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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Exaustão materna: 5 maneiras de entender o que o corpo está tentando dizer

 Saiba como o cansaço crônico afeta a saúde feminina


Em 2026, a conversa sobre maternidade mudou. O foco migrou da “onipotência materna” para a atenção com a saúde mental e física. Dados de janeiro deste ano do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP)¹ revelam um aumento alarmante de 493% nos afastamentos por burnout, com um impacto desproporcional sobre as mulheres, que representam 64% dos afastados e sustentam a jornada dupla e o ônus do cuidado invisível. O Relatório Global de Bem-Estar² (2025) ratifica que o Brasil apresenta um dos índices mais críticos de carga mental materna, com repercussões sintomáticas severas.

Muitas vezes, a exaustão é reduzida a uma fadiga emocional. Contudo, a medicina baseada em evidências demonstra que o estresse crônico, que significa estar em estado de alerta persistente, pode promover uma desregulação do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HPA), alterando o equilíbrio do organismo.Segundo a dra. Maria Helane Gurgel, endocrinologista e diretora médica dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, o excesso de cortisol no organismo – hormônio liberado no estresse – atua de forma multissistêmica.

"A sobrecarga de adrenalina pode elevar a glicemia e a pressão arterial. Quando o organismo opera no limite da sua capacidade adaptativa, entramos em um estado de inflamação”, explica.

“Sintomas como exaustão crônica e irritabilidade estão ligados às oscilações do cortisol. Pode haver um comprometimento cognitivo, a chamada ‘névoa mental’, e um cenário de fragilização do sistema imune. O corpo pode liberar citocinas pró-inflamatórias, o que pode explicar parte do aumento de dores articulares sem causa mecânica aparente”, detalha Maria Helane.

Diferenciar a fadiga fisiológica do cotidiano de um desequilíbrio metabólico é fundamental, segundo a médica. O diagnóstico de esgotamento psicológico não deve ser excludente, mas, sim, acompanhado de uma avaliação da saúde integral.“

Alguns exames, elencados a seguir, podem ser úteis na avaliação metabólica dos pacientes, mas é importante ressaltar a importância do acesso a um atendimento médico de confiança para a avaliação personalizada de cada paciente”, complementa.

Para ajudar as mães a entenderem se precisam de descanso ou tratamento, a especialista sugere cinco exames:

  1. Ferritina e hemograma – a deficiência de ferro, mesmo sem anemia instalada, pode comprometer o transporte de oxigênio e a função mitocondrial. É uma causa primária de apatia e fadiga crônica em mulheres em idade fértil frequentemente confundida com quadros depressivos.
     
  2. Função tireoidiana (TSH e T4 Livre) – o hipotireoidismo (inclusive o subclínico) apresenta alta prevalência no puerpério e em períodos de estresse. A desregulação tireoidiana é um fator que pode contribuir para o ganho de peso e para a bradicinesia mental.
     
  3. Status da vitamina D (25-hidroxivitamina D) – atuando como um pré-hormônio, sua deficiência pode estar correlacionada com a fragilidade imunológica e óssea e pode contribuir para a percepção de exaustão extrema.
     
  4. Complexo B (especialmente B12) – importante para a síntese de neurotransmissores e integridade do sistema nervoso. Baixos níveis de B12 podem manifestar-se por meio de déficits de memória e alterações neurológicas com diversas apresentações.
     
  5. Perfil metabólico (glicose, hemoglobina glicada, colesterol total, HDL-c, LDL-c e triglicerídeos) – essencial para que sejam realizados o diagnóstico e o manejo precoce de pré-diabetes, diabetes e dislipidemias. Importante lembrar que a principal causa de morte ainda é a doença cardiovascular.

“A exaustão materna não denota ‘ossos do ofício’. É um marcador biológico de que o corpo está em estado desafiador. Negligenciar isso é expor a mulher ao risco de doenças crônicas evitáveis”, conclui a endocrinologista. 

Referências:
¹https://www.diap.org.br/index.php/noticias/noticias/92680-saude-mental-e-trabalho-12-mudancas-urgentes
²https://portal.wemeds.com.br/relatorio-mundial-de-estado-mental/


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