Diretor médico da Nova Saúde, Dr. Armindo Matheus,
fala sobre como a escuta atenta transforma diagnósticos, melhora resultados e
devolve humanidade às relações entre médicos e pacientes
Imagem criada com auxílio de IA
Em
tempos de atendimentos rápidos, filas longas e consultas cronometradas, dedicar
tempo para ouvir o paciente virou um luxo raro e, ao mesmo tempo, um dos
maiores diferenciais na medicina atual. A escuta qualificada,
ou seja, a capacidade do médico de ouvir com atenção, empatia e interesse
genuíno, é reconhecida por especialistas como um pilar
essencial do cuidado humanizado.
Para
o Dr. Armindo Matheus, diretor médico da Nova Saúde, operadora de planos
de saúde com atuação em cinco estados brasileiros, a pressa é
uma inimiga silenciosa da boa medicina.
“O
tempo de escuta é o que constrói a relação de confiança entre o médico e o
paciente. Quando a consulta é feita sem essa troca, o diagnóstico perde
profundidade, e o tratamento perde adesão. Escutar é parte do tratamento”,
afirma o especialista.
Mais tempo, melhores diagnósticos
Estudos
recentes reforçam o que a prática já comprova: o tempo de
consulta influencia diretamente na qualidade do diagnóstico.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tempo médio de
atendimento médico em países em desenvolvimento é de menos de 10
minutos, número considerado insuficiente para compreender a
complexidade do quadro de um paciente.
“Em
uma boa consulta, o médico não apenas coleta sintomas, mas entende a história
do paciente, suas rotinas, emoções e contextos. Muitas vezes, a resposta está
na conversa, não no exame. A medicina precisa de tecnologia, mas também de
tempo e sensibilidade”, ressalta o Dr. Armindo.
O
especialista explica que a pressa pode levar a diagnósticos equivocados,
uso desnecessário de exames e até ao agravamento de doenças que poderiam ser
controladas com intervenções simples.
“Um
paciente ansioso, por exemplo, pode ter sintomas físicos que se confundem com
doenças cardíacas. Sem escuta, ele sai com uma bateria de exames, mas sem
acolhimento. Com escuta, ele sai mais calmo e orientado”, exemplifica.
A escuta como parte da prevenção
Para
além do diagnóstico, o tempo de escuta tem um papel decisivo na prevenção
de doenças e na adesão ao tratamento. Quando o paciente se
sente ouvido, tende a confiar mais no profissional e a seguir corretamente as
orientações médicas.
Segundo
a Organização Mundial de Saúde (OMS), somente 50% dos
doentes crônicos com necessidade de uso contínuo de medicamento, seguem
corretamente o tratamento após seis meses. Entre os motivos, estão a falta de
acompanhamento e de vínculo com a equipe de saúde.
“A
consulta é um espaço de cuidado, não apenas de prescrição. Quando o paciente
entende o que está acontecendo com o corpo dele, ele se torna parte ativa do
processo. Isso é prevenção na prática”, destaca o diretor médico da Nova Saúde.
O
modelo de atenção primária à saúde, adotado pela Nova Saúde,
valoriza exatamente essa lógica: consultas assertivas, acompanhamento contínuo e uma
relação de proximidade entre equipe e paciente.
“A
atenção primária não é um serviço rápido, é um relacionamento. Nosso objetivo é
conhecer o paciente, acompanhar suas mudanças e agir antes que o problema
aconteça”, explica o médico.
Humanização e vínculo: o futuro da medicina
A
valorização da escuta também é uma resposta a um cenário em que a medicina,
cada vez mais tecnológica, corre o risco de se distanciar do humano. Para o Dr.
Armindo, a tecnologia deve ser aliada da empatia, e não sua substituta.
A
humanização no atendimento médico tem mostrado resultados
concretos: melhora da adesão aos tratamentos, redução de internações e maior
satisfação dos pacientes.
“Cuidar
é, antes de tudo, escutar. E escutar exige tempo, presença e respeito. Quando o
paciente percebe que o médico a enxerga como pessoa e não como número, ele se
abre, confia e melhora”, reflete o especialista que acredita que o desafio é
resgatar a essência da medicina: o encontro humano.
“O
tempo de escuta é uma forma de cuidado. Ele reduz erros, melhora resultados e
devolve dignidade ao paciente. A medicina precisa voltar a ser sobre pessoas.
Essa é a verdadeira revolução que precisamos promover”, conclui.
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