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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Dor de cabeça frequente não é normal e pode indicar quadros graves: saiba como investigar

 

Especialistas explicam quais sinais merecem atenção e como evitar crises recorrentes
 

Dor de cabeça está entre as queixas mais comuns da população. A literatura médica indica que 70,6% da dos brasileiros apresentam ao menos um episódio de cefaleia ao longo de um ano. Já a migrânea, nome técnico da popular enxaqueca, afeta aproximadamente 15%, principalmente as mulheres. Embora estresse, noites mal dormidas ou excesso de trabalho realmente estejam entre as causas mais frequentes, especialistas em saúde alertam que nem toda cefaleia deve ser tratada como algo passageiro.

Para o neurologista Pedro Henrique Cunha, especialista do Centro de Dor do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, mudanças no padrão da dor exigem investigação cuidadosa. “Na maior parte das vezes, a dor de cabeça está ligada a fatores benignos e transitórios. O problema é quando ela muda de padrão, passa a ser mais intensa, frequente ou surge de forma súbita”. O especialista orienta como lidar com a condição.

1. O que causa a dor de cabeça?


As crises de cefaleia estão associadas principalmente à má qualidade do sono, desidratação, ansiedade, jejum prolongado, alterações hormonais e até fadiga ocular causada pelo uso excessivo de telas.“As que chamamos de primárias estão entre as causas mais frequentes. Elas não estão ligadas a doenças estruturais, como problemas vasculares ou lesões, sendo as mais comuns as relacionadas à tensão e a quadros de enxaqueca”, explica o neurologista.



2. Cefaleia constante é comum?


Apesar de a maioria dos casos não indicar gravidade, alguns sintomas funcionam como alerta. Dor súbita e muito intensa, febre associada, rigidez na nuca, alterações visuais, formigamento, perda de força, dificuldade para falar, confusão mental ou sonolência excessiva exigem avaliação médica. Esses sintomas podem indicar cefaleias secundárias, associadas a outras condições clínicas que precisam de investigação, como infecções ou tumores.

Também devem ser investigadas dores que começam após os 50 anos de idade, pioram progressivamente, acordam a pessoa durante a noite ou aparecem após trauma. “Se a pessoa começa a depender de analgésico com frequência ou percebe que a dor está atrapalhando sua rotina, sono e produtividade, vale investigar”, orienta Diogo Haddad, neurologista do Hospital Nove de Julho e coordenador do Núcleo de Memória do Alta Diagnósticos.



3. Automedicação pode piorar o quadro?


Haddad alerta ainda que o uso frequente de analgésicos pode se tornar um gatilho para as dores. “O uso repetido de paracetamol, dipirona e anti-inflamatórios, como ibuprofeno ou diclofenaco, pode provocar cefaleia por abuso de medicação, criando um ciclo em que a pessoa toma remédio para aliviar a dor e acaba favorecendo o retorno das crises. É importante que o paciente siga orientação médica e faça uso moderado dessas ferramentas.”



4. Hábitos mais saudáveis podem diminuir sintomas?


Como em diversas condições clínicas, bons hábitos são aliados importantes no controle dos sintomas. Manter horários regulares para dormir e acordar, evitar longos períodos sem alimentação, beber água ao longo do dia e reduzir exageros com cafeína e bebidas alcoólicas são medidas que costumam reduzir a frequência das crises.

“Em pacientes com cefaleia persistente, para além dessas condições, a avaliação médica é fundamental para definição do diagnóstico e tratamento adequados. O especialista fará uma anamnese detalhada, além de solicitar exames laboratoriais ou outros testes para investigar a causa”, conclui o especialista. Em pacientes com cefaleia persistente ou incapacitante, a análise clínica é fundamental para elucidação diagnóstica e estabelecimento da conduta mais apropriada.



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