Mobilização internacional liderada pelo Instituto Ampara Animal pretende endurecer leis sobre crimes digitais envolvendo crueldade contra animais e pressionar plataformas por responsabilidade.
A organização brasileira Instituto Ampara Animal lançou a campanha global Animal Safety, uma mobilização internacional que pretende reunir organizações, protetores independentes, ativistas, especialistas e cidadãos para pressionar plataformas digitais a combater conteúdos que exibem ou incentivam maus-tratos contra animais. A iniciativa também busca promover mudanças legislativas que tornem mais rigorosa a responsabilização por crimes digitais relacionados à violência contra animais.
O movimento surge diante da crescente circulação de vídeos e
transmissões que mostram exploração, tortura e morte de animais em ambientes
online, muitas vezes impulsionados por algoritmos e transformados em conteúdo
de entretenimento. Dados do Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD), da
Polícia Civil de São Paulo, apontam que entre 10 e 15 animais são mortos ou
submetidos a violência extrema por noite em transmissões, monitoradas
pelas autoridades, especialmente em servidores privados no Discord e grupos
fechados em aplicativos de mensagens. A campanha pretende chamar atenção para a
responsabilidade das plataformas diante desse cenário e mobilizar a sociedade
para exigir mecanismos mais eficazes de denúncia, remoção e prevenção desse
tipo de material.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) também relaciona os grupos investigados por crimes contra animais em plataformas digitais a práticas como indução à automutilação, estupro virtual, incentivo ao suicídio, exploração sexual de adolescentes e apologia à violência extrema. Segundo as investigações conduzidas pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD), esses ambientes funcionam como redes organizadas de violência, nas quais o sofrimento animal é frequentemente utilizado como mecanismo de dessensibilização e escalada para outros crimes.
“A internet não pode continuar sendo um ambiente onde a crueldade vira conteúdo e gera engajamento. A campanha Animal Safety nasce para unir a sociedade e pressionar por mudanças reais. Precisamos endurecer as leis e responsabilizar quem produz e quem permite que crimes contra animais sejam exibidos e incentivados nas plataformas digitais”, afirma Juliana Camargo, presidente do Instituto Ampara Animal.
Como parte da
estratégia institucional da campanha, os organizadores concluíram a redação de
um Projeto de Lei (PL 1043/2026) voltado ao enfrentamento de crimes digitais
envolvendo maus-tratos contra animais. O texto foi entregue ao deputado federal
Matheus Laiola, conhecido por sua atuação na causa animal. A equipe do
parlamentar demonstrou interesse e promoveu uma audiência pública para discutir
o tema com especialistas, representantes da sociedade civil e autoridades,
realizada na Câmara dos Deputados, no Brasil. Durante o debate, foram
apresentados dados indicando mais de 83 mil links com conteúdos de maus-tratos
compartilhados em plataformas digitais em 2024, além de relatos da Polícia
Civil de São Paulo sobre transmissões ao vivo envolvendo violência contra
animais e jovens coagidos por criminosos em redes sociais e aplicativos. Os
participantes cobraram respostas mais rápidas das plataformas digitais e
avanços na legislação.
Paralelamente ao
avanço legislativo, a campanha estruturou sua presença digital. A equipe
desenvolveu uma landing page do movimento. A página funcionará como o principal
hub de informações da campanha, reunindo dados, materiais educativos e
orientações para mobilização de organizações e cidadãos em diferentes países.
Outra frente
importante será a mobilização popular. A campanha está lançando uma petição
internacional na plataforma Change.org, com a meta
de alcançar um milhão de assinaturas em apoio à criação de políticas mais
rigorosas contra conteúdos de crueldade animal nas redes e plataformas
digitais.
A iniciativa
também começa a ganhar adesões institucionais. Os organizadores anunciaram a
formação de uma coalizão com a Social Media Animal Cruelty Coalition (SMACC),
ampliando a rede de organizações que apoiam a campanha e fortalecendo o esforço
coletivo para pressionar empresas de tecnologia e autoridades públicas. Dados
recentes reforçam a gravidade do problema. Em 2024, a SMACC identificou mais de
83 mil links contendo conteúdo de crueldade animal em 11 grandes plataformas digitais. No
Brasil, registros da Polícia Civil de São Paulo indicam que os casos de
maus-tratos contra animais veiculados na internet cresceram 120% entre 2024 e
2026. Segundo dados apresentados pelo NOAD, os registros passaram de 175 casos
em 2024 para 340 em 2025, com crescimento contínuo das investigações em 2026.
Além das ações
institucionais e legislativas, a campanha contará com uma forte estratégia de
comunicação. Está prevista a produção de um vídeo oficial da campanha, com o apoio
de artistas, influenciadores e formadores de opinião nacionais e internacionais,
que devem ajudar a ampliar a visibilidade da mobilização e sensibilizar a
sociedade sobre a gravidade do problema.
A campanha também
terá como referência técnica e institucional o trabalho da delegada Lisandréa
Salvariego, da Polícia Civil de São Paulo, cuja atuação no combate a crimes
digitais têm revelado a dimensão da violência que ocorre em ambientes online.
Enquanto a maioria das famílias dorme, Salvariego monitora jogos, chats e redes
sociais onde crianças e adolescentes participam de desafios violentos.
Nas telas
observadas pela delegada, sessões de abuso sexual, automutilação e tortura —
incluindo a tortura e o assassinato de animais — acontecem diariamente e muitas
vezes são transmitidas ao vivo. Integrante do Núcleo de Observação e Análise
Digital (NOAD) da Polícia Civil paulista, Salvariego atua no mapeamento de
autores, vítimas e ambientes digitais, identificando padrões de comportamento
nesses grupos. Segundo as investigações conduzidas pelo núcleo, cerca de 90%
dos autores identificados são adolescentes e jovens, enquanto aproximadamente
90% dos animais vítimas desses crimes são gatos, principalmente filhotes. Os
investigadores também identificaram conexões entre esses grupos e crimes como
incentivo à automutilação, estupro virtual, exploração sexual de menores e
apologia à violência extrema.
As investigações
conduzidas pelo núcleo revelam estruturas organizadas nesses ambientes online,
com presença de discurso de ódio, hierarquias internas entre participantes e
até sistemas de recompensa baseados no sofrimento de vítimas humanas e animais.
Segundo a delegada Lisandréa Salvariego, “os maus-tratos são a porta de entrada
para outros crimes”. Para os organizadores da campanha, esses dados evidenciam
a urgência de políticas públicas e legislações capazes de enfrentar o problema
de forma mais contundente.
Com alcance
internacional, a campanha Animal Safety pretende unir organizações e ativistas
de diferentes países em torno de um objetivo comum: impedir que a internet
continue sendo um espaço de normalização da violência contra animais e garantir
que plataformas digitais assumam responsabilidade diante desses crimes.
Assine o abaixo-assinado e faça parte da mudança: Assine aqui


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