Especialistas explicam quais sinais merecem atenção
e como evitar crises recorrentes
Dor de cabeça está entre as queixas mais comuns da
população. A literatura médica indica que 70,6% da dos brasileiros apresentam
ao menos um episódio de cefaleia ao longo de um ano. Já a migrânea, nome
técnico da popular enxaqueca, afeta aproximadamente 15%, principalmente as
mulheres. Embora estresse, noites mal dormidas ou excesso de trabalho realmente
estejam entre as causas mais frequentes, especialistas em saúde alertam que nem
toda cefaleia deve ser tratada como algo passageiro.
Para o neurologista Pedro Henrique Cunha, especialista do Centro de Dor do
Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, mudanças no padrão da dor
exigem investigação cuidadosa. “Na maior parte das vezes, a dor de cabeça está
ligada a fatores benignos e transitórios. O problema é quando ela muda de
padrão, passa a ser mais intensa, frequente ou surge de forma súbita”. O
especialista orienta como lidar com a condição.
1. O que causa a dor de cabeça?
As crises de cefaleia estão associadas principalmente à má qualidade do sono,
desidratação, ansiedade, jejum prolongado, alterações hormonais e até fadiga
ocular causada pelo uso excessivo de telas.“As que chamamos de primárias estão
entre as causas mais frequentes. Elas não estão ligadas a doenças estruturais,
como problemas vasculares ou lesões, sendo as mais comuns as relacionadas à
tensão e a quadros de enxaqueca”, explica o neurologista.
2. Cefaleia constante é comum?
Apesar de a maioria dos casos não indicar gravidade, alguns sintomas funcionam
como alerta. Dor súbita e muito intensa, febre associada, rigidez na nuca,
alterações visuais, formigamento, perda de força, dificuldade para falar,
confusão mental ou sonolência excessiva exigem avaliação médica. Esses sintomas
podem indicar cefaleias secundárias, associadas a outras condições clínicas que
precisam de investigação, como infecções ou tumores.
Também devem ser investigadas dores que começam após os 50 anos de idade,
pioram progressivamente, acordam a pessoa durante a noite ou aparecem após
trauma. “Se a pessoa começa a depender de analgésico com frequência ou percebe
que a dor está atrapalhando sua rotina, sono e produtividade, vale investigar”,
orienta Diogo Haddad, neurologista do Hospital Nove de Julho e coordenador do
Núcleo de Memória do Alta Diagnósticos.
3. Automedicação pode piorar o quadro?
Haddad alerta ainda que o uso frequente de analgésicos pode se tornar um
gatilho para as dores. “O uso repetido de paracetamol, dipirona e
anti-inflamatórios, como ibuprofeno ou diclofenaco, pode provocar cefaleia por
abuso de medicação, criando um ciclo em que a pessoa toma remédio para aliviar
a dor e acaba favorecendo o retorno das crises. É importante que o paciente
siga orientação médica e faça uso moderado dessas ferramentas.”
4. Hábitos mais saudáveis podem diminuir sintomas?
Como em diversas condições clínicas, bons hábitos são aliados importantes no
controle dos sintomas. Manter horários regulares para dormir e acordar, evitar
longos períodos sem alimentação, beber água ao longo do dia e reduzir exageros
com cafeína e bebidas alcoólicas são medidas que costumam reduzir a frequência
das crises.
“Em pacientes com cefaleia persistente, para além dessas condições, a avaliação
médica é fundamental para definição do diagnóstico e tratamento adequados. O
especialista fará uma anamnese detalhada, além de solicitar exames
laboratoriais ou outros testes para investigar a causa”, conclui o especialista.
Em pacientes com cefaleia persistente ou incapacitante, a análise clínica é
fundamental para elucidação diagnóstica e estabelecimento da conduta mais
apropriada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário