Elas podem estar no seu sabão em pó, no seu amaciante e até mesmo na sua roupa de academia. Problemas com as fragrâncias encapsuladas estão ganhando espaço no consultório do alergista imunologista. Elas podem causar a dermatite de contato, mas nem sempre o diagnóstico vem logo na primeira consulta.
A presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dra. Fátima Rodrigues Fernandes explica que a dermatite de contato alérgica é um desafio crescente na prática clínica, especialmente quando os testes tradicionais não explicam quadros persistentes ou quando pacientes continuam apresentando lesões mesmo após evitarem alérgenos conhecidos.
“As fragrâncias encapsuladas representam um tipo de exposição que o paciente não percebe, mas que pode manter a inflamação cutânea ativa mesmo quando ele acredita estar evitando perfumes, bijuterias ou outros alérgenos que comumente causam dermatite de contato”, explica Dra. Fátima Fernandes.
Essas fragrâncias consistem em compostos aromáticos envolvidos por microcápsulas — geralmente de melamina-formaldeído, polímeros acrílicos ou ureia-formaldeído — que liberam perfume de forma lenta e contínua. A liberação ocorre por fricção, calor, umidade ou movimento do tecido, o que torna o contato cutâneo praticamente permanente.
Essa tecnologia é amplamente usada em amaciantes, detergentes com “perfume de longa duração”, tecidos tratados com tecnologia têxtil e produtos com função de controle de odores. Assim, mesmo sem aplicar perfumes diretamente na pele, o indivíduo permanece exposto ao alérgeno.
Segundo a Dra. Fátima Fernandes, o impacto clínico é significativo. “Essas microcápsulas se fixam nas fibras têxteis e podem persistir mesmo após várias lavagens. A cada movimento da roupa, pequenas quantidades de fragrância são liberadas na pele, favorecendo uma exposição crônica”, explica a presidente da ASBAI.
A liberação tende a ocorrer principalmente em áreas de maior atrito, como pescoço, dobras, cintura, axilas e região inframamária. Entre os fenótipos associados estão dermatite eczematosa cervical e no tronco superior, lesões em áreas de roupas mais ajustadas e prurido crônico aparentemente sem causa. O quadro é especialmente observado em mulheres, idosos, pacientes atópicos e aqueles com teste de contato positivo para fragrâncias.
“A identificação desses alérgenos, porém, é dificultada pela rotulagem genérica. Termos como “parfum”, “fragrance technology” ou “encapsulated scent” costumam substituir a descrição específica da presença de microcápsulas. Por isso, precisamos alertar os pacientes sobre esses alérgenos ocultos. Muitas vezes, a simples troca de produtos reduz drasticamente a dermatite de contato”, ressalta Dra. Fátima Fernandes, da ASBAI.
Algumas recomendações podem minimizar as reações causadas por esses alérgenos ocultos:
·
Evite amaciantes perfumados e detergentes com promessa de perfume
prolongado;
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Prefira sabões e detergentes sem fragrância;
·
Realize duplo enxágue das roupas;
·
Lave as peças novas antes do uso;
· Tenha atenção especial a itens de uso contínuo, como lençóis, toalhas, pijamas e roupas de treino.
“Quanto melhor identificarmos e orientarmos sobre essas exposições, mais efetivo será o controle da dermatite de contato”, conclui a presidente da ASBAI.
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