipe de saúde. 

“A consulta é um espaço de cuidado, não apenas de prescrição. Quando o paciente entende o que está acontecendo com o corpo dele, ele se torna parte ativa do processo. Isso é prevenção na prática”, destaca o diretor médico da Nova Saúde. 

O modelo de atenção primária à saúde, adotado pela Nova Saúde, valoriza exatamente essa lógica: consultas assertivas, acompanhamento contínuo e uma relação de proximidade entre equipe e paciente

“A atenção primária não é um serviço rápido, é um relacionamento. Nosso objetivo é conhecer o paciente, acompanhar suas mudanças e agir antes que o problema aconteça”, explica o médico.

 

Humanização e vínculo: o futuro da medicina 

A valorização da escuta também é uma resposta a um cenário em que a medicina, cada vez mais tecnológica, corre o risco de se distanciar do humano. Para o Dr. Armindo, a tecnologia deve ser aliada da empatia, e não sua substituta

A humanização no atendimento médico tem mostrado resultados concretos: melhora da adesão aos tratamentos, redução de internações e maior satisfação dos pacientes.  

“Cuidar é, antes de tudo, escutar. E escutar exige tempo, presença e respeito. Quando o paciente percebe que o médico a enxerga como pessoa e não como número, ele se abre, confia e melhora”, reflete o especialista que acredita que o desafio é resgatar a essência da medicina: o encontro humano.

“O tempo de escuta é uma forma de cuidado. Ele reduz erros, melhora resultados e devolve dignidade ao paciente. A medicina precisa voltar a ser sobre pessoas. Essa é a verdadeira revolução que precisamos promover”, conclui.

 

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