Pesquisar no Blog

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

TDAH ou apenas falta de atenção? Quando o comportamento da criança merece uma avaliação especializada

Distração frequente, dificuldade para concluir tarefas e inquietação podem ser confundidas com comportamentos comuns da infância; especialista explica quais sinais merecem atenção dos pais e da escola. 

 

Crianças distraídas, inquietas ou que apresentam dificuldade para concluir atividades nem sempre têm um transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. No entanto, quando esses comportamentos são frequentes e começam a interferir na aprendizagem, na rotina familiar e na convivência escolar, é importante investigar o que está por trás dessas dificuldades.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade está entre os transtornos do neurodesenvolvimento mais comuns na infância. A identificação adequada depende da observação dos comportamentos ao longo do tempo e em diferentes ambientes, já que características isoladas não são suficientes para estabelecer um diagnóstico.

De acordo com a pedagoga e especialista em neuropsicopedagogia Shirley Taborda, um dos principais pontos de atenção é a persistência dos sinais. "Uma criança pode estar desatenta em determinado momento por vários motivos, como cansaço, mudanças na rotina ou até mesmo falta de interesse em uma atividade específica. O que precisa ser observado é quando essa dificuldade se repete e começa a prejudicar a vida escolar e outras atividades do dia a dia", explica.

Entre os sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação estão a distração frequente, o esquecimento de tarefas e objetos, a dificuldade para seguir instruções e concluir atividades, além da inquietação e da necessidade constante de se movimentar. No entanto, esses comportamentos precisam ser analisados dentro do contexto de cada criança e não devem ser interpretados isoladamente.

A escola também desempenha um papel importante nesse processo. Professores e pedagogos costumam perceber mudanças no comportamento e dificuldades de aprendizagem antes mesmo que a família identifique que existe algum problema. A partir dessas observações, a criança pode ser encaminhada para uma avaliação especializada, que ajuda a compreender melhor suas necessidades.

Na avaliação neuropsicopedagógica, Shirley realiza uma investigação individualizada das dificuldades relacionadas à aprendizagem. O processo é desenvolvido ao longo de seis sessões e envolve entrevistas com os responsáveis, aplicação de testes padronizados e uma análise de diferentes aspectos do desenvolvimento, como memória, coordenação motora, raciocínio lógico e estratégias de aprendizagem. Ao final, a família recebe um relatório detalhado com orientações que podem contribuir para o acompanhamento da criança em casa e na escola.

"Nosso objetivo não é olhar apenas para um comportamento ou buscar um diagnóstico de forma isolada. É entender como aquela criança aprende, quais são suas dificuldades e quais estratégias podem ajudá-la. A avaliação também pode ser importante para crianças que ainda não têm um diagnóstico, justamente para esclarecer dúvidas e orientar os próximos passos", afirma Shirley.

A especialista reforça que buscar informação e avaliação adequada pode evitar que dificuldades sejam confundidas com preguiça, falta de interesse ou indisciplina. Quanto mais cedo a família e a escola compreendem o que está acontecendo, maiores são as possibilidades de oferecer à criança o suporte necessário para seu desenvolvimento e aprendizagem. 

 

Fonte: Shirley Taborda — Pedagoga e especialista em Neuropsicopedagogia.


Dificuldades de fala afetam até 12% das crianças: como pais e professores podem ajudar?

Especialistas explicam como o olhar atento de professores e familiares no cotidiano pode fazer a diferença na detecção de atrasos de linguagem na primeira infância
 

Dados do Ministério da Saúde apontam que até 12% das crianças de até cinco anos possuem suspeita de atraso no desenvolvimento da comunicação. No cenário geral, estimativas mostram que o atraso na fala e na linguagem afeta de 5% a 12% dos pequenos em idade pré-escolar, englobando condições como o Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL), que acomete cerca de 7% a 8% das crianças, e a Apraxia de Fala Infantil, presente em cerca de 3% dos casos.

Embora o diagnóstico seja uma atribuição médica e terapêutica, o ambiente escolar funciona como um observatório privilegiado. Na rotina da sala de aula, a criança precisa compreender orientações coletivas, formular perguntas, contar acontecimentos e interagir. É nessa dinâmica que dificuldades sutis que muitas vezes passam despercebidas em casa tornam-se mais evidentes.

De acordo com Adriana Fiore Fonoaudióloga Infantil, o sinal de alerta acende quando as dificuldades se tornam persistentes. "Uma criança que frequentemente precisa observar o que os colegas estão fazendo para compreender uma orientação, por exemplo, pode estar apresentando dificuldade de compreensão. Da mesma forma, uma criança que fala bastante, mas não consegue organizar uma história ou explicar claramente o que aconteceu, pode apresentar uma dificuldade de linguagem que merece atenção", explica.

Nathalia Novaes psicopedagoga, da Senses Montessori School, reforça que o papel da escola vai além de propor atividades isoladas. "A linguagem acontece o tempo todo na rotina: nas conversas, nas músicas, nas histórias, nas brincadeiras e nas interações. Mais do que observar quanto a criança fala, precisamos observar como ela está se comunicando", pontua.

Novaes destaca ainda a importância de a escola construir essa ponte com as famílias de forma empática e prática. "Em vez de dizer apenas ‘ele está atrasado’, o professor pode apresentar exemplos concretos do cotidiano. Quando família e escola compartilham essas observações, fica mais fácil perceber se a dificuldade merece uma investigação mais cuidadosa", afirma.
 

Principais sinais de alerta:

Na Escola: Dificuldade para acompanhar instruções do grupo; necessidade constante de olhar para os colegas para saber o que fazer; frustração ao tentar se comunicar; e dificuldades na alfabetização.

Em Casa: Dificuldade para responder a perguntas sobre o dia a dia; não ser compreendida por pessoas fora do convívio diário; e falta de vocabulário variado para a idade.

Especialistas enfatizam que observar cedo não significa antecipar diagnósticos precipitados, mas sim garantir que a criança receba o suporte necessário no momento certo.



Dra. Adriana Fiore - Fonoaudióloga – CRFa 2-12078 - Mestre em Distúrbios da Comunicação (PUC-SP). 
Pós-graduada em Processamento Auditivo Central. Especialista em Voz pelo CEV – Centro de Estudos da Voz. Idealizadora e Diretora da AplusKids.

Nathalia Novaes - Educadora na Senses Montessori Scholl. Formada em Pedagogia e Psicopedagogia. 
Formação Montessori pelo Centro de Estudos Montessori de Florianópolis


Por que a comida fica menos saborosa quando estamos resfriados?

Shutterstock
Entenda como o nariz entupido afeta a percepção do sabor dos alimentos e como o gosto umami pode contribuir nessa situação

 

Você provavelmente já percebeu que, quando pegamos um resfriado, nossos sentidos tendem a ficar menos aguçados, principalmente o olfato. Como ele desempenha um papel fundamental na percepção dos alimentos, a congestão nasal acaba reduzindo a intensidade com que sentimos os sabores e, consequentemente, o prazer de comer. Ao contrário do que muitos imaginam, isso não significa que perdemos o paladar, os receptores gustativos responsáveis por identificar os gostos continuam funcionando normalmente.

Embora muitas vezes sejam utilizados como sinônimos, “gosto” e “sabor” não são a mesma coisa. O gosto é percebido por células sensoriais localizadas em pequenas estruturas da língua, conhecidas como papilas gustativas. Já o sabor é uma experiência mais abrangente, resultado da combinação entre o gosto, os aromas captados pelo olfato, a textura dos alimentos e até sensações como temperatura e crocância. Essa diferença ajuda a explicar por que a comida fica menos saborosa durante um resfriado. Quando estamos com o nariz entupido e o olfato fica comprometido, continuamos capazes de perceber os cinco gostos básicos do paladar humano, doce, salgado, amargo, azedo e umami, mas o sabor dos alimentos tende a parecer menos intenso e menos prazeroso. Mariana Rosa, gerente de Comunicação Científica da Ajinomoto do Brasil, explica que compreender essa distinção é o primeiro passo para encontrar alternativas que tornem a alimentação mais prazerosa nesse período.

“Como o resfriado afeta a nossa percepção dos aromas e dos sabores, podemos potencializar aquilo que a nossa língua ainda consegue captar muito bem. Nesse sentido, o umami, quinto gosto básico do paladar humano, pode contribuir de forma positiva, estimulando a salivação, prolongando a permanência dos gostos na boca e favorecendo funções importantes relacionadas à mastigação e à deglutição. Assim, mesmo enfrentando a congestão nasal de um resfriado, suas características ajudam a manter as refeições mais convidativas”.

A executiva explica ainda que incluir o umami nas refeições durante o resfriado é mais simples do que parece: “O quinto gosto está presente naturalmente em alimentos ricos em glutamato, aminoácido que pode ser encontrado em tomates, cogumelos, milho, queijo parmesão, carnes, peixes, frango e ovo. Por isso, vale apostar em receitas que combinem esses alimentos ou adicionar a sua versão cristalizada, o glutamato monossódico, que pode ser encontrado em produtos como o AJI-NO-MOTO®, aproveitando a sensação de 'água na boca' para tornar o comer mais agradável durante esse momento”, finaliza Mariana.



Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A Ajinomoto do Brasil desenvolve projetos e ações alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), que visam alcançar um mundo mais igualitário e sustentável até 2030. Clique aqui para conhecer mais sobre esses projetos.

A divulgação deste material colabora diretamente para os seguintes ODS: 




 


 





UMAMI

www.portalumami.com.br

Ajinomoto do Brasil

www.ajinomoto.com.br

 

 

Colesterol alto é sempre culpa da alimentação? Especialistas comentam mitos e verdades sobre a influência da genética

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a hipercolesterolemia familiar afeta 1 em cada 250 pessoas e é uma das doenças genéticas mais comuns do mundo

 

Embora a alimentação e a prática de atividade física sejam fundamentais para manter o colesterol sob controle, nem todos os casos de colesterol elevado estão relacionados aos hábitos de vida. Em algumas pessoas, a principal causa é genética, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares mesmo entre indivíduos que mantêm uma rotina saudável.  

No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce da hipercolesterolemia familiar (HF), doença hereditária caracterizada por níveis elevados de colesterol LDL ("colesterol ruim") desde o nascimento. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a condição afeta cerca de 1 em cada 250 pessoas e é considerada uma das doenças genéticas mais comuns no mundo. Apesar disso, a maioria dos casos permanece sem diagnóstico.  

Como os sintomas costumam ser silenciosos, muitas pessoas só descobrem a doença após um evento cardiovascular, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Para explicar dúvidas frequentes sobre o tema, especialistas explicam o que é mito e o que é verdade. 
 

Colesterol alto sempre é consequência da alimentação: MITO 

Embora hábitos alimentares inadequados possam elevar os níveis de colesterol, eles não explicam todos os casos. Na hipercolesterolemia familiar, uma alteração genética dificulta a remoção do colesterol LDL da circulação, fazendo com que ele permaneça elevado desde os primeiros anos de vida. 

"Quando o colesterol elevado tem origem genética, mudanças na alimentação continuam sendo importantes, mas geralmente não são suficientes para normalizar os níveis de LDL. Na maioria dos casos, é necessário associar o uso de medicação, como as estatinas, ao acompanhamento médico regular. O diagnóstico precoce é essencial para reduzir o risco de complicações cardiovasculares", explica Cristina Khawali, endocrinologista do Laboratório Exame, marca da Dasa no Distrito Federal. 
 

Pessoas magras e fisicamente ativas também podem ter colesterol alto: VERDADE 

Ter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e manter o peso adequado reduz o risco cardiovascular, mas não impede que uma pessoa com predisposição genética apresente colesterol elevado. 

"É comum que pacientes com hipercolesterolemia familiar tenham hábitos saudáveis e, ainda assim, apresentem níveis elevados de colesterol. Nesses casos, a genética exerce um papel muito mais importante do que o estilo de vida. Por isso, ter hábitos saudáveis não substitui a realização periódica do exame de colesterol, principalmente para quem tem histórico familiar da doença", afirma Cristina Khawali. 
 

Se meu colesterol é hereditário, não adianta mudar os hábitos: MITO 

Mesmo quando existe uma causa genética, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e seguir o tratamento indicado pelo médico fazem parte do controle da doença e ajudam a reduzir o risco de complicações cardiovasculares. 
 

Quem tem casos de infarto precoce na família deve investigar o colesterol: VERDADE 

Histórico familiar de colesterol alto ou de infarto em homens antes dos 55 anos de idade e mulheres antes dos 65 anos pode ser um sinal de alerta para hipercolesterolemia familiar. 

"Nessas situações, investigar o histórico familiar é tão importante quanto avaliar os exames laboratoriais. Em alguns casos, os testes genéticos também podem auxiliar na confirmação do diagnóstico e na identificação de outros familiares que possam ter herdado a alteração genética", explica Ricardo Di Lazzaro, médico doutor em Genética e fundador da Genera, marca da Dasade genômica pessoal. 
 

Crianças também podem ter colesterol alto: VERDADE 

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a hipercolesterolemia familiar está presente desde o nascimento: crianças com a alteração genética já nascem com o colesterol LDL elevado. Segundo o estudo ERICA, que avaliou adolescentes brasileiros, quase 3 milhões de jovens no país têm colesterol total elevado. Por isso, crianças com histórico familiar da doença ou de eventos cardiovasculares precoces devem ter o colesterol avaliado já entre os 2 e os 8 anos de idade; as demais podem esperar o rastreamento universal recomendado a partir dos 9 ou 10 anos. 

 


Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) – Consenso Brasileiro sobre Hipercolesterolemia Familiar.

  • Ministério da Saúde – Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV).
  • Organização Mundial da Saúde (OMS) – Cardiovascular diseases (CVDs).
  • Estudo ERICA (Faria JR et al.) – Prevalence of Dyslipidemia in Brazilian Adolescents, Revista de Saúde Pública, 2016.
  • Cesena FY – Detecção de Hipercolesterolemia Familiar em Adolescentes: o Rastreamento Universal é Fundamental, Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025.
  • National Cancer Institute (NCI) – Common Cancer Myths and Misconceptions.
  • Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes (DZD/diabinfo.de) – Genetic risk factors for type 2 diabetes.


Até 15% dos pacientes com cálculos nos canais biliares enfrentam casos que exigem procedimentos complexos para adequada resolução clínica

Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) alerta para os limites das técnicas endoscópicas convencionais e ressalta a importância da participação social na consulta pública da ANS para ampliar o acesso a tratamentos de alta resolutividade

 

A coledocolitíase, caracterizada pela presença de cálculos no ducto biliar comum, é um desafio frequente para a gastroenterologia e a endoscopia digestiva. Estima-se que entre 3% e 15% dos pacientes com colelitíase sintomática (pedras na vesícula) também apresentem cálculos nos ductos biliares. Deste total, cerca de 10% a 15% desenvolvem quadros classificados como difíceis ou complexos, devido a fatores como tamanho avantajado dos cálculos, formatos irregulares, localização de difícil acesso ou alterações anatômicas no paciente. 

Para debater as melhores condutas e ampliar o acesso às tecnologias de visualização direta, a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) destaca os limites das técnicas tradicionais e a necessidade de evolução na linha de cuidado desses pacientes na saúde suplementar. 

Atualmente, o tratamento de primeira linha para cálculos biliares é a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) convencional. No entanto, quando os cálculos são complexos, a taxa de sucesso das técnicas tradicionais associadas à CPRE (como a remoção por balão ou cesta) cai para cerca de 66,7%. Nesses cenários de falha, os pacientes frequentemente são submetidos a reintervenções seriadas e inconclusivas, o que prolonga o tempo de internação e aumenta o risco de complicações graves, como a colangite aguda (inflamação dos ductos biliares). 

"Nos casos em que as técnicas convencionais falham, a colangioscopia com litotripsia a laser ou eletro-hidráulica associada à litotripsia intraductal, seja por laser ou por ondas de choque eletro-hidráulicas, apresenta-se como a abordagem recomendada pelas principais diretrizes médicas mundiais. Ela viabiliza o clareamento ductal completo de forma segura e com menor tempo de hospitalização", explica o Dr. Eduardo de Moura, presidente da SOBED. 

Ao contrário da CPRE convencional, que oferece apenas imagens radiográficas indiretas das vias biliares utilizando raio-X e contraste, a colangioscopia com litotripsia a laser ou eletro-hidráulica permite que o médico introduza um endoscópio ultrafino de operador único diretamente no canal biliar. Com a visualização direta e em tempo real da estrutura interna, o especialista consegue guiar com precisão as sondas de litotripsia para fragmentar os cálculos de difícil remoção de forma minimamente invasiva, reduzindo drasticamente a necessidade de encaminhar o paciente para cirurgias abertas convencionais.

 

PARTICIPAÇÃO SOCIAL: CONSULTA PÚBLICA DA ANS

Para discutir a cobertura desse procedimento na saúde suplementar, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu, no dia 12/08, uma Consulta Pública para receber contribuições de médicos, profissionais de saúde e da sociedade civil sobre a incorporação da colangioscopia com litotripsia a laser ou eletro-hidráulica com litotripsia no Rol de procedimentos de cobertura obrigatória dos planos de saúde, que permanecerá aberta para manifestações por um período de 20 dias, encerrando-se no dia 31/08. A SOBED reforça a importância da participação ativa da sociedade e da comunidade médica neste processo para garantir que os beneficiários de planos de saúde tenham acesso regulamentado a uma tecnologia de alta resolutividade e clinicamente consolidada. Link: ANS - Consulta Publica Gov Tela Inicial

 

Estresse e ansiedade também podem afetar o aparelho digestivo, explica gastroenterologista da Unimed Araxá

 Imagem criada com Inteligência Artificial
Relação entre cérebro e intestino acontece nos dois sentidos e exige atenção para que sintomas não sejam confundidos com doenças digestivas

 

Quem nunca sentiu o estômago embrulhar diante de uma situação de ansiedade ou percebeu o intestino mudar em períodos de estresse? A relação entre o sistema nervoso e o aparelho digestivo é mais próxima do que parece e funciona nos dois sentidos: alterações emocionais podem interferir na digestão, assim como problemas digestivos podem repercutir no bem-estar emocional.

 

De acordo com o gastroenterologista da Unimed Araxá, Dr. Lincoln Porfírio Ferreira Filho, essa comunicação acontece por meio de uma complexa ligação entre o cérebro e o aparelho digestivo. “O eixo cérebro-aparelho digestivo é bem conhecido, devido à complexa ligação entre os dois órgãos, sendo de carácter bidirecional”, explica.

O estresse, por exemplo, pode alterar o funcionamento do aparelho digestivo. Nesses momentos, o organismo entra em um estado de resposta de “fuga ou luta”, direcionando fluxo sanguíneo e energia para os músculos e o cérebro e reduzindo funções digestivas que não são consideradas fundamentais naquele momento.

 

Essa alteração pode provocar mudanças no funcionamento intestinal, levando a distensão, desconforto, cólicas, diarreia ou intestino preso. Também podem aparecer refluxo gastroesofágico, empachamento e indigestão. Em algumas situações, a própria percepção dos movimentos do aparelho digestivo fica mais intensa, aumentando a sensação de cólica e desconforto.

 

“O estresse e a ansiedade podem causar alterações na motilidade intestinal”, afirma Dr. Lincoln. Segundo ele, sintomas neurológicos também podem reduzir a produção do muco que protege o aparelho digestivo, favorecendo sensações como queimação, azia, dor e refluxo, pela maior produção de acidez estomacal.


 

A relação também pode acontecer ao contrário


A ligação entre os dois sistemas não funciona apenas do cérebro para o aparelho digestivo. Alterações digestivas também podem influenciar o sistema nervoso e contribuir para manifestações como angústia, depressão e transtornos de ansiedade.

 

O médico explica que os estudos sobre a flora intestinal vêm mostrando, há cerca de três décadas, uma relação cada vez mais importante entre as bactérias presentes no intestino e diferentes condições digestivas. Em situações de estresse, angústia e ansiedade, podem ocorrer alterações nessa composição, além de mudanças nos gases digestivos, na parede intestinal e na produção de hormônios neurológicos.

 

“Desta forma, ocorre um mecanismo de direção dupla: eixo cérebro-intestinal, onde um influencia o outro, e vice-versa”, diz o gastroenterologista.


 

Nem todo sintoma digestivo é causado pelo estresse


Apesar dessa relação, Dr. Lincoln alerta que sintomas digestivos não devem ser automaticamente atribuídos à ansiedade ou ao estresse. A avaliação adequada é necessária porque manifestações semelhantes também podem estar relacionadas a doenças que precisam de investigação e tratamento.

 

Entre os problemas que devem ser cuidadosamente avaliados estão úlceras, gastrites, doença do refluxo gastroesofágico, câncer digestivo, doenças relacionadas à absorção e intolerâncias alimentares.


Alguns sinais exigem atenção especial, como sangramentos, perda de peso inexplicada, dores persistentes e sintomas que aparecem durante o sono. Fatores genéticos também devem ser considerados na avaliação. 

Para o médico, ouvir um profissional da área é importante para diferenciar sintomas relacionados ao estresse e à ansiedade daqueles provocados por alterações na estrutura do aparelho digestivo. “A saúde digestiva depende da saúde mental, e vice-versa”, resume.


Sepse: confusão mental, desmaio e dificuldade para urinar podem ser sinais de alerta

Especialista do ILAS explica sintomas que devem levantar suspeita de sepse e alerta que ausência de febre não significa que infecção seja menos grave

 

Nem sempre a sepse começa com febre. Em alguns pacientes, principalmente idosos, pessoas com sistema de defesa comprometido (imunossuprimidos) e pacientes com câncer, uma infecção grave pode evoluir sem o aumento da temperatura corporal − o que pode dificultar a identificação do quadro e atrasar a busca por atendimento. 

O alerta é do Dr. Luciano Azevedo, integrante do Conselho Científico do Instituto Latinoamericano de Sepsis (ILAS), que destaca dois grupos de sinais que devem ser observados quando existe suspeita de sepse: os relacionados à própria infecção e aqueles que indicam que algum órgão pode estar começando a apresentar disfunção. 

“Quando eu suspeito de um paciente com sepse, eu preciso me preocupar com dois grandes grupos de sintomas. Os primeiros sintomas são aqueles relacionados com o quadro infeccioso”, explica Azevedo. 

Entre os sinais que podem indicar uma infecção estão manifestações compatíveis com o possível foco infeccioso, como sintomas respiratórios no caso de uma pneumonia, além de febre, queda do estado geral e mal-estar. Mas a ausência de febre não deve ser interpretada como sinal de que a situação é menos grave. 

“Pacientes imunossuprimidos, pacientes idosos, pacientes oncológicos, podem não apresentar febre e mesmo assim ter um quadro infeccioso grave, incluindo sepse”, ressalta o médico.

 

Mudanças no comportamento podem ser sinal de disfunção de órgãos 

O segundo grupo de sinais está relacionado às chamadas disfunções orgânicas. Alterações no estado mental, por exemplo, podem ser um importante sinal de alerta. “Se o paciente está confuso, agitado, ou sonolento, isso pode indicar uma disfunção neurológica”, afirma Azevedo. 

Alterações cardiovasculares também podem aparecer. Pressão arterial baixa, má perfusão periférica, sensação de desmaio, lipotímia ou síncope podem indicar comprometimento cardiovascular e devem ser valorizadas no contexto de uma possível infecção. 

Outro sinal que merece atenção é uma mudança importante na produção de urina. Segundo o especialista, quando o próprio paciente ou familiares percebem que, há algumas horas ou dias, ele não está conseguindo urinar adequadamente, isso pode indicar uma disfunção renal. 

No sistema respiratório, falta de ar, alterações importantes na frequência respiratória e o uso de musculatura acessória para respirar também podem indicar comprometimento do órgão.

 

O que observar diante de uma infecção 

Para o especialista, a suspeita de sepse deve considerar o conjunto de sinais, e não apenas a presença ou ausência de febre. “Se eu suspeito de sepse, eu procuro sinais de infecção relacionados com o foco infeccioso e sinais gerais de infecção e procuro também os sinais de disfunção orgânica”, resume Azevedo. 

A combinação dessas informações pode contribuir para identificar mais rapidamente pacientes que estejam evoluindo para um quadro séptico. “Com isso, eu consigo otimizar o meu diagnóstico e iniciar o tratamento com antibiótico mais rapidamente”, conclui.


Agosto Lilás: como deve ser o atendimento à vítima de violência sexual

FEBRASGO reforça que mulheres devem procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível para receber cuidados, prevenir infecções e gravidez e ser encaminhadas à rede de proteção

 

“Mulheres vítimas de violência sexual devem procurar uma unidade de saúde o mais rapidamente possível. O atendimento imediato é fundamental para garantir o acolhimento, avaliar as condições clínicas e oferecer medidas de prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis, HIV e uma possível gravidez”. A orientação é do Dr. Olímpio Barbosa de Moraes Filho, ginecologista e vice-presidente da Região Nordeste da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Segundo o especialista, a mulher pode buscar inicialmente o serviço de saúde mais próximo. Caso a unidade não tenha estrutura para prestar toda a assistência necessária, deverá encaminhá-la para um serviço de referência.

 

“A prioridade é cuidar da saúde da mulher, oferecendo assistência adequada, medicações preventivas e todas as orientações necessárias. Esse atendimento deve ser realizado por profissionais capacitados, de forma acolhedora e sem qualquer julgamento”, afirma.

 

O serviço deve estar preparado para oferecer contracepção de emergência, medidas de prevenção ao HIV e a outras infecções, além de acompanhamento psicológico e assistência social. Também é necessário avaliar se a mulher corre risco imediato e se possui condições seguras de retornar para casa. “Em alguns casos, pode ser necessário acionar a rede de proteção, buscar um abrigo ou encaminhar a paciente para outros serviços. Por isso, o trabalho integrado com psicólogos e assistentes sociais é tão importante”, explica o ginecologista.

 

De acordo com o Dr. Olímpio, a forma como a mulher é recebida pode fazer diferença em um momento de extrema vulnerabilidade. O profissional deve ouvi-la com atenção, respeitar sua individualidade, garantir o sigilo e evitar qualquer comportamento que minimize seu sofrimento. “É importante chamar a mulher pelo nome, não usar diminutivos e não tentar suavizar aquilo que ela viveu. O atendimento precisa ser digno, respeitoso e centrado nas necessidades de cada caso”, ressalta.

 

Embora muitas vítimas possam se sentir mais confortáveis sendo atendidas por uma profissional mulher, o especialista destaca que a postura de quem presta o cuidado é o ponto central. “O mais importante é que o profissional, seja homem ou mulher, tenha uma atitude de acolhimento, respeito, escuta e ausência de julgamento. Quando houver possibilidade, a presença de uma profissional mulher pode trazer mais conforto à paciente”, observa.

 

Além do atendimento em saúde, a mulher pode buscar orientação por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, disponível 24 horas. O serviço oferece informações sobre direitos e sobre os mecanismos de proteção disponíveis. Em situações de risco iminente à vida ou à integridade física, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190. A vítima também pode procurar uma delegacia para registrar a ocorrência, sempre respeitando seu tempo e suas condições emocionais.

 

A Defensoria Pública também pode auxiliar na solicitação de medidas protetivas e no acesso aos demais direitos assegurados às mulheres vítimas de violência.

 

Para o representante da FEBRASGO, um dos maiores obstáculos ao enfrentamento da violência sexual é a cultura que responsabiliza a própria vítima pela agressão sofrida. “Por vivermos em uma sociedade ainda marcada pelo machismo, muitas mulheres se sentem culpadas pelo estupro. Frequentemente, a sociedade tenta responsabilizá-las pela roupa que usavam, por terem saído à noite, consumido bebida alcoólica ou caminhado sozinhas. Nada disso justifica uma violência sexual”, afirma.

 

Segundo o médico, a mudança desse cenário depende de um trabalho contínuo de educação e de promoção da igualdade de gênero, desde as escolas e em todos os espaços sociais. “É preciso romper com a ideia de que a mulher provocou a violência ou de que determinados lugares e atividades não lhe pertencem. Mulheres e homens devem ter os mesmos direitos e poder ocupar os mesmos espaços com segurança e respeito”, destaca.

 

Apesar dos avanços na legislação e da ampliação da rede de proteção, o especialista avalia que ainda existe uma distância entre os direitos garantidos e a realidade vivida por muitas mulheres. “Avançamos muito nas últimas décadas, mas os números de feminicídio e de violência mostram que ainda há um longo caminho. A construção de uma sociedade plural, com respeito mútuo e igualdade entre homens e mulheres, continua sendo um desafio de todos”, conclui.




Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO
https://www.febrasgo.org.br/pt/
@febrasgooficial
@feitoparaelaoficial


Canetas emagrecedoras: especialista explica por que comer melhor e se exercitar ainda é essencial para manter o peso

Freepik
Uso da medicação não substitui mudanças estruturais na alimentação e no estilo de vida; segundo pesquisa, 58% dos brasileiros afirmam já ter ouvido falar das canetas emagrecedoras 


O avanço das chamadas canetas emagrecedoras colocou os medicamentos injetáveis para perda de peso no centro do debate sobre obesidade e saúde metabólica. Ao atuarem na regulação do apetite e da saciedade, esses fármacos contribuem para a redução da ingestão calórica e para o emagrecimento, mas especialistas alertam que o uso da medicação, por si só, não substitui mudanças na alimentação e no estilo de vida.
 

Segundo a pesquisa Ipsos Health Service Report 2025, 58% dos brasileiros afirmam já ter ouvido falar das canetas emagrecedoras. Paralelamente, dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que 32,25% das notificações de eventos adversos relacionados à semaglutida no Brasil estão associadas ao uso fora das indicações aprovadas em bula, proporção cerca de três vezes maior do que a observada na base global da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

“O cenário reforça a necessidade de uso responsável e acompanhamento médico adequado. As canetas emagrecedoras reduzem a ingestão alimentar porque atuam em vias hormonais ligadas à saciedade e ao esvaziamento gástrico, com sinalização ao sistema nervoso central que o organismo está satisfeito, retardando a digestão, prolongando a sensação de plenitude após as refeições”, explica Andrea Bottoni, nutrólogo do Hospital IGESP. “Com isso, o indivíduo tende a comer menos e a se sentir saciado com porções menores, facilitando a redução do consumo calórico diário.”

 

Alimentação e exercício como base do tratamento 

Apesar dos benefícios, a redução do apetite não garante, por si só, uma alimentação equilibrada. Sem orientação nutricional adequada, é possível diminuir calorias sem assegurar a ingestão correta de nutrientes essenciais, e esse desequilíbrio pode favorecer a perda de massa muscular, reduzir o gasto energético basal e dificultar a manutenção do peso no longo prazo. 

“Durante o tratamento, a recomendação é priorizar proteínas magras, como frango, peixe, ovos, carnes magras e verduras, legumes e frutas ricos em fibras, carboidratos complexos (arroz integral, aveia, batata-doce), além de fontes de gorduras boas, como azeite de oliva, abacate, castanhas e sementes”, acrescenta o especialista. 

A prática regular de atividade física é outro pilar indispensável, uma vez que o exercício contribui para a preservação e o ganho de massa muscular, melhora a sensibilidade à insulina, aumenta o gasto energético total e ajuda a evitar a desaceleração metabólica associada à perda de peso. Além disso, não se pode descartar os benefícios cardiovasculares, metabólicos e impacto positivo no bem-estar psicológico. 

“Dessa forma, as canetas emagrecedoras devem ser encaradas como uma ferramenta complementar, inserida em uma abordagem integrada que inclui reeducação alimentar, atividade física e mudanças comportamentais. A combinação dessas estratégias é fundamental para resultados sustentáveis e para a promoção da saúde de forma ampla, indo além da simples perda de peso”, finaliza o nutrólogo do Hospital IGESP.


“Epidemia” de desinformação compromete tratamento oncológico: veja alguns mitos e o que fazer

Infodemia é o excesso de notícias falsas ou distorcidas prejudicam a prevenção e desacreditam tratamentos científicos

 

Difícil diferenciar informação e desinformação em tempos de contestação da ciência. As redes sociais propagam fatos e fakes em velocidade superior à necessária para a comprovação da veracidade do que se prega. De acordo com o National Cancer Institute, um em cada três artigos sobre câncer que circulam nas redes carrega informações falsas. Na oncologia, a chamada Infodemia tem potencial letal. Interfere na detecção precoce das doenças e reduz as chances de cura. Compromete prognósticos de pacientes lesados por falsas promessas de cura e impactados por mitos como, por exemplo, o que atribui à radiação das mamografias o risco de desenvolvimento de tumores.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) resume a infodemia em câncer como “o excesso de informações falsas ou distorcidas nas redes sociais que prejudicam a prevenção e desacreditam tratamentos científicos”. Trata-se de uma epidemia de desinformação. O oncologista Fernando Medina, do Centro de Oncologia Campinas (COC), observa que a infodemia é especialmente direcionada a uma parcela vulnerável e suscetível emocionalmente a acreditar no que a ciência contesta.

“Imagine receber um diagnóstico de câncer. O mundo desaba. Na busca desesperada por respostas, você abre o celular. Em poucos minutos, encontra dezenas de vídeos prometendo curas simples, sem quimioterapia, sem efeitos colaterais. Alguém jurou que parou de comer açúcar e o tumor desapareceu. Outro afirma que a indústria farmacêutica esconde a cura para continuar vendendo tratamentos caros. Para quem está assustado, vulnerável e precisando de esperança, essas mensagens soam como um farol na escuridão”, descreve o médico.

Mas há algo ainda mais perturbador na infodemia, segundo Medina: “os algoritmos das redes sociais, projetados para maximizar engajamento, acabam por premiar a mentira. Conteúdo sensacionalista, que provoca medo, raiva ou esperança falsa, recebe mais curtidas, compartilhamentos e comentários do que informação factual e equilibrada.”


Mitos sobre o câncer

Fernando Medina elenca alguns dos principais mitos e inverdades que interferem na prevenção, nos cuidados, prognósticos e no tratamento do câncer:


Açúcar, o Inimigo Invisível

Um dos mitos mais persistentes é que o açúcar "alimenta" o câncer. A lógica apelativa é simples: células cancerígenas consomem mais glicose, portanto, eliminar o açúcar da dieta mata o tumor. A realidade, no entanto, é bem mais complexa. Todas as células do corpo — saudáveis ou não — utilizam glicose como fonte de energia. Não existe evidência científica de que uma dieta sem açúcar cure ou impeça o câncer.

O que existe são estudos sobre obesidade e estilo de vida como fatores de risco, não sobre "privação de açúcar" como tratamento. Pacientes que abandonam tratamentos convencionais para seguir dietas restritivas sem supervisão médica podem sofrer desnutrição grave — e agravar, em vez de melhorar, seu prognóstico. Ainda assim, pesquisas indicam que a maioria dos pacientes com câncer de mama já ouviu essa afirmação, muitas vezes de fontes que parecem confiáveis.


 A quimioterapia como vilã

Outro mito devastador é a apresentação da quimioterapia como um "veneno" ineficaz, imposto por médicos para lucrar. “Vídeos e posts nas redes frequentemente mostram pessoas que "curaram o câncer naturalmente", sem quimioterapia, sem radioterapia, sem cirurgia. Esses testemunhos emocionais viralizam com facilidade, enquanto a ciência, que exige cautela e nuance, fica para trás”, detalha Medina.

A verdade é que a quimioterapia é um tratamento comprovado por décadas de pesquisa clínica rigorosa. “Sim, tem efeitos colaterais significativos. Sim, é um tratamento agressivo. Mas também salva milhões de vidas. Estudos mostram que pacientes que optam por tratamentos alternativos em vez de terapias convencionais têm risco significativamente maior de morte”.

O problema, diz o oncologista, não está em usar terapias complementares — como acupuntura, meditação ou nutrição orientada — mas em substituir tratamentos com evidência por métodos sem comprovação.


A cura secreta que não existe

A teoria da conspiração mais viral de todas sugere que a indústria farmacêutica possui a cura do câncer, mas a esconde para continuar vendendo tratamentos caros. Esse mito foi um dos artigos de saúde mais compartilhados em anos recentes, acumulando milhões de interações nas redes sociais.

“A realidade, porém, é que o câncer não é uma doença única. São centenas de doenças diferentes, cada uma com biologia, prognóstico e resposta terapêutica únicos. Não existe ‘uma cura’ porque não existe ‘um câncer’. Além disso, a ideia de que milhares de cientistas, médicos e pesquisadores ao redor do mundo conspiram em silêncio é estatisticamente impossível”, aponta Fernando Medina.


Ervas, suplementos e "remédios naturais"

Artigos virais afirmam que substâncias naturais — gengibre, óleo de cannabis, suco de folhas, bicarbonato de sódio, peróxido de hidrogênio — curam o câncer. Alguns chegam a afirmar que determinada erva é "dez mil vezes mais eficaz que a quimioterapia". “Embora algumas substâncias naturais tenham propriedades anti-inflamatórias ou antioxidantes em laboratório, nenhuma delas foi comprovada como cura para o câncer em estudos clínicos robustos”, diz.


A mamografia que "espalha" o câncer

Em vídeos populares, comentários frequentemente afirmam que a mamografia "quebra o tumor e espalha o câncer" ou que "a radiação do exame causa câncer de mama".

“Essas alegações são biologicamente implausíveis. A mamografia utiliza doses mínimas de radiação e o benefício do diagnóstico precoce supera em muito qualquer risco teórico. Não existe mecanismo pelo qual o exame possa espalhar células cancerígenas. O rastreamento mamográfico é uma das ferramentas mais eficazes de redução da mortalidade por câncer de mama em populações elegíveis”, assegura.


Vacinas que "causam" câncer

O mito de que vacinas — especialmente as de tecnologia mais recente — modificam o DNA e causam câncer circula nas redes sociais. A realidade é exatamente o oposto. “A vacina contra o HPV, por exemplo, é uma das maiores ferramentas de prevenção de câncer já desenvolvidas, protegendo contra câncer de colo de útero, orofaringe e outros tipos relacionados ao vírus. A desinformação sobre vacinas não apenas prejudica a saúde pública, mas priva pessoas de proteção real contra doenças”.


Por que acreditamos?

Não se trata de ingenuidade, reafirma Fernando Medina. Receber um diagnóstico de câncer é um dos momentos mais vulneráveis da vida de uma pessoa. A ansiedade, o medo e a necessidade urgente de controle fazem com que milhões de pacientes recorram às redes sociais em busca de respostas — e de esperança.

As redes sociais oferecem exatamente o que o paciente precisa emocionalmente:

          Esperança fácil: Promessas de curas simples, sem efeitos colaterais, sem sofrimento

          Narrativas pessoais: Testemunhos emocionais que parecem mais "reais" do que estatísticas frias

          Comunidade: Grupos de apoio que, às vezes, reforçam crenças erradas como forma de pertencimento

          Senso de controle: A ideia de que há algo ativo que o paciente pode fazer — dieta, suplementos, terapias alternativas — contra uma doença que parece aleatória e injusta

"Quando você está com medo, qualquer promessa de controle soa como salvação. O problema é que o controle ilusório pode custar a vida real", afirma

As consequências reais

A desinformação não fica apenas na tela do celular. Ela tem consequências mensuráveis — e graves — na vida real.

“Pacientes que optam por terapias alternativas em vez de tratamentos convencionais apresentam risco significativamente maior de morte. Em alguns tipos de câncer, o risco de morte é mais que o dobro. Não se trata de uma diferença sutil: é a diferença entre viver e morrer”, assegura.

Além da mortalidade, há o arrependimento terapêutico. Pacientes que obtiveram informações primariamente na internet — em vez de conversas aprofundadas com seus médicos — relatam significativamente mais arrependimento sobre o tipo de tratamento escolhido.

“A exposição a conteúdo com informação exagerada ou desequilibrada gera expectativas irreais, e quando a realidade não corresponde, o sofrimento psicológico é imenso.”


Como se proteger: um guia prático

Para Pacientes e Familiares

          Desconfie de curas milagrosas. Se algo parece bom demais para ser verdade, provavelmente é. Câncer é complexo; não existem soluções simples.

          Verifique a fonte. Sites de instituições de saúde reconhecidas, hospitais de referência e sociedades médicas são fontes confiáveis.

          Converse com seu médico. Leve as dúvidas que surgiram nas redes. Um bom profissional não ridiculariza — esclarece.

          Cuidado com testemunhos. A experiência de uma pessoa não é evidência científica. O que funcionou para alguém pode não funcionar para você.

          Desconfie de quem vende. Se o "especialista" está vendendo um produto, suplemento ou curso, o interesse financeiro pode estar distorcendo a informação.

 

www.oncologia.com.br
instagram.com/coc_oncologia


Posts mais acessados