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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Dor de cabeça e enxaqueca não são a mesma coisa. Entenda

Durante o Maio Bordô, campanha nacional de conscientização sobre as cefaleias, especialista fala sobre a importância do diagnóstico precoce e os riscos da automedicação

 

A enxaqueca é uma doença neurológica crônica, de causa hereditária, caracterizada pela hiperexcitabilidade do cérebro. Cerca de 30 milhões de brasileiros sofrem com a doença (aproximadamente 15% da população), de acordo com a OMS. A dor de cabeça é sempre um sintoma, de algum problema que está acontecendo no organismo. Na enxaqueca, a dor de cabeça é um dos sintomas, o mais conhecido, mas não o único! 

Alterações gastrointestinais, bexiga hiperativa, tendência a oscilações de pressão, fotofobia (sensibilidade à luz muito forte), fonofobia (sensibilidade a sons, especialmente muito altos), náuseas, vômitos, distúrbios do sono, sintomas de ansiedade e de déficits cognitivos como atenção e memória, são comuns em pessoas que sofrem da doença. 

“Os sintomas associados à enxaqueca são inúmeros porque o cérebro é a central de comando de todas as funções do corpo, então todo o órgão ou toda região do corpo que recebe inervação pode apresentar esses sinais quando o cérebro está em desequilíbrio, está instável em seu funcionamento, que é a base da enxaqueca”, explica a médica Thais Villa, neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca.

 

Cronificação 

Embora proporcione alívio momentâneo, o uso de analgésicos e anti-inflamatórios para dor de cabeça de forma contínua pode cronificar a enxaqueca, deixando as dores mais intensas e frequentes. 

Os cronificadores também podem estar na alimentação. Alguns alimentos contêm substâncias que são estimulantes para o cérebro e podem tanto ser um gatilho para as crises de enxaqueca como também podem cronificar a doença, aumentando a frequência de crises, a intensidade e a duração delas. 

“Os alimentos estimulantes precisam ser evitados para que o paciente possa ter um tratamento e um controle da doença. O cérebro mais sensível aos estimulantes de alimentos com cafeína, principalmente, e alimentos termogênicos (como gengibre, cúrcuma e canela) precisa de cuidado redobrado”, alerta a especialista. 

Esses alimentos devem ser evitados porque a enxaqueca é doença de um cérebro muito excitado e alimentos estimulantes e termogênicos vão ser gatilhos e cronificadores da doença.
 

Sinais de alerta 

Se a pessoa tiver uma dor de cabeça repentina, aguda e severa, deve procurar o pronto-atendimento. Precisam ser afastadas causas graves, entre elas, o rompimento de um aneurisma ou uma meningite, por exemplo. 

Se é uma dor de cabeça recorrente, que atrapalha a rotina, a orientação é marcar uma consulta com um neurologista para investigação. 

Se o diagnóstico for de enxaqueca, o paciente deve ser acompanhado e iniciar um tratamento adequado, com a utilização de medicamentos específicos e orientações não medicamentosas para o controle da enxaqueca, dos sintomas e das crises que a doença faz acontecer. 

No geral, mesmo que você tenha boas explicações para as suas dores de cabeça, se você tem 3 ou mais episódios de dor de cabeça por mês, há mais de 3 meses, procure um médico. Você precisa de tratamento.
 

Tratamento
 

O Tratamento 360º, que enxerga o paciente com todas as suas particularidades, é o que há de mais moderno e completo no manejo da doença e dos sintomas que a enxaqueca faz acontecer.

Uma das grandes descobertas no tratamento preventivo da enxaqueca crônica, com resultados cientificamente comprovados, é a aplicação da toxina botulínica, popularmente conhecida como Botox. A substância bloqueia a liberação de neurotransmissores responsáveis por levar a informação da dor ao cérebro. O tratamento integrado também utiliza medicamentos anti CGRP, que cuidam dos diversos sintomas da doença.


Dra Thaís Villa (CRM 110217) – Médica Neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Fundadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Neurologista com Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.
Site: www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: headache_center_brasil


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