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quinta-feira, 26 de junho de 2025

Insulina semanal é alternativa às doses diárias e oferece mais controle aos pacientes com diabetes

 Novo tratamento, já aprovado pela Anvisa, promete simplificar a rotina e deve estar disponível para os brasileiros até 2026

 

Há muitos anos, as injeções diárias de insulina para controlar a glicose fazem parte da rotina de milhões de pessoas que convivem com a diabetes. Embora seja necessário, aplicar doses todos os dias pode impactar o bem-estar físico e emocional dos pacientes, além de ser uma rotina cansativa e difícil de seguir. 

Agora, uma nova alternativa chega para simplificar esse processo: a insulina semanal. Como o nome já indica, ela precisa ser aplicada somente uma vez por semana e foi desenvolvida para manter o controle do açúcar no sangue durante os dias seguintes, com apenas uma dose. 

O funcionamento da insulina semanal pode ser comparado a um “depósito inteligente” no corpo. Após a aplicação, ela se liga a proteínas do sangue e vai sendo liberada aos poucos, de forma constante, durante a semana inteira. Essa liberação gradual evita variações bruscas na glicemia, que podem ocorrer quando o paciente precisa administrar várias injeções por dia. 

De acordo com o endocrinologista Dr. André Vianna, cofundador da G7Med, o principal benefício está justamente na praticidade. “Reduzir a frequência das aplicações de sete para uma por semana facilita a rotina e pode melhorar bastante a adesão do paciente ao tratamento”, explica. “É uma maneira mais simples de cuidar do diabetes, o que pode incentivar mais pessoas a manterem a consistência.” 

Os estudos clínicos que viabilizaram a insulina semanal mostram que, em pessoas com diabetes tipo 2, ela tem apresentado resultados tão bons quanto a insulina basal diária, com boa resposta no controle da glicemia e sem aumento no risco de hipoglicemia (a queda do açúcar no sangue). 

Já no caso do diabetes tipo 1, os resultados também são promissores, mas ainda em avaliação. É preciso manter o uso da insulina de ação rápida nas refeições, e o risco de hipoglicemia foi um pouco maior em alguns pacientes. “Por isso, o uso da insulina semanal deve sempre ser orientado por um médico, que saberá ajustar as doses e combinar os tipos de insulina da melhor forma para cada pessoa”, reforça Vianna. 

Como qualquer novo tratamento, a insulina semanal também traz desafios. Os pacientes precisarão aprender a lidar com um novo esquema de dosagem, entender como funciona a aplicação e ficar atentos a possíveis efeitos colaterais. Os mais comuns são pequenas reações no local da injeção, geralmente leves. Mas o ponto mais importante continua sendo a atenção à hipoglicemia. “Educar o paciente sobre os sinais de alerta e sobre a maneira correta de aplicar a insulina é essencial para a segurança do tratamento”, orienta o médico. 

A insulina semanal foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2025. No entanto, ela ainda não está disponível nas farmácias. Para que isso aconteça, é preciso que o preço seja definido e que ela seja incluída nos planos de saúde públicos e privados. Esse processo é conduzido pela CMED, órgão responsável por regular o valor dos medicamentos no Brasil. A expectativa é que a insulina esteja disponível para os pacientes brasileiros até 2026. 

Enquanto isso, outros países, como Alemanha, Canadá, Japão, Austrália, Suíça e os integrantes da União Europeia, já aprovaram e começaram a usar a insulina semanal. A chegada dessa opção ao Brasil é vista como um passo importante para modernizar o tratamento do diabetes e oferecer mais liberdade e qualidade de vida às pessoas com a doença. “Para quem tem diabetes tipo 2, ela pode substituir completamente a insulina basal diária. Já para o tipo 1, funciona como um complemento, que ajuda a reduzir o número total de injeções”, conclui Vianna.



André Vianna - Médico endocrinologista com doutorado em Ciências da Saúde pela PUC-PR. É pesquisador e diretor do Centro de Diabetes Curitiba e o único brasileiro envolvido nos estudos clínicos da insulina semanal. Cofundador da health tech G7med.


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