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quinta-feira, 21 de maio de 2026

NR-1 entra em vigor e coloca a fertilidade no centro da agenda dos RHs

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Nova obrigatoriedade de gestão de riscos psicossociais expõe lacuna em pacotes de benefícios; ansiedade ligada à fertilidade afeta milhões e ainda é “invisível” para o RH


A partir do próximo dia 26, a NR-1 passa a exigir que empresas brasileiras identifiquem, avaliem e gerenciem riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A mudança coloca a saúde mental no centro da agenda corporativa e amplia a responsabilidade dos empregadores sobre o bem-estar dos colaboradores. O que ainda passa despercebido por grande parte dos departamentos de RH, porém, é que um dos gatilhos mais silenciosos de sofrimento psíquico nas empresas tem nome: a infertilidade.
 

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a infertilidade afeta 1 em cada 6 pessoas no mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 8 milhões de pessoas enfrentam dificuldade para engravidar. Para quem vive esse processo dentro de uma rotina profissional intensa, o peso é duplo: além do impacto emocional do diagnóstico e dos tratamentos, há o custo financeiro elevado de procedimentos como a fertilização in vitro, que pode ultrapassar R$ 30 mil por ciclo, e não é coberto por planos de saúde corporativos. 

Estudos internacionais mostram que mulheres em tratamento de fertilidade apresentam níveis de ansiedade e depressão comparáveis aos de pacientes diagnosticados com câncer ou doenças cardiovasculares. Esse sofrimento raramente é declarado no ambiente de trabalho. O colaborador carrega esse peso em silêncio, o que impacta diretamente concentração, produtividade e engajamento, fatores que a própria NR-1 agora obriga as empresas a monitorar. 

"A NR-1 ampliada é um marco importante, mas também é um convite para as empresas olharem além do óbvio. Quando falamos de riscos psicossociais, precisamos incluir na conversa temas como planejamento familiar, tratamentos reprodutivos e o impacto emocional que esse processo gera na vida profissional. E uma dimensão do cuidado que as organizações ainda não incorporaram de forma sistemática", afirma Gabriela Varisco, cofundadora da Nest Fertilidade. 

O tradicional pacote de benefícios corporativos, com vale-refeição, plano de saúde padronizado e auxílios fixos, não foi desenhado para acompanhar a diversidade de projetos de vida dos trabalhadores contemporâneos. A maternidade e a paternidade têm sido cada vez mais planejadas e adiadas, muitas vezes em razão de escolhas profissionais. Nesse contexto, os benefícios ligados à fertilidade ganham protagonismo não apenas como diferencial de atração de talentos, mas como resposta concreta às exigências legais de promoção de saúde mental no trabalho. 

A Nest Fertilidade conecta empresas a uma rede qualificada de clínicas especializadas, estruturando toda a jornada de cuidado reprodutivo do colaborador, com acesso a tratamentos como fertilização in vitro, inseminação e congelamento de óvulos e embriões. A proposta é tornar esses tratamentos financeiramente acessíveis por meio de benefícios corporativos, reduzindo uma das principais fontes de estresse vivenciadas em silêncio dentro das organizações.

 

Benefício de fertilidade avança no Brasil

Empresas como Google, Apple, Meta e Microsoft já oferecem benefícios de fertilidade em seus pacotes há anos. Nos Estados Unidos, 42% das grandes companhias oferecem algum suporte nessa área, segundo a consultoria Mercer. O mercado global de benefícios de fertilidade corporativa movimenta US$8 bilhões por ano. No Brasil, o tema começa a ganhar tração, impulsionado justamente pela crescente atenção das organizações à saúde integral dos colaboradores. 

Além do cumprimento da NR-1, a inclusão de benefícios de fertilidade responde a outras frentes estratégicas. Pesquisa da consultoria Willis Towers Watson aponta que colaboradores que recebem suporte em saúde reprodutiva apresentam índices significativamente maiores de engajamento e intenção de permanência. “O benefício é também um instrumento de diversidade e inclusão: é especialmente relevante para casais homoafetivos, pessoas que desejam maternidade ou paternidade solo, e profissionais que preservam a fertilidade por decisão pessoal ou médica”, resume Varisco. 

"A NR-1 abre uma janela para as empresas repensarem o que significa cuidar de verdade. Benefícios de fertilidade deixaram de ser algo de nicho e passaram a ser estratégicos: reduzem a ansiedade, apoiam decisões de longo prazo e posicionam a empresa como parceira do colaborador em momentos que importam", conclui.


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