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sexta-feira, 22 de maio de 2026

O avanço necessário das punições para crimes financeiros e fraudes contábeis


O endurecimento das punições para crimes financeiros, fraudes contábeis e manipulação de informações no mercado de capitais representa um passo necessário para a proteção da economia brasileira e para a reconstrução da confiança institucional no ambiente de negócios. Em um país historicamente marcado por escândalos corporativos, esquemas de pirâmide financeira e estruturas empresariais montadas para ocultar patrimônio ou enganar investidores, o fortalecimento da legislação deixa de ser apenas uma resposta política e passa a ser uma exigência econômica e social. 

A discussão em torno do projeto que tramita no Senado Federal, ampliando penas e criando mecanismos mais rigorosos de responsabilização, surge em um momento particularmente sensível. O Brasil convive com um cenário de crescente sofisticação das fraudes financeiras, impulsionadas pela digitalização das operações, pela popularização de plataformas de investimento e pelo uso de estruturas empresariais complexas capazes de dificultar rastreamento, fiscalização e responsabilização. 

Durante muitos anos, a legislação brasileira tratou crimes financeiros de maneira fragmentada e, em alguns casos, excessivamente branda diante dos impactos econômicos causados. A consequência disso foi a consolidação de uma percepção perigosa: a de que fraudes empresariais sofisticadas raramente produzem punições proporcionais aos danos gerados. 

Não se trata apenas de perdas patrimoniais individuais. Fraudes contábeis afetam diretamente a credibilidade do mercado, comprometem empregos, destroem empresas, afastam investidores e deterioram a confiança em instituições financeiras e regulatórias. Quando balanços são manipulados, informações relevantes são ocultadas ou promessas irreais de rentabilidade são disseminadas artificialmente, o dano extrapola o universo dos investidores diretamente atingidos. O efeito contamina todo o ambiente econômico. 

A criação do crime específico de fraude contábil possui relevância estratégica justamente porque reconhece a centralidade da informação na dinâmica econômica contemporânea. O mercado funciona baseado em confiança. Investidores, acionistas, fornecedores e consumidores tomam decisões a partir de dados financeiros divulgados pelas empresas. Quando essas informações são deliberadamente distorcidas, rompe-se um dos pilares fundamentais da atividade econômica moderna. 

Outro aspecto relevante do projeto é a previsão de proibição do exercício de atividade empresarial para condenados por determinados crimes financeiros. A medida possui importante caráter preventivo. Em diversos casos recentes, investigados e condenados continuaram atuando no mercado por meio de novas empresas, laranjas ou estruturas societárias paralelas, reproduzindo modelos fraudulentos com aparência de legalidade. 

O fortalecimento das punições também aproxima o Brasil de padrões internacionais de governança e compliance. Mercados maduros possuem sistemas rigorosos de responsabilização justamente porque compreenderam que segurança jurídica não significa proteção à impunidade corporativa. Ao contrário: ambientes econômicos sólidos dependem de fiscalização eficiente, transparência e punição efetiva para desvios graves. 

É importante destacar que endurecer a legislação não significa criminalizar a atividade empresarial legítima nem transformar riscos econômicos naturais em ilícitos penais. O empreendedorismo exige liberdade, inovação e tolerância ao risco. O que se busca combater são práticas dolosas estruturadas para enganar investidores, manipular demonstrações financeiras e obter vantagens ilícitas às custas da confiança coletiva. 

Nesse contexto, o fortalecimento da atuação de órgãos reguladores, autoridades financeiras, Ministério Público e Polícia Judiciária torna-se indispensável. Leis mais severas sem capacidade investigativa produzem apenas efeito simbólico. A efetividade depende de inteligência financeira, integração institucional, rastreamento patrimonial e rapidez na resposta estatal. 

A evolução legislativa também possui dimensão pedagógica. Ao estabelecer consequências mais graves para fraudes financeiras e manipulação contábil, o Estado transmite ao mercado a mensagem de que práticas fraudulentas não serão mais tratadas como meras irregularidades administrativas ou infrações secundárias. Trata-se de reconhecer que crimes financeiros possuem elevado potencial destrutivo e atingem não apenas indivíduos, mas a própria estabilidade econômica. 

O Brasil precisa consolidar uma cultura de responsabilidade empresarial compatível com a complexidade do mercado contemporâneo. Transparência, governança e integridade não podem continuar sendo apenas discursos institucionais utilizados em campanhas corporativas. Devem representar compromissos concretos, respaldados por fiscalização eficiente e responsabilização proporcional à gravidade das condutas. 

O avanço das punições, portanto, não deve ser visto como ameaça ao setor produtivo, mas como instrumento de proteção à economia saudável, à livre concorrência e à confiança pública. Mercados fortes não convivem com impunidade estrutural. Convivem com regras claras, fiscalização séria e consequências efetivas para quem transforma fraude em modelo de negócio.

 

Jorge Calazans - sócio do escritório Calazans & Vieira Dias Advogados, conveniado à rede de escritórios do IPGE - Instituto Social de Proteção e Garantia do Equilíbrio nas Relações de Consumo.



Suprema Corte da Itália reconhece direito à cidadania diante de falha consular


Palazzo di Giustizia (Roma), sede
 da Suprema Corte de Cassação da Itália
Nostrali 
 Divulgação

Tribunal reafirma que cidadania italiana é direito permanente e imprescritível, que nasce com o titular e não depende de atos administrativos. Impedir descendente de sequer protocolar seu pedido equivale a negar o reconhecimento. Ato abre janela para estratégia jurídica.

 

O direito à cidadania é um direito subjetivo absoluto, permanente e imprescritível, que nasce com o titular e não depende de qualquer ato administrativo constitutivo. Impedir o cidadão de sequer protocolar o seu pedido equivale, na prática, a negar o reconhecimento. Não pode ser que a Administração, ao criar o bloqueio, se beneficie dele como argumento para negar a tutela jurisdicional.” Esse foi o entendimento da Corte de Cassação da Itália, ao julgar um processo de descendentes de um cidadão italiano (emigrado para a Colômbia), que tiveram o direito à dupla cidadania negado.

 

A decisão, publicada no último dia 12 de Maio, é histórica e acrescenta um novo capítulo na saga da cidadania italiana iure sanguinis (transmitida por sangue). O ato reacendeu a esperança de milhões de ítalo-descendentes brasileiros, que não atendem aos requisitos da nova legislação, mas já tinham manifestado o interesse na dupla cidadania e foram prejudicados pela ineficiência administrativa, com filas consulares que podiam se arrastar por até 15 anos (no caso do consulado de São Paulo, por exemplo).

 

Impactos da decisão

O entendimento da Corte de Cassação vai muito além do processo da família colombiana. “Lida em conjunto com uma sentença recente da Corte Constitucional, a decisão abre uma janela interpretativa de importância estratégica para quem, antes de 28 de Março de 2025 (data da entrada em vigor da nova lei de cidadania), tentou concretamente dar início ao processo de reconhecimento da cidadania italiana, mas foi impedido pela inércia, pelo colapso ou pela recusa tácita dos consulados”, enfatiza David Manzini, CEO e fundador da Nostrali Cidadania Italiana, que já assessorou mais de 30 mil ítalo-descendentes em processos de reconhecimento de sua cidadania.

 

Tentativas de agendamento serão válidas 

A sentença da Suprema Corte italiana, segundo Manzini, deixa claro que quem foi impedido pelo próprio sistema consular de sequer protocolar seu pedido tem interesse legítimo e pleno para agir judicialmente na busca do reconhecimento da cidadania italiana iure sanguinis.

 

O CEO da Nostrali Cidadania Italiana esclarece que, a partir da fundamentação da sentença, todos que tenham algum comprovante das tentativas de agendamento, como e-mails, acessos ao sistema de reservas, capturas de tela, comunicações oficiais da embaixada sobre a suspensão dos agendamentos, dentre outros, podem buscar a via judicial na tentativa de ter seu direito reconhecido. “A Corte de Cassação deixa claro que a prova, nesse contexto, não exige apresentação de um protocolo administrativo formal, mas sim a comprovação de que o requerente efetivamente buscou pelo reconhecimento e foi impedido por circunstâncias alheias à sua vontade”, enfatiza Manzini.

 

A sentença da Corte de Cassação segue um caminho que já havia sido aberto numa recente decisão da Corte Constitucional. “A Corte Constitucional confirmou a validade constitucional da reforma. Mas deixou expressamente duas questões em aberto. Uma é a diferenciação entre quem recebeu o agendamento consular até às 23h59 do dia 27 de Março de 2025 e aqueles que iniciaram a busca pelo direito, mas não chegaram a receber o agendamento naquele prazo”, explica o CEO da Nostrali.

 

O que ainda vem por aí

Em breve, a Corte de Cassação deve publicar a sentença de outro processo, examinado pela sua formação mais importante, as Sezioni Unite. “A Corte de Cassação é a responsável por definir como as leis devem ser interpretadas e aplicadas pelos tribunais italianos, buscando uma uniformidade. Suas decisões orientam diretamente o judiciário e impactam imediatamente a condução dos processos", explica Manzini. Já a sentença publicada no último dia 12 foi proferida pela Primeira Seção Civil. Ao contrário das sentenças da Sezioni Unite, não tem peso para que todos os juízes ordinários a sigam. “Mas, o princípio de direito estabelecido é sólido e bem fundamentado. Além disso, pode sinalizar uma tendência, um termômetro da orientação da Corte, antes da pronúncia mais ampla e vinculante que as Sezioni Unite deverão proferir”, concluí Manzini.

 

No próximo dia 9 de Junho, a Corte Constitucional também volta a se reunir para analisar questionamentos sobre a constitucionalidade da nova lei, a partir de um processo de primeira instância, encaminhado pelo Tribunal de Campobasso. “A sentença pode colocar diante da Corte, uma questão que ficou em aberto numa audiência proferida em Abril: a situação de quem iniciou o processo, mas não obteve o agendamento”, pontua Manzini. O julgamento tem potencial de ser decisivo para toda categoria de requerentes que hoje se encontra em zona cinzenta.

 

David Manzini - CEO da Nostrali Cidadania Italiana
Nostrali
 Divulgação


Nostrali Cidadania taliana
(54) 3533–4740
@nostralicidadaniaitaliana
www.nostrali.com.br


Do Fazer ao Orquestrar: como a Inteligência Artificial está redefinindo o papel dos profissionais

A Inteligência Artificial deixou de ser uma tendência para se tornar uma das principais forças de transformação do mercado de trabalho. Em diferentes setores, empresas aceleram investimentos em automação, produtividade, análise de dados e eficiência operacional. Mas, enquanto a tecnologia avança em velocidade inédita, um desafio menos visível ganha protagonismo nas organizações: a capacidade humana de adaptação, aprendizagem e reinvenção profissional. 

Mais do que uma mudança tecnológica, a IA inaugura uma mudança estrutural na forma como o trabalho é concebido, distribuído e valorizado. A principal transformação deste momento não está apenas na substituição de tarefas manuais ou repetitivas por sistemas inteligentes, mas na passagem de um modelo centrado na execução para outro baseado em interpretação, curadoria, estratégia e tomada de decisão. 

Historicamente, profissionais foram reconhecidos pela habilidade de executar funções com precisão, produtividade e consistência. Esse modelo sustentou boa parte das relações de trabalho nas últimas décadas, especialmente em áreas ligadas à tecnologia, operações, atendimento, processos administrativos e gestão da informação. Agora, porém, esse paradigma começa a se deslocar. 

A IA amplia a produtividade, reduz barreiras operacionais, acelera ciclos de entrega e reorganiza fluxos de trabalho. Atividades que antes exigiam horas de execução podem ser parcialmente automatizadas ou significativamente potencializadas por IA generativa, modelos preditivos, assistentes inteligentes e sistemas de apoio à decisão. Com isso, o diferencial competitivo deixa de estar apenas na capacidade de fazer mais rápido e passa a depender da capacidade de formular melhores perguntas, interpretar respostas, validar hipóteses, contextualizar informações e transformar dados em decisões relevantes. 

Toda tecnologia que aumenta eficiência também amplia a distância entre quem aprende a utilizá-la estrategicamente e quem permanece preso aos modelos anteriores. Nesse contexto, o mercado passa a viver uma transição decisiva: a saída do profissional executor para o profissional orquestrador. 

Se antes grande parte do valor estava em executar tarefas manualmente, agora o diferencial competitivo migra para competências mais humanas, cognitivas e estratégicas, como pensamento crítico, visão sistêmica, criatividade aplicada, capacidade analítica, julgamento ético, colaboração e tomada de decisão. 

Isso não significa que a execução deixa de importar, mas que ela passa a ser cada vez mais mediada por tecnologia. O profissional de maior valor não será necessariamente aquele que realiza sozinho todas as etapas de uma entrega, mas aquele capaz de compreender o problema, escolher as ferramentas adequadas, orientar sistemas inteligentes, avaliar a qualidade das respostas, conectar diferentes fontes de informação e decidir com base em contexto. 

A IA, portanto, não elimina a importância do trabalho humano. Ela redefine onde o valor humano passa a estar. Nesse novo ambiente, o profissional deixa de ser apenas operador de processos e passa a atuar como arquiteto de decisões. Sua relevância não está somente no volume de tarefas entregues, mas na capacidade de organizar complexidade, antecipar riscos, identificar oportunidades e gerar valor a partir da combinação entre conhecimento técnico, sensibilidade humana e domínio tecnológico. 

Essa transformação exige novas formas de desenvolvimento profissional. É nesse ponto que upskilling e reskilling deixam de ser treinamentos pontuais e passam a compor a infraestrutura de carreira, cultura e competitividade das organizações. 

O upskilling está relacionado ao aprimoramento das competências atuais a partir do uso da tecnologia. Trata-se de capacitar profissionais para utilizar a IA como instrumento de produtividade, análise, automação e qualificação das entregas. Automatizar tarefas repetitivas, acelerar pesquisas, apoiar diagnósticos, estruturar apresentações, cruzar informações e aumentar a eficiência de processos são exemplos de como profissionais podem potencializar atividades que já fazem parte de sua rotina. 

O reskilling, por outro lado, representa uma mudança mais profunda. Não se trata apenas de fazer melhor o que já se faz, mas de desenvolver novas competências para assumir papéis diferentes dentro das organizações. É o movimento de profissionais que deixam de atuar exclusivamente de forma operacional para ocupar funções mais estratégicas, consultivas, analíticas e integradoras. 

Em outras palavras, o upskilling melhora a capacidade de execução; o reskilling amplia a capacidade de reinvenção. E ambos são fundamentais para formar profissionais capazes de atuar em um ambiente no qual tecnologia, negócio e cultura se tornam cada vez mais interdependentes. 

É nesse cenário que emerge o profissional orquestrador: aquele que consegue coordenar variáveis, integrar competências, avaliar riscos, qualificar decisões e garantir coerência entre tecnologia, estratégia e propósito de negócio. 

Esse profissional precisa saber quando usar IA, quando não usar, como validar uma resposta, como identificar vieses, como proteger dados sensíveis, como preservar qualidade e como combinar automação com julgamento humano. A sofisticação está menos no uso isolado da ferramenta e mais na capacidade de integrá-la a um processo decisório responsável. 

Essa mudança também altera o papel das lideranças. Em um ambiente mediado por IA liderar pessoas não será apenas cobrar performance, mas criar condições para aprendizagem, experimentação e adaptação. Empresas que desejam capturar valor real da Inteligência Artificial precisarão desenvolver culturas mais abertas ao aprendizado, menos resistentes ao erro controlado e mais orientadas à evolução contínua das competências. 

A tecnologia pode acelerar processos, mas é a cultura que define se essa aceleração produzirá inovação ou apenas mais pressão operacional. 

Por isso, em discussões recentes sobre tecnologia, comportamento e futuro do trabalho, uma metáfora tem se mostrado especialmente útil: profissionais podem assumir o papel de pilotos ou passageiros da transformação tecnológica. Os passageiros utilizam a IA de forma limitada, apenas para automatizar tarefas antigas, reproduzir processos existentes e ganhar velocidade, sem necessariamente ampliar sua relevância estratégica. Nesse caso, a tecnologia melhora a eficiência, mas não transforma a contribuição do profissional. Os pilotos, por outro lado, utilizam a IA para explorar novas possibilidades, ampliar repertório, testar hipóteses, redesenhar processos, gerar inovação e criar caminhos de negócio. Eles não apenas usam a tecnologia. Eles conduzem a transformação.

 Essa diferença tende a se tornar cada vez mais decisiva dentro das organizações. Profissionais que atuam como pilotos desenvolvem maior autonomia, capacidade de leitura de cenário e protagonismo. Já aqueles que permanecem como passageiros correm o risco de se limitar à automação de tarefas que, em algum momento, poderão ser absorvidas integralmente por sistemas mais avançados. 

As empresas mais competitivas dos próximos anos provavelmente serão aquelas capazes de formar profissionais protagonistas: pessoas que aprendem continuamente, adaptam rotas, conectam tecnologia à estratégia e navegam com responsabilidade em cenários de transformação constante. 

A Inteligência Artificial não representa apenas uma nova ferramenta de produtividade. Ela inaugura uma nova gramática do trabalho. E, nesse novo contexto, a pergunta mais importante talvez não seja quais tarefas a IA será capaz de executar, mas quais profissionais estarão preparados para liderar, interpretar e orquestrar essa transformação.
 

 

Juliana Dimário - Diretora de Pessoas e Cultura da CBYK Consultoria e Seastorm Ventures, com certificação Internacional em Psicologia Positiva pelo WholeBeing Institute, Chief Hapiness Officer (CHO) pelo Instituto Feliciência, Colunista no RH Portal, com MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas, e graduação em Comunicação Social pela Universidade Metodista. Profissional voltada a Cultura Organizacional, Bem-estar e Comunicação Corporativa, com mais de 15 anos de experiência atuando em empresas de grande porte e multinacionais, na área de engajamento e clima organizacional, branding, jornada de cliente, comunicação corporativa e marketing de produtos.

 

Como conciliar Copa 2026 e preparação para o vestibular

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Veja estratégias para acompanhar os jogos sem perder o ritmo dos estudos

 

A Copa do Mundo de 2026 já movimenta torcedores brasileiros antes mesmo da bola rolar. Com estreia marcada para 11 de junho, o torneio deve alterar a rotina de milhões de pessoas, incluindo estudantes que se preparam para o Enem e vestibulares ao longo do ano.

A Seleção Brasileira entra em campo no dia 13 de junho, contra o Marrocos, em uma edição histórica do
Mundial. Pela primeira vez, a competição será disputada em três países, Estados Unidos, Canadá e México, e reunirá 48 seleções.

Em meio ao clima de expectativa, muitos vestibulandos enfrentam o desafio de equilibrar os jogos com a rotina de estudos. A preocupação é recorrente, sobretudo entre estudantes em preparação intensiva, marcada por revisões, simulados e longas horas de dedicação.

O tema ganha ainda mais relevância às vésperas do Dia do Vestibulando, celebrado em
24 de maio. Nesse período de alta demanda acadêmica, pausas estratégicas podem contribuir para reduzir o desgaste mental, melhorar a concentração e favorecer o equilíbrio emocional.



5 dicas para equilibrar Copa do Mundo e estudos

A maior parte dos jogos do Brasil deve ocorrer no período noturno, o que tende a facilitar a adaptação da rotina de estudos. Para os estudantes que desejam acompanhar a competição sem comprometer a preparação, o planejamento se torna o principal ponto de atenção.

A seguir, listamos cinco estratégias para equilibrar sua torcida e seu cronograma de estudos para o vestibular. Confira!



Manter uma rotina mínima de estudos

Mesmo nos dias de jogos, o mais indicado é evitar interrupções totais na rotina de estudos. Manter algum nível de contato diário com os conteúdos, ainda que de forma mais leve, contribui para preservar o ritmo de aprendizagem e reduz o risco de perda de continuidade.

Essa constância também ajuda o estudante a evitar a sensação de atraso nas semanas seguintes, tornando o processo de preparação mais estável e menos desgastante ao longo do tempo.



Organizar os horários com antecedência

Definir previamente quais partidas serão de fato acompanhadas contribui para uma organização mais eficiente da semana. Com esse mapeamento, o estudante consegue ajustar sua rotina com mais precisão, distribuindo melhor o tempo entre lazer e estudos.

Antecipar tarefas e revisar os conteúdos antes dos jogos também é uma estratégia importante, pois ajuda a evitar acúmulo de atividades e reduz a sobrecarga nos dias posteriores, mantendo um ritmo de estudo mais equilibrado.



Evitar transformar a Copa em distração constante

Além das partidas, esse período também costuma intensificar a movimentação nas redes sociais, em programas esportivos e em debates online que se estendem ao longo do dia. Esse volume maior de conteúdos e interações pode acabar consumindo um tempo significativo da rotina do estudante.

Em muitos casos, o impacto na produtividade não vem diretamente dos jogos, mas sim do excesso de consumo desse ambiente digital, que pode dispersar a atenção e reduzir o foco nas atividades de estudo e revisão.



Usar o lazer como forma de descanso

Momentos de descontração ajudam a aliviar a pressão típica da preparação para vestibulares, que costuma ser intensa e exigente ao longo dos meses. Inserir pequenas pausas de lazer na rotina pode contribuir para reduzir o estresse e melhorar a disposição para os estudos.

Nesse contexto, assistir a uma partida após cumprir metas de estudo pode funcionar como uma forma de equilíbrio emocional, servindo como recompensa e ajudando a manter a motivação durante o período de preparação.



Aproveitar temas da Copa nos estudos

A Copa do Mundo também pode servir como ferramenta de repertório para o Enem e vestibulares. Questões ligadas à geopolítica, economia, migrações, cultura e relações internacionais frequentemente aparecem nas provas.

A edição de 2026, por exemplo, deve ampliar debates sobre impacto econômico de megaeventos, diversidade cultural e circulação internacional de pessoas, assuntos que podem ser explorados em redações e questões de atualidades.

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Copa do Mundo 2026: atividades para ensinar geografia


Preparação continua sendo prioridade

Mesmo com o clima de festa e torcida, a preparação para vestibulares e o Enem exige constância. Com organização e equilíbrio, é possível acompanhar os jogos sem deixar os estudos de lado.

Para quem deseja reforçar a preparação nos próximos meses, o
Educa Mais Brasil oferece bolsas de estudo para cursos pré-vestibulares e preparatórios para o Enem, com descontos em instituições parceiras de diferentes regiões do país.

No fim das contas, a Copa pode até mudar a rotina por algumas semanas, mas isso não significa deixar os objetivos de lado. Com planejamento, dá para torcer pelo hexa e continuar focado na aprovação.


A fatura da culpa materna: como o desejo de compensar a ausência em casa faz empresárias tomarem decisões financeiras erradas

O fenômeno da liderança permissiva revela como empresárias acabam abrindo mão de metas e rigor técnico para aliviar o peso emocional da maternidade, levando ao excesso de concessões ao time e à falta de autoridade, comprometendo o crescimento do negócio.

 

Segundo levantamento da Fundação Dom Cabral, mulheres em cargos de liderança relatam níveis mais elevados de culpa relacionados à maternidade e à ausência em casa, especialmente após o crescimento profissional. Em muitos casos, esse sentimento começa a interferir diretamente na gestão da empresa. Na tentativa de compensar o tempo longe dos filhos, empresárias passam a flexibilizar decisões, evitar conflitos e abrir mão de critérios técnicos dentro do negócio, criando um modelo de liderança emocionalmente desgastado e financeiramente frágil.

Na prática, esse comportamento costuma aparecer em pequenas concessões diárias: dificuldade em cobrar metas, tolerância constante com atrasos, manutenção de colaboradores improdutivos e resistência em tomar decisões impopulares. O problema é que, muitas vezes, essas escolhas não nascem de uma estratégia de gestão, mas de um sentimento silencioso de culpa.

Para Alê Freitas, mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real e CEO da Anima Impacto Consultoria, muitas empresárias acabam confundindo acolhimento com falta de direção. “Existe uma dificuldade muito grande de sustentar autoridade sem sentir culpa. Muitas mulheres acreditam que cobrar desempenho ou estabelecer limites faz delas líderes duras ou mães ausentes. E, na tentativa de compensar emocionalmente essa ausência, começam a flexibilizar critérios importantes dentro da empresa”, explica.

Segundo ela, esse padrão cria um ambiente de liderança permissiva, onde decisões passam a ser tomadas mais para aliviar desconfortos emocionais da dona do que para fortalecer o negócio. “Liderança humanizada não é ausência de cobrança. Uma empresa saudável precisa de clareza, critérios e responsabilidade distribuída. Quando a empresária perde isso por culpa emocional, o negócio começa a funcionar sem direção firme”, afirma.

O impacto aparece diretamente na operação e nas finanças da empresa. Bonificações sem planejamento, excesso de descontos, dificuldade em cortar custos e adiamento de decisões estratégicas passam a fazer parte da rotina. Além disso, equipes percebem rapidamente quando não existem limites claros, o que aumenta a dependência operacional da dona e reduz autonomia interna.

Para Alê, esse cenário é comum entre mulheres que ainda operam na lógica da sobrecarga constante. “Muitas empresárias tentam compensar a ausência em casa sendo excessivamente disponíveis no trabalho. Só que isso cria um ciclo perigoso: quanto menos autoridade sustentam, mais o negócio depende delas, e menos tempo emocional elas têm para a própria família”, destaca.

O problema é que, no longo prazo, essa dinâmica enfraquece tanto a empresa quanto as relações familiares. Um negócio desorganizado aumenta a pressão emocional da empresária, amplia o desgaste mental e reforça a sensação permanente de insuficiência. “A culpa faz muitas mulheres tentarem resolver tudo com mais esforço emocional, quando o que falta, na verdade, é estrutura, clareza de gestão e maturidade de liderança”, conclui Alê Freitas.





Fonte: Alê Freitas — Mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real | CEO da Anima Impacto Consultoria



Recusa ao bafômetro, CNH suspensa e colisões traseiras: o que a lei realmente diz sobre os direitos do motorista

Advogado explica quando é possível recorrer de penalidades de trânsito e alerta para falhas frequentes em autuações e processos administrativos


Receber uma multa gravíssima, ter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa ou se envolver em um acidente de trânsito são situações que costumam gerar dúvidas, insegurança e, muitas vezes, desinformação entre motoristas brasileiros. Embora o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabeleça regras rígidas, especialistas alertam que nem toda autuação é automaticamente válida e que o condutor possui direitos garantidos pela legislação, inclusive o direito à defesa administrativa.

Questões como a recusa ao bafômetro, a suspensão da CNH e a responsabilidade em colisões traseiras frequentemente geram interpretações equivocadas, especialmente nas redes sociais e em conteúdos superficiais disseminados na internet.

De acordo com o advogado Luigi Bertoldo, especialista do escritório Stella Advocacia, de Curitiba/PR, é fundamental que o motorista compreenda que penalidades administrativas precisam obedecer critérios legais específicos. “Existe uma diferença importante entre a aplicação da penalidade e a legalidade do procedimento adotado pelo órgão de trânsito. O fato de a infração estar prevista em lei não elimina a necessidade de respeito ao devido processo legal”, afirma.


Recusar o bafômetro é um direito — mas não impede punições

Um dos temas que mais geram controvérsia no trânsito brasileiro é a recusa ao teste do bafômetro. O direito de não produzir prova contra si mesmo é uma garantia constitucional, mas isso não impede a aplicação das penalidades administrativas previstas no CTB.

Atualmente, a recusa ao teste pode resultar em multa gravíssima, suspensão do direito de dirigir e medidas administrativas adicionais, mesmo sem a comprovação da embriaguez pelo aparelho.

Segundo Dr. Luigi Bertoldo, muitos motoristas acreditam, de forma equivocada, que a recusa automaticamente inviabiliza a autuação. “A legislação brasileira passou a prever penalidades específicas para a recusa ao bafômetro. Porém, isso não significa que o agente de trânsito possa agir de qualquer maneira. Toda abordagem precisa respeitar critérios técnicos, formais e legais”, explica.

O advogado ressalta que existem situações em que a autuação pode ser questionada, especialmente quando há inconsistências na abordagem, ausência de elementos mínimos de constatação, erros formais no auto de infração ou falhas procedimentais.

Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu a constitucionalidade da penalidade pela recusa ao bafômetro, entendendo que ela possui natureza administrativa e não criminal.


CNH suspensa não significa perda definitiva do direito de dirigir

Outro ponto frequentemente mal compreendido pelos condutores é o processo de suspensão da CNH. A penalidade pode ocorrer tanto pelo acúmulo de pontos quanto pela prática de infrações autossuspensivas, como dirigir sob efeito de álcool, recusar o bafômetro, participar de rachas ou exceder significativamente a velocidade permitida.

Apesar disso, o motorista ainda possui direito à ampla defesa e ao contraditório durante todas as fases do processo administrativo.

“O processo de suspensão não é automático nem irreversível. O condutor tem direito de acessar os autos, apresentar defesa prévia, interpor recursos e questionar irregularidades formais e materiais”, afirma Bertoldo.

Segundo ele, entre os problemas mais comuns identificados em processos administrativos estão notificações enviadas fora do prazo legal, erros de identificação do veículo, inconsistências nos dados da autuação e ausência de fundamentação adequada.

Em alguns casos, uma análise técnica detalhada pode resultar no cancelamento da penalidade ou na anulação do processo administrativo.


Quem bate atrás nem sempre é o culpado

Outro mito recorrente no trânsito envolve os acidentes traseiros. Existe, de fato, uma presunção de culpa do motorista que colide na traseira de outro veículo, já que o CTB exige distância segura entre os automóveis. No entanto, especialistas alertam que essa responsabilidade não é absoluta.

“Cada acidente possui uma dinâmica própria. Existem situações em que a responsabilidade pode ser compartilhada ou até mesmo afastada, dependendo das circunstâncias e das provas produzidas”, explica Dr. Luigi Bertoldo.

Entre os fatores que podem modificar a responsabilização estão freadas bruscas injustificadas, manobras perigosas, ausência de sinalização adequada e falhas mecânicas inesperadas.

O advogado destaca que imagens, testemunhas, perícias e registros da ocorrência são fundamentais para a correta apuração dos fatos. “Muitas pessoas acreditam que acidentes traseiros possuem uma conclusão automática, mas o Direito de Trânsito exige análise individualizada da conduta de todos os envolvidos”, afirma.


Informação técnica pode evitar prejuízos

Com o aumento do rigor da fiscalização e o crescimento do número de processos administrativos ligados ao trânsito, especialistas alertam para a importância de orientação técnica qualificada antes do pagamento de multas, assinatura de acordos ou reconhecimento automático de culpa.

“O motorista precisa entender que possui direitos e garantias legais. Nem toda autuação é incontestável e nem toda penalidade aplicada significa que o procedimento ocorreu de forma correta”, conclui o profissional.

 

Stella
http://www.stella.adv.br


Mitos e verdades sobre educação bilíngue na infância: especialistas esclarecem principais dúvidas das famílias

Especialista da Maple Bear explica o que realmente acontece no cérebro das crianças durante o aprendizado de duas línguas e reforça benefícios da imersão desde cedo

 

Com o crescimento da procura por escolas bilíngues no Brasil, também aumentaram as dúvidas das famílias sobre os impactos do aprendizado de duas línguas durante a infância. Entre os questionamentos mais frequentes estão preocupações relacionadas à fala, alfabetização, mistura de línguas e possíveis dificuldades de aprendizagem. Para ajudar a esclarecer esses pontos, especialistas da Maple Bear Brasil reuniram alguns dos principais mitos e verdades sobre educação bilíngue infantil.

 

- “Aprender duas línguas pode atrasar a fala da criança?”

MITO

Segundo Gabriela Pinsdorf, especialista acadêmica na Maple Bear Brasil, a ciência já demonstrou que o bilinguismo não prejudica o desenvolvimento da fala. “Hoje sabemos que crianças pequenas conseguem aprender duas línguas simultaneamente de maneira natural. O cérebro infantil possui grande capacidade de adaptação e aprendizagem, especialmente nos primeiros anos de vida”, afirma.

 

- “Misturar palavras em português e inglês é normal”.

VERDADE

De acordo com a especialista, a chamada mistura de línguas faz parte do desenvolvimento natural da linguagem em crianças bilíngues. “Na primeira infância, a criança ainda está formando sua rede linguística. Para ela, as línguas pertencem ao mesmo sistema de comunicação. Com o amadurecimento cerebral, ela aprende gradualmente a diferenciar os contextos e utilizar cada língua adequadamente”, explica.

 

- “Quanto mais cedo o contato com outra língua, mais natural tende a ser a aprendizagem”.

VERDADE

Os especialistas explicam que os primeiros anos representam o período de maior neuroplasticidade cerebral, favorecendo a assimilação de sons, pronúncias e estruturas linguísticas. “Até aproximadamente os três anos, o cérebro está formando conexões de maneira extremamente intensa. Por isso, a exposição precoce à segunda língua tende a acontecer de forma muito espontânea”, comenta Gabriela.

 

- “Aulas isoladas de inglês oferecem os mesmos benefícios de uma educação bilíngue por imersão”.

MITO

Para Pinsdorf, existe uma diferença importante entre contato pontual com a língua e experiências imersivas. “Na educação bilíngue, a criança vivencia a segunda língua dentro das atividades do cotidiano, das interações e das brincadeiras. Isso torna a aprendizagem muito mais significativa e contextualizada”, destaca.

 

- “O bilinguismo pode contribuir para habilidades cognitivas além da linguagem”.

VERDADE

Pesquisas recentes mostram que o contato com duas línguas pode favorecer atenção, memória, flexibilidade cognitiva, função executiva e capacidade de resolução de problemas. “O cérebro bilíngue trabalha constantemente processos relacionados à atenção e diferenciação linguística. Isso fortalece conexões neurais importantes para diversas áreas do desenvolvimento”, afirma Gabriela.

 

Além dos aspectos cognitivos, a especialista ressalta que o aprendizado bilíngue também amplia repertórios culturais e sociais. “Quando a criança cresce em contato com diferentes formas de comunicação, ela desenvolve maior abertura para o diálogo, empatia e percepção do mundo ao seu redor. A língua passa a ser uma ponte para novas experiências e relações”, conclui.

 

Maple Bear Canadian School


54% dos brasileiros mudam planos de viagem por fatores econômicos: pesquisa revela quais são os destinos para viajar gastando pouco

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Pesquisa do Melhores Destinos também mostra que alta nas passagens impulsiona uso de milhas, busca por promoções e maior flexibilidade nas viagens 


A guerra no Oriente Médio tem impactado diretamente o comportamento dos viajantes. Um levantamento do Melhores Destinos, maior site de promoções de passagens aéreas do Brasil, mostra que o aumento do preço do combustível de aviação e a variação do dólar são os principais fatores externos que mais influenciam ou alteram os planos de viagem dos brasileiros — preocupação apontada por 53,8% dos entrevistados.

Mesmo nesse cenário, 39% afirmam que continuam viajando normalmente, mas ajustam outros gastos para manter as viagens no orçamento. O estudo também ajuda a dimensionar o perfil de consumo: somando transporte e hospedagem, 30% gastam entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, enquanto 54% ficam na faixa de R$ 1 mil a R$ 5 mil por viagem.

Para reduzir custos, os brasileiros têm adotado estratégias que vão além do preço em si, com maior atenção à variação das tarifas aéreas. Entre as principais medidas estão o uso de milhas, pontos e programas de fidelidade (55,2%), o acompanhamento constante de promoções e quedas de preços (53,4%) e a flexibilidade de datas, com preferência por baixa temporada e horários alternativos (44,4%). 


Além das estratégias de milhas e monitoramento, os entrevistados também indicaram os períodos que acreditam ser mais estratégicos para passeios mais baratos. As duas faixas do ano mais apontadas são as de baixa temporada, quando os preços são mais acessíveis, sobretudo em comparação às férias de julho ou de fim de ano.

A maioria (55,40%) acredita que o período de agosto a outubro é o mais adequado para viajar. Não muito longe, com 48,60% das preferências, está a época que vai de abril a junho.

“Neste contexto de passagens mais altas, vale a pena checar seu saldo de milhas e aproveitar as ofertas para transferir pontos do cartão para as companhias aéreas com bônus e ficar de olho em eventuais promoções, uma vez que a demanda tende a diminuir para algumas partes do mundo, como o Oriente Médio e a Ásia", observa Marques.

 

Para onde viajar gastando menos no Brasil

No momento de apontar um destino para viajar gastando pouco, seis dos dez estados mais citados ficam no Nordeste. A Bahia lidera a lista, enquanto Alagoas, Paraíba, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte também se destacam entre os destinos mais mencionados pelos viajantes.

O Sudeste também aparece com força: São Paulo e Minas Gerais ocupam o segundo e o terceiro lugares, enquanto o Rio de Janeiro surge na sexta posição. Já no Sul, Santa Catarina é o único representante no ranking, em décimo lugar.

Mais do que o ranking, a pesquisa também revela a percepção dos viajantes sobre os destinos, com destaque para aqueles que possuem praia. Ao mesmo tempo, as respostas se concentram entre Nordeste e Sudeste, o que revela uma visão mais concentrada sobre onde é possível viajar gastando pouco.


“A percepção do brasileiro sobre a Bahia como um destino barato faz sentido. Cidades como Salvador e Porto Seguro costumam ter preços competitivos, especialmente em passagens aéreas e hospedagem. No caso de São Paulo, o interior reúne diversas opções acessíveis, principalmente para quem já mora no estado e viaja de carro. Já em Minas Gerais, tanto Belo Horizonte quanto as cidades históricas oferecem boas alternativas de hospedagem e alimentação a preços mais baixos”, afirma Leonardo Marques, diretor e fundador do Melhores Destinos.

 

Para quem planeja viajar pelo Brasil, ele destaca a importância de ficar atento às promoções de passagens aéreas nacionais. Nos últimos 90 dias, o Melhores Destinos publicou mais de 30 ofertas de voos domésticos, com destaque para campanhas recorrentes de Latam, Gol e Azul. As ofertas se concentram principalmente em ações como “madrugada de ofertas” e “mega promo”, além de datas comerciais, como a Semana do Consumidor, que reúnem tarifas com preços mais competitivos e são ótimas oportunidades de economizar. “As companhias também têm aderido às datas duplas, com ofertas nos dias 4 de abril e 5 de maio”.

 

Destinos internacionais mais baratos

 

Em termos de países mais baratos para viajar, os vizinhos da América do Sul foram os mais lembrados. Argentina e Chile aparecem em primeiro e em segundo lugar, respectivamente, enquanto Paraguai, Peru, Uruguai e Colômbia ocupam outras posições no top 10. 

Do outro lado do Atlântico, Portugal surge em terceiro lugar e é o único representante da Europa na lista de países mais baratos para viajar. De volta à América, os Estados Unidos aparecem em quarto lugar na lista feita com base nas respostas dos brasileiros. Chama atenção a presença de um único país da Ásia na lista: a Tailândia. 

 



“O câmbio na Argentina não está tão favorável como há dois ou três anos, mas o destino continua atrativo. A boa oferta de voos e a concorrência na rota para Buenos Aires ajudam a manter as passagens competitivas, o que compensa outros gastos da viagem. O mesmo vale para o Chile, que também conta com voos diretos com companhias low cost a partir de várias capitais brasileiras, ajudando a equilibrar os custos no destino. Portugal se beneficia da boa oferta de voos a partir do Brasil, o que mantém as passagens competitivas. Além disso, o país tem de fato custos mais baixos de hospedagem e alimentação em comparação com outros destinos europeus”, analisa Marques.

 

De forma geral, o ranking indica uma percepção dos brasileiros de que destinos na América do Sul são mais econômicos, o que pode estar ligado tanto à proximidade quanto a custos mais alinhados à realidade brasileira. No caso dos Estados Unidos, a presença na lista sugere o forte apelo do destino no imaginário dos viajantes e a recente queda na cotação do dólar, embora fatores como a exigência de visto elevem o gasto total da viagem. Já a Tailândia aparece como o exemplo clássico de passagens aéreas mais caras combinadas a custos baixos no destino, o que ajuda a explicar a percepção dos brasileiros.

 

Metodologia 

Para entender como os brasileiros buscam fazer viagens mais econômicas, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.

Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, que abordaram de que forma fatores externos estão influenciando o comportamento dos viajantes, quais estratégias são adotadas para viagens baratas e quais são os destinos para viajar gastando menos. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere cada alternativa apontada pelos entrevistados. 


Quando a hospitalidade encontra a inovação: como a tecnologia pode ampliar o acolhimento na hotelaria

 

Comecei minha carreira como mensageiro num hotel. Carregava malas, cumprimentava os hóspedes, abria portas. E foram naqueles corredores que aprendi algo que nenhuma aula de gestão ensina: hospitalidade não é um serviço, mas uma escolha. Fazer com que alguém, longe de casa, se sinta acolhido por algumas horas ou dias é uma decisão que precisa ser renovada a cada turno. 

Tenho orgulho desse começo e penso nele sempre que leio sobre os desafios que hotéis e pousadas enfrentam hoje. A hotelaria é, provavelmente, o setor mais humano que existe no setor de turismo, porque sua razão de ser é fundamentalmente relacional. Uma boa forma de entender isso é pensar no hóspede corporativo: ele chega a uma cidade desconhecida após um longo voo, com a agenda cheia para o dia seguinte e carrega consigo algo que raramente aparece nos relatórios de satisfação: solidão. Um sentimento que só pode ser acolhido e transformado em pertencimento por humanos: o mensageiro, a recepcionista, o concierge. 

E é justamente por ser um setor tão relacional que surge uma dúvida comum: qual é o lugar da tecnologia na hotelaria? De forma muito estratégica, a tecnologia pode ampliar essa capacidade de acolher, ou destruí-la por completo, depende de como é adotada. 

Um check-in automatizado que funciona mal, por exemplo, não é percebido só como uma falha técnica, mas como uma recepção fria no exato momento em que ele mais precisava se sentir bem-vindo. Por outro lado, se adotada de forma eficiente, pode liberar tempo, reduzir atritos e permitir que os profissionais façam melhor aquilo que nenhuma máquina consegue substituir: perceber o outro. 

A Amadeus, empresa global de tecnologia para o setor de viagens e turismo, publicou recentemente um relatório que mostra como a inteligência artificial está deixando de ser uma ferramenta de busca e virando uma ferramenta de decisão na gestão de viagens corporativas. Plataformas que antes só apresentavam opções, agora antecipam necessidades, aplicam políticas em tempo real e reduzem o trabalho manual dos gestores. 

Para a hotelaria, esse movimento tem implicações diretas, afinal, o viajante corporativo de 2026 chega ao hotel com expectativas moldadas por experiências digitais sofisticadas. E, quando encontra na recepção do hotel um processo lento, desconectado do sistema de reservas da empresa ou incapaz de reconhecer suas preferências registradas, a frustração não é com a tecnologia, mas com a experiência. 

Segundo a Global Business Travel Association (GBTA), o gasto global com viagens corporativas deve ultrapassar US$ 2 trilhões até 2029. Esse volume vai passar, em boa parte, por hotéis. A hotelaria que não investir em tecnologia agora vai perder não apenas eficiência, mas também relevância. 

Mas é importante destacar que a IA bem aplicada na hotelaria não substitui o mensageiro que carrega a mala com cuidado. O que ela faz é liberar esse mensageiro para fazer melhor aquilo que sempre foi seu papel, porque as tarefas repetitivas, operacionais e administrativas já foram resolvidas antes da chegada do hóspede. 

A hotelaria aprendeu, ao longo de séculos, que servir bem é uma arte. O que a tecnologia oferece hoje não é uma ameaça a essa arte. É um convite para praticá-la em escala, com mais consistência e com menos atrito no caminho.

Comecei carregando malas porque alguém precisava desse trabalho feito com cuidado. Hoje trabalho com tecnologia para viagens corporativas porque acredito que esse cuidado pode chegar a mais pessoas, de formas que antes eram impossíveis. A hotelaria tem tudo para liderar essa transformação. Ela só precisa escolher responder a esse chamado. 

*Especialista em turismo corporativo, membro do Conselho de Turismo da FecomércioSP e do Conselho Executivo da Alagev, além de co-fundador e Diretor de Negócios da VOLL - maior plataforma de gestão de viagens e despesas corporativas da América Latina. 


Luiz Moura - empreendedor com mais de 20 anos de atuação na interseção entre turismo e tecnologia. É co-fundador e Diretor de Negócios da VOLL, maior plataforma mobile-first de gestão de viagens e despesas corporativas da América Latina, além de uma referência no desenvolvimento do setor de viagens corporativas.Especialista em Marketing pela Fundação Dom Cabral, ocupa cadeiras no Conselho de Turismo da FecomércioSP e no Conselho Executivo da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev). Viajante frequente e observador atento do comportamento humano em movimento, escreve e fala sobre inovação, transformação digital, liderança empreendedora e o futuro das viagens corporativas.


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