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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Pesquisa revela que brasileiros vivem em ambiente de alto risco para a saúde renal, mas adiam exames por medo, custo e falta de tempo

 Levantamento nacional da Vantive Brasil mostra que mais de 67% das pessoas procrastinam exames, 53% não se hidratam adequadamente e cerca de 20% nem sabem avaliar o próprio risco de desenvolver doença renal

 

Apesar da alta prevalência de fatores de risco, a saúde renal segue pouco integrada à rotina preventiva dos brasileiros, influenciada pelo medo, pela desinformação e por barreiras de acesso. É o que mostra uma pesquisa nacional encomendada pela Vantive Brasil, com 2.000 entrevistados de todo o país, para compreender o nível de conhecimento, as percepções, os comportamentos e as atitudes da população em relação à saúde dos rins, à prevenção e à realização de exames. 

Os resultados indicam que o principal desafio não é apenas a falta de informação, mas a dificuldade de transformar conhecimento em ação preventiva. 67,7% dos brasileiros admitem adiar a realização de exames, enquanto 53,3% afirmam não se hidratar da forma que deveriam e 39,1% são sedentários – um conjunto de comportamentos que ajuda a compor um cenário de risco. 

O levantamento também mostra que o medo do diagnóstico é um importante bloqueador da prevenção. Quando questionados sobre o maior medo em relação à saúde, 60,6% disseram ter medo de descobrir algo grave, índice superior ao dos que citaram não ter dinheiro para tratar um problema de saúde (50,5%) e ao dos que temem perder a independência (30,9%). 

“Os dados mostram que o brasileiro não está completamente desconectado do tema saúde, mas muitas vezes posterga o cuidado”, explica Dra. Arcângela Valle, gerente médica sênior da Vantive Latam. “Na saúde renal, isso é especialmente preocupante porque as doenças dos rins podem evoluir de forma silenciosa. O desafio é transformar medo em ação, informação em decisão e prevenção em hábito.”

 

Ambiente de risco renal já está presente na população 

A pesquisa mostra que a população brasileira já convive com condições que impactam diretamente a saúde dos rins. Entre as condições de saúde mais relatadas pelos entrevistados, destacam-se:

  • Hipertensão arterial: 26,5%
  • Infecção urinária: 25,3%
  • Doença renal/problemas nos rins: 7,7%


O histórico familiar amplia ainda mais esse sinal de alerta:

  • 15,7% relataram histórico familiar de doença renal
  • 54,9% apontaram histórico familiar de hipertensão, a condição mais citada. 

“Hipertensão, diabetes, sedentarismo e histórico familiar são fatores que aumentam a vulnerabilidade dos rins, muitas vezes sem causar sintomas nas fases iniciais”, esclarece a Dra. Arcângela. “Por isso, a prevenção não pode depender apenas da percepção de estar bem: ela precisa ser parte da rotina, com acompanhamento médico e exames periódicos.”

 Os dados também reforçam a conexão entre saúde renal, sedentarismo e doenças metabólicas e cardiovasculares. Entre pessoas sedentárias, a incidência relatada de doença renal foi de 8,8%, contra 5,4% entre praticantes de atividade física, uma diferença de 3,4 pontos percentuais. Nesse mesmo grupo sedentário, também foram observadas maiores frequências de:

  • Hipertensão: 30% vs. 19,7% entre praticantes de exercícios físicos
  • Diabetes: 17,1% vs. 13,3%
  • Problemas de circulação: 11,3% vs. 7,5%

 

Baixa percepção de risco e conhecimento superficial atrasam o diagnóstico precoce 

Mesmo diante desse ambiente de risco, a percepção individual sobre a possibilidade de desenvolver doença renal ainda é baixa ou incerta. A maior parte da população acredita ter probabilidade baixa ou muito baixa (37,2%), enquanto apenas 15,4% consideram ter risco alto ou muito alto de desenvolver a condição. 20,3% afirmam não saber avaliar sua probabilidade. 

Esse desconhecimento dialoga com evidências internacionais. De acordo com estudo publicado no The Lancet, em novembro de 2025, por pesquisadores da NYU, da Universidade de Glasgow e da Universidade de Washington, cerca de 14% dos adultos apresentam algum grau de doença renal e o número de casos vem crescendo nas últimas décadas[1],[2].

 

Conhecimento sobre tratamentos ainda é limitado 

O levantamento mostra que, embora a hemodiálise seja conhecida da maioria da população, o conhecimento sobre outras modalidades de tratamento renal ainda é bastante restrito. 93,4% dos entrevistados já ouviram falar em hemodiálise, enquanto 59,5% nunca ouviram falar em diálise peritoneal. Apenas 9,8% afirmam conhecer bem a modalidade. 

“Ainda existe pouca familiaridade com modalidades como a diálise peritoneal, e isso limita a compreensão sobre as possibilidades de cuidado disponíveis para cada perfil de paciente”, diz a gerente médica. “Ampliar esse conhecimento é essencial para que as pessoas possam conversar com seus médicos de forma mais informada e participar ativamente das decisões sobre o tratamento.” 

Quando questionados sobre suas principais preocupações em relação à necessidade de diálise, o impacto na qualidade de vida (57,5%), o acesso a tratamento adequado (38,8%), o custo do tratamento (38,6%) e a dependência de máquinas e profissionais de saúde (37,2%) foram os receios mais citados. 

Os dados apontam para uma lacuna na compreensão sobre as diferentes possibilidades terapêuticas, o que pode limitar decisões informadas ao longo da jornada do paciente.

 

Custo, tempo e acesso são barreiras centrais para o check-up renal 

Entre os principais motivos para não fazer exames preventivos com mais frequência, os mais citados entre os brasileiros foram:

  • Custo/falta de dinheiro: 31,9%
  • Falta de tempo: 28,3%
  • Não achar necessário, por acreditar estar saudável: 14,4% 

A pesquisa mostra ainda que o problema de custear exames aumenta com a idade. Enquanto a média nacional é de 31,9%, esse índice sobre para 43% entre os respondentes com 55 a 64 anos e para 56,3% entre os idosos, com mais de 65 anos. 

Na Região Norte, a dificuldade de acesso a clínicas e laboratórios aparece em 20,8%, acima da média nacional (6,6%), evidenciando desigualdades regionais no cuidado preventivo.

 

Sobre Doença Renal Crônica e as Terapias Renais Substitutivas 

De acordo com o Censo Brasileiro de Diálise 2024[3], o país possui mais de 172 mil pacientes renais crônicos em tratamento dialítico, sendo que aproximadamente 79% dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). A doença renal crônica, mais comum entre pessoas com hipertensão e diabetes[4], pode evoluir silenciosamente, dificultando o diagnóstico precoce. Em estágios avançados, uma terapia renal substitutiva torna-se indispensável para suprir a função dos rins, seja por meio da hemodiálise (HD) ou da diálise peritoneal (DP). 

A hemodiálise, o padrão predominante no país, é realizada em clínicas especializadas, onde o paciente permanece conectado a uma máquina por cerca de quatro horas, três vezes por semana. É um procedimento extracorpóreo baseado na filtração do sangue. Assim como em muitas intervenções médicas, os desafios potenciais incluem risco de infecção, possível impacto cardiovascular e o desenvolvimento da síndrome pós-diálise, que pode resultar em sintomas temporários como fadiga e fraqueza após uma sessão[5]. 

A DP utiliza o peritônio (a membrana que reveste a cavidade abdominal) como um filtro natural e é realizada no domicílio do paciente, muitas vezes durante o sono, com o auxílio de uma máquina cicladora. Essa modalidade reduz a necessidade de deslocamentos frequentes a clínicas e, em muitos casos, ajudar a preservar a rotina familiar e profissional de pacientes. Além disso, estudos publicados indicam que a diálise peritoneal pode ser uma alternativa custo-efetiva à hemodiálise e requer infraestrutura hospitalar simplificada[6],[7],[8]. 

Para o nefrologista Paulo Lins, gerente médico da Vantive Brasil, ampliar o conhecimento sobre as opções de tratamento é importante para pacientes e profissionais de saúde. "A diálise peritoneal pode oferecer mais flexibilidade e autonomia para alguns pacientes, permitindo que mantenham suas atividades de trabalho e vida social. Garantir que pacientes e médicos possam avaliar todas as modalidades apropriadas, apoiados por educação e vias de acesso adequadas às necessidades locais, é parte importante das discussões sobre cuidados renais”, afirma[9].

 

Metodologia 

A pesquisa foi realizada online pela Brazil Panels, em março de 2026, com 2.000 entrevistados de todas as regiões do Brasil, distribuídos por diferentes faixas etárias e condições socioeconômicas. O estudo teve como objetivo compreender o nível de conhecimento, percepções, comportamentos e atitudes da população brasileira em relação à saúde renal, prevenção de doenças dos rins e realização de exames preventivos. A pesquisa foi conduzida por empresa de pesquisa independente sob contrato formal, utilizando respostas anonimizadas e processos desenhados para conformidade com as normas de privacidade aplicáveis. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança.

 


Vantive
www.vantive.com

 

[1] Global, regional, and national burden of chronic kidney disease, 1990–2023, and forecasts to 2050: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2023. The Lancet, 2025. DOI: 10.1016/S0140-6736(25)01853-7. Disponível em: Link.

[2] Embora os dados internacionais sejam informativos, as taxas de diagnóstico e as vias de cuidado no Brasil refletem características específicas da prática clínica local, do acesso e da saúde populacional.

[3] Censo Brasileiro de Diálise 2024. Disponível em: https://www.censo-sbn.org.br/censosAnteriores.

[4] HCor. Doença renal crônica: um perigo para quem tem diabetes e pressão alta. Disponível em: https://www.hcor.com.br/hcor-explica/outras/doenca-renal-cronica-em-diabeticos-e-hipertensos/

[5] Flythe JE, Watnick S. Dialysis for Chronic Kidney Failure: A Review. JAMA. 2024 Nov 12;332(18):1559-1573. doi: 10.1001/jama.2024.16338. PMID: 39356511.

[6]Wong, C. K. H. et al. Cost-effectiveness of peritoneal dialysis versus hemodialysis for end-stage renal disease: A population-based cohort study. PLOS ONE. 2020;15(10): e 0235300

[7]Li, P. K., et al. Changes in the worldwide epidemiology of peritoneal dialysis. Nature Reviews Nephrology, 2016. Disponível em: Link.

[8] Os resultados variam conforme as características dos pacientes, capacidades locais e protocolos clínicos adotados. A decisão sobre a modalidade de tratamento deve ser individualizada pelo médico, pois tanto a diálise peritoneal quanto a hemodiálise apresentam benefícios e riscos distintos, e a adequação varia conforme o perfil clínico de cada paciente.

[9] Este material é apenas informativo e não substitui orientação médica. Pacientes devem consultar um profissional de saúde qualificado para determinar o tratamento mais adequado ao seu caso.

 

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